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Isabel Martinez: cortar o tempo

publicado em fotografia por | 3 comentários

Nas séries da fotógrafa chilena Isabel Martínez assistimos à desmontagem e colagem de imagens que resultam numa verticalidade e numa justaposição forçada - uma composição que obriga a reflectir acerca das noções de temporalidade e simultaneidade. Conheça aqui as séries Quantum Blink e The Weekend.

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© Isabel Martinez, "Quantum Blink - Carrousel".

Desconstrução e remontagem. Afastamento e re-aproximação. Complexidade e novos sentidos. Interessada na experiência humana, a fotógrafa Isabel Martinez dá-nos a conhecer momentos fragmentados, partidos em pequenas tiras verticais, em luzes que parecem querer fugir à nossa percepção. Os rostos e as paisagens captam a nossa atenção para depois de desmontarem e se refugiarem por trás de uma cortina.

Isabel Martinez é uma fotógrafa oriunda de Santiago do Chile que viajou para o Canadá para alargar a sua formação e aprofundar a sua técnica, e aí vive actualmente. O estudo da percepção tornou-se um tema recorrente nas suas imagens, iniciando uma exploração das diferentes possibilidades e limitações da fotografia. Como um Picasso contemporâneo, Martinez mergulha na desmontagem da imagem e ordena-as segundo as suas próprias regras de verticalidade. As suas ideias refletem noções de tempo, espaço, simultaneidade e duração. Qual é o espaço que um rosto ocupa numa sala? Qual é o seu impacto numa fotografia? Será que só podemos ver um ângulo? Martinez joga com as relações espacio-temporais, elaborando também a sua própria abordagem do movimento na arte fotográfica. O fruto desta experimentação são imagens que se tornam em narrativas não-lineares, sobreposiçõs e justaposições.

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© Isabel Martinez, "Quantum Blink - Crosswalk".

Na série Quantum Blink, Martinez foca-se na figura humana e na desconstrução das suas diferentes perspectivas. Estas fotografias foram capturadas em duas exposições distintas, reveladas através do padrão vertical, que une dois momentos. O rosto e o corpo são o tema central de um conjunto de fotografias que nos retêm pelo movimento, pela fluidez e pela ilusão de volume. De acordo com a teoria da mente quântica, cada ser humano tem cerca de 40 momentos de consciência por segundo e o nosso cérebro liga estes fragmentos, criando a ilusão de continuidade. Quantum Blink debruça-se, por isso, sobre a possibilidade de essa intermitência se tornar visível. Em apenas uma fotografia, observamos a sucessão de instantes e especulamos os movimentos nas entrelinhas, supondo o movimento que, afinal, não está lá. É quase uma animação, é quase cinematográfico.

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© Isabel Martinez, "Quantum Blink - Chevron".

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© Isabel Martinez, "Quantum Blink - Talking Hands".

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© Isabel Martinez, "Quantum Blink - Dock".

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© Isabel Martinez, "Quantum Blink - Dock".

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© Isabel Martinez, "Quantum Blink - Pond".

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© Isabel Martinez, "Quantum Blink - Staff".

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© Isabel Martinez, "Quantum Blink - Onlooker".

Já na série The Weekend, o cenário assume o papel principal. As duas imagens que se encontram justapostas em cada fotografia são um vislumbre apressado do fim-de-semana. Martinez desmonta os dias de descanso, demonstrando a sua dualidade: o Sábado e o Domingo. Não se tratanto de imagens simultâneas, temos dificuldade em distinguir os dias. Mais uma vez, assistimos à diluição do espaço temporal, agora com um salto de 24 horas. Unindo acontecimentos, estas imagens desorientam-nos entre o primeiro plano e o plano de fundo, obrigando o nosso olhar a transitar constantemente de foco, em busca de um sentido. Tempo e espaço, cortados uma vez mais, dão-nos uma nova interpretação da temporalidade, da dualidade e do paralelo.

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© Isabel Martinez, "The Weekend".

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© Isabel Martinez, "The Weekend".

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© Isabel Martinez, "The Weekend".

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© Isabel Martinez, "The Weekend".

Ao longo da sua ainda curta carreira, Isabel Martinez já expôs em diversas galerias no Chile, Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. Mais recentemente, o seu trabalho foi exposto no Festival Contact Photography (2011) e na Magenta's Flash Forward (2011).

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© Isabel Martinez.

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© Isabel Martinez.

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© Isabel Martinez.

 

diana guerra é normalmente zote, mas dizem que também se interessa por arte, cultura e essas coisas óbvias. Saiba como fazer parte da obvious.

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joão santos

Uma artista "avant garde" na melhor acepção da palavra.
Sua obra é dinâmica e tem uma estrutura inquieta e ao mesmo tempo solene e desafiadora.
Perde-se o foco instigando o observador à procura dele.
Genuíno talento sul americano que rompe os padrões da arte de sua época.
Soberbo, exuberante e contido nos limites da folha.

joão santos

Parece que minha crítica foi recusada, foi?
Fui descordial e mal educado? ofensivo ou pouco digno?
Por favor, me digam.
Obrigado.

luiz carlos

maravilhosa visão, esse olhar eletrônico fragmentando muitas vezes mais essa nossa, por vezes, estranha realidade.

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