Um resgate dos desenhos animados dos anos 2000

Você pode não acreditar, mas no período pós bug do milênio e anterior a 21/12/2012, foram produzidos desenhos animados com conteúdos cativantes e inteligentes de verdade. Esse artigo traz alguns dos mais memoráveis. Mas cuidado, se você for um adulto chato, feio e bobo provavelmente não gostará do que vai ler. Caso contrário, chame sua criança interior: com certeza será muito divertido para ela.


De todos os pequenos prazeres que a complexa e curta vida humana pode proporcionar, o saudosismo juvenil é um dos melhores, isso é fato. Ah, como assim devaneio paradoxal? Caro leitor, existe um simples argumento, suficientemente convincente para fazer você concordar. Mas para dar certo, feche os olhos, desligue-se do mundo e não confunda jovens nostálgicos com o Benjamin Button. Agora ignore a sua idade, e mergulhe em uma viagem que trará um pouco do que de mais icônico foi feito nos últimos anos no que respeita a desenhos animados, e que provavelmente você, ou seus filhos, ou seus netos, ou todos juntos acompanharam.

Claro que essa história de animações existe desde muito antes da última década. Ela surgiu junto com o cinema mudo, lá no início do século passado, visando o público adulto. Isso mesmo, senão por que o pioneiro Mickey Mouse, de 1928, foi tão politicamente incorreto no começo, fumando, bebendo e criticando subliminarmente a sociedade? E o que dizer da pin-up Betty Boop de 1930, que era uma cantora de cinta-liga independente e provocadora? Bom, desconsiderando o mau comportamento dos hoje respeitáveis vovôs da nova geração, muita coisa aconteceu ao longo das décadas seguintes: heróis foram dos quadrinhos para a TV, famílias do passado e futuro ganharam seus próprios programas e personagens inesquecíveis foram criados. Então, porque este artigo deveria tratar somente dos desenhos dos anos 2000?

2000, animados, desenhos, tv © Mark Anderson.

Veja bem, o planeta vivia mais um de seus famosos surtos de histeria coletiva no começo do novo século devido a toda a tecnologia que havia sido criada. Contraditoriamente, a internet estava se encarregando de globalizar o mundo. Tudo era muito novo para todos, assim como deve ter sido para Sheep na primeira vez que pisou na cidade grande em 2000. Logicamente, a ovelhinha não era a única a representar o quanto as pessoas estavam deslocadas em seu mundo. Um pobre alien conhecido como Invasor Zim (2001) também teve dificuldades para entender a Terra quando veio invadi-la. No mesmo ano, o bravo Samurai Jack estava perdido em um mundo futurístico, tentando cumprir sua missão sagrada de derrotar o terrível Abu.

O susto apocalíptico foi digno de fazer as pessoas quererem voltar no tempo para destruir os malvados computadores que criaram no passado. Bem, elas não conseguiram, mas em 2001 entrava em ação o esquadrão do tempo, para manter o curso natural da história. Passado o fim do mundo, as distâncias entre ele não diminuíram apenas virtualmente. Suas diferentes culturas começaram a partilhar crenças, costumes e valores. Naturalmente, essa interação se estendeu para os cartoons, resultando tanto nas divertidas histórias americanizadas dos lutadores mirins mexicanos de Mucha Lucha (2002) quanto nas aventuras do americano Mikey tentado entender a cultura do Japão enquanto protagonizava o show Kappa Mikey (2006).

Paralelamente, uma nova geração de animes conquistava o ocidente e o mundo pelo seu conteúdo profundo e reflexivo. Inuyasha (2000) trazia a força do amor verdadeiro, que ultrapassa mundos e eras. Histórias de Fantasmas (2001) mostrava algumas lições importantes sobre o medo, e o sobrenatural. Naruto (2002) ensinou a força dos sonhos e da amizade verdadeira. Gunslinger Girl (2003) mostrava uma comovente história sobre família e abandono. Anos mais tarde, o sinistro Death Note (2006) levantava questões importantes sobre a vida e a morte.

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E claro, não se pode esquecer a última geração de desenhos animados, todos aqueles que fecharam a primeira década do novo século e os mais novos, que vieram junto com o começo da segunda. Em 2007 o simpático Chowder almejava se tornar um mestre-cuca. No ano seguinte, o mundo conhecia Porto-Tempestade e as trapalhadas de Flapjack. Os herois que vieram dos quadrinhos para a TV décadas atrás encolheram e viraram O Esquadrão de super-herois (2009). Em 2010 era a vez de Finn, o humano, e Jake, o cão, barbarizarem o mundo de Ooo em Hora de Aventura. Claro que a pacata cidade de Mellowbrook não escaparia ilesa da fama, graças ao seu habitante mais radical Kick Buttowski, também em 2010. E para representar a nova escola dos cartoons surge um carismático e excêntrico coelho Gumball e seu maravilhoso mundo (2011).

Bom, parafraseando o bom e velho Gaguinho “isso é tu-tu-tudo pe-pessoal”. Que este artigo fomente a vontade de sentar na frente da televisão no sábado de manhã, para ver todos os desenhos possíveis, regado a doces e cereal. Ah, e o argumento para fazer você acreditar em saudosismo juvenil? Simples. Mesmo que você não tenha seguido as instruções lá em cima de fechar os olhos e se transportar para o mundo mágico dos desenhos animados, você deve ter tido pelo menos uma lembrança feliz de sua infância não? E mesmo que você tenha 10, 15, 20, 30, 40 anos ou mais, você sempre vai ter uma boa memória do passado. Agora pare e pense: isso por acaso não é um dos maiores prazeres que a vida pode proporcionar? 2000, animados, desenhos, tv © Mark Anderson.


jeferson scholz

é fascinado pela cultura pop em todas as suas esferas de manifestação, por música, cinema e nerdices em geral.
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