Museus assustadores: o lado incómodo

O mundo é demasiado grande para o conhecermos bem. Talvez por isso nos surpreendamos quando a completa estranheza surge aos nossos olhos, por exemplo na comunicação social. Ou o “estranho” será já regra? Ainda assim, o que nos pode assombrar, hoje, reflecte a profusão de ideias em que o mundo se tornou. Melhor do que isso: tem museu.



bizarro, estranho, insolito, museu, susto © Monk' Corridor (Wikicommons, Sibeaster).

A cultura do “susto” Crê-se que exista o universo emocional do susto desde que existe o ser humano. Cada indivíduo tem uma reacção específica face ao susto e existem vários tipos de susto, decorrentes das várias maneiras de percepcionar os episódios do quotidiano, uns mais comuns do que outros. Numa cultura ocidentalizada europeia, pelo menos, provocar o susto, conscientemente ou não, implica causar, em algum momento, sensações que sentimos como negativas. Ainda assim, tal não impede que o susto seja usado para momentos de animação ou de gozo, entre pessoas, ou até para a disseminação do conhecimento (científico ou não) na sociedade global, como o caso de alguns museus, por todo o mundo.

De uma lista de 15 museus mundiais considerados pela generalidade do público e por alguns orgãos de comunicação social dos mais assustadores, destacam-se museus como o Museu Vrolik, em Amesterdão, com uma colecção composta, entre outras, de peças, como espécies que sofreram de patologias diversas, embriões anómalos ou caveiras e ossos com uma formatação estranha. Entre outras coisas, é possível observar corpos de fetos siameses, pequenas colecções de ossos e de dentes, normalmente com problemas. Este museu é um espaço acinzentado, fora da moda actual, usado para estudo principalmente dos estudantes de Medicina da cidade. Consegue ser, para alguns “sites” turísticos, assustador e, por isso, não apropriado para crianças.

O Museu de Antropologia Criminal Cesare Lombroso, em Roma, é composto maioritariamente pela colecção do reconhecido criminologista italiano que dá nome ao museu. As suas maiores atracções são cabeças de criminosos e armas usadas por estes, coleccionadas por Cesare. Este criminologista acreditava que o interior dos cérebros dos criminosos seria diferente dos cérebros de outros indivíduos.

Outro museu, o Museu de Múmias de Guanajuato, uma pequena cidade no México, é composto por 108 corpos mumificados, mulheres na sua maioria, mortos por um surto de cólera que atingiu a cidade, em 1833. Os corpos foram desenterrados, entre 1865 e 1958, e acabaram por ficar preservados pela própria composição do terreno onde se encontravam.

bizarro, estranho, insolito, museu, susto © Museu das Múmias, Guanajuato.

bizarro, estranho, insolito, museu, susto Rio da Morte, masmorras em Londres (Wikicommons).

Poderão ainda ser dignos de realce as Catacumbas de Palermo (também conhecidas como um "museu da morte"); o “London Dungeon”, em Londres, onde praticamente tudo lá se encontra disposto para assustar os visitantes - com vários instrumentos de tortura da Idade Média expostos e actores prontos para sair da escuridão, a qualquer instante -; o Museu do Crime da Academia de Polícia Civil, em São Paulo, com exposições de fotos e objectos que serviram de provas de crimes descobertos; ou o “Moulagen Museum”, em Zurique, que tem peças de cera retratando doenças como a lepra ou sífilis. Assentar poeira A CNN fez uma lista dos 15 museus que considerou os mais estranhos do mundo. Entre outros, por exemplo, o Museu da Água da Torneira (China), o Museu da Arte Má (E.U.A.), o Museu das Coleiras (Inglaterra), o Museu dos Cortadores de Relva (Inglaterra), o Museu do Cabelo (Turquia), o Museu do Falo (onde se encontram mais de 270 pénis, de diferentes espécies, na Islândia) ou o Museu da Beleza Extrema (Malásia). Destes “museus”, provavelmente, muito poucos se-lo-ão, de facto, pois não basta a posse de uma colecção material e uma temática expositiva.

Estes “museus” primam pela invulgaridade e encontram-se em expansão, no mundo de hoje. Reflectem mudanças nos modos de educar públicos, talvez acompanhadas de uma predisposição do público para tal. Quando estas mudanças passaram a ser a regra, tornaram-se banais. Ao se banalizarem, facilmente se tornou notório o impacto das mudanças que estes museus promoveram no espírito do público e que este acabou por “ir aceitando”. Talvez por mera e contínua interiorização. O que antes foi “mudança”, deixou de o ser. Tal como quando a poeira se levanta e acaba por assentar, inevitavelmente.

bizarro, estranho, insolito, museu, susto © Museu da Falologia, Pénis não Humanos (Wikicommons, Wellington Grey).

bizarro, estranho, insolito, museu, susto © Museu da Arte Má, Dedham, Massachusetts (Wikicommons, Kafka Liz).

bizarro, estranho, insolito, museu, susto © Museu da Arte Má, Dedham, Massachusetts (Wikicommons, Kafka Liz).

luís pereira

. Segundo José Saramago, "sempre chegamos aonde nos esperam."
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