Ana e Otto: Los amantes del Círculo Polar

Quando as coincidências da vida formam um círculo perfeito, o amor pode nascer e morrer das maneiras mais inimagináveis. Na visão de Julio Medem, Ana e Otto são a representação de que tudo tem um ínicio e um fim, independente dos rumos que se escolham tomar. E Los Amantes del Círculo Polar vem representar um pouco da trajetória que cada um de nós resolve seguir em algum instante de nossas existências.



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No mesmo instante em que seus olhares se cruzam em meio a um silêncio fascinante, ainda pequenos, Ana e Otto criam dentro de si a certeza de algo: o destino não pode ser negado. E é esse mesmo destino que os guia desde o momento em que se encontram pela primeira vez na saída da escola, aos 8 anos, até o momento final de sua vida juntos.

Entre encontros e desencontros uma história de amor vai se construindo envolta pela morte, por tensões familiares, pela descoberta da sexualidade e, principalmente, pela crença de que tudo está infinitamente interligado em suas vidas. Mesmo que eles próprios não se dêem conta disso. Meio-irmãos que se entrelaçam em uma relação incestuosa, confusa, intensa e que prende a atenção pela forma como se desenrola.

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Na visão de Ana, Otto é inicialmente a reencarnação do pai morto. Ela enxerga naquele garoto a oportunidade perdida de conviver com o homem que mais amou na vida. E, durante muito tempo, não dá a Otto a chance de declarar o amor que sente por ela. Enquanto a história é contada por Ana, sentimos que o amor geralmente é uma forma de compensarmos algo que nos falta na vida.

Otto, por sua vez, vê em Ana a personificação da beleza, do desejo e da paixão. Vivendo uma conturbada relação familiar, onde a mãe é uma mulher depressiva e o pai um homem rude, o garoto busca no amor a cura para aquilo que corrói sua alma. Apaixonado desde o primeiro instante, Otto faz de Ana o ponto de equílibrio de sua frágil existência.

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Eles se encontram. Eles se amam. Eles se desejam. Se olham e se entendem sem dizer uma palavra sequer. Nos seus rumos aleatórios, se separam. E voltam a se encontrar. E se perdem novamente. “Eu poderia contar toda a minha vida como um trem de coincidências”, filosofa Ana. “A vida tem muitos ciclos”, finaliza Otto. São o destino e o acaso que os regem.

Com essa história de amor que foge do convencional, o espanhol Julio Medem nos presenteia com intensos momentos de reflexão sobre como tudo gira tal qual um círculo perfeito. E nos mostra que, na vida, as coisas vão acontecer quando devem acontecer, independente dos nossos desejos, apreensões e sonhos.

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Los amantes del Círculo Polar é o tipo de filme que deixa uma tensão solta no ar, pois nunca sabemos ao certo que rumo a vida dos dois protagonistas irá tomar. Antes do fim é incerto definir se eles ficarão juntos, se o final será triste ou feliz ou se, enfim, conseguirão entender o motivo pelo qual se encontraram. E assim como a história é sempre contada sob o ponto de vista de cada um deles, o final é também dividido de acordo com a ótica de Ana e Otto, individualmente.

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As tonalidades frias, a câmara que roda em sentido circular, certos elementos que são recorrentes durante todo o filme – como o ônibus vermelho que aparece em diversas cenas, closes nos olhos, os nomes dos protagonistas que formam palíndromos - foram estratégias encontradas pelo diretor para reforçar a ideia de que a vida é de fato um círculo e talvez, até mesmo, para confunfir os espectadores durante toda a narrativa.

Otto e Ana foram representados por seis atores diferentes. Na infância por Peru Medem e Sara Valiente. Na adolescência por Victor Hugo Oliveira e Kristel Diaz. E na vida adulta por Fele Martínez (Má Educação) e pela bela Najwa Nimri (Lúcia e o Sexo).

Anna, destino, Finlândia, Julio Medem, los amantes del círculo polar, Otto O longa foi filmado em Madrid e em várias locações na Finlândia, entre eles na Lapônia, no meio do Círculo Polar Ártico. A belíssima fotografia, obra de Gonzalo F. Berridi, foi inspirada no filme Blue de Krzysztof Kieslowski. Julio Medem recebeu vários prêmios com Los Amantes del Círculo Polar, entre eles quatro prêmios Goya, Melhor Filme Europeu no Festival de Bruxelas e o Prêmio do Público de Melhor Filme Latino no Festival de Gramado.

Fontes: Julio Medem, Cine Repórter e Wikipédia.

petit gabi

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