Velvet Strike: o videojogo da palavra em tinta de spray

À procura do inimigo com o ponto de uma mira. A luneta é ajustada de modo a criar um campo mais próximo do alvo. Não importa a temperatura, o ruído, tampouco o local. Apenas o tempo e a presença do adversário. Dois tiros no fundo, o gatilho encontra-se já preso e corpos esvaziados de sangue são substituídos por mensagens de paz e reflexão em tinta de spray nas paredes. Assim é jogar Velvet Strike.



Anne-Marie, feminismo, guerra, jogo, militar, pacifismo, Schleiner, videojogo © Velvet Strike.

O autor Sun Tzu referia em A Arte da Guerra que, se conhecer o inimigo e a si mesmo, não precisa de temer o resultado de cem batalhas e que a excelência suprema de uma guerra consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar. A guerra é feita de confrontos sujeitos a interesses de disputa entre dois ou mais grupos distintos. Os estilhaços de vidas perdidas, por vezes, traduzem o reflexo no espelho dos jogos virtuais. A ação e reação ao terror é sustentada pelo realismo, num jogo sério de costas voltadas à paz, renunciando à reflexão sobre a cultura da guerra e a militarização do quotidiano.

Spacewar, criado no MIT por Slug Russell, Shag Graetz e Wayne Wiitanen, foi o primeiro jogo de computador que retratava um atirador de espaço influenciado pela ficção científica da guerra fria. Trata-se do embrião dos jogos de guerra e simulação de combates.

Segue-se o fervilhar da indústria de videojogos de guerra com Half-Life e a bomba Counter Strike. Terroristas e ani-terroristas separaram-se por táticas e estratégias. Às escondidas, o ódio mútuo concentrado nas suas personagens é libertado em tiros e replicado numa lógica binária de competição e poder militar.

Anne-Marie, feminismo, guerra, jogo, militar, pacifismo, Schleiner, videojogo © Velvet Strike.

A artista Anne-Marie Schleiner, inspirada pela realidade dos ataques de 11 de Setembro, o terror proclamado pelo presidente dos EUA George W. Bush e as modificações de jogos que surgiram de Quake, Unreal e Sims com personagens como Osama Bin Laden, recriou o videojogo Counter Strike. A modificação das estruturas de jogo existentes, as técnicas artísticas e a intervenção da artista no jogo permitiram que os jogadores pudessem experimentar, em primeira pessoa, grafites anti-guerra.

A renúncia a algoritmos capitalistas e o protesto contra a guerra de 11 de Setembro originou um videojogo como medium artístico em que há a troca de balas de armas por grafites pacifistas. O objetivo é questionar o militarismo como prática cultural. Velvet Strike não foi o único jogo idealizado por Anne-Marie. Em 1999, criou Cracking the Maze e algum tempo depois os seus protestos já se faziam ouvir em Anime Noir, em que juntamente com a artista Melinda Klayman desafiam a opressão sexual das mulheres em videojogo, obrigando os participantes do género masculino a usar a sedução como estratégia de conquista.

A ousadia de Anne-Marie é alvo de criticas incendiárias, sendo acusada de histerismo, feminismo suburbano e loucura. Anne é a mulher que despertou reações agressivas e afrontou os jogadores de CS. Velvet Strike é um alerta à necessidade de “pensar os jogos de computador como um fenómeno que deve ser questionado também do ponto de vista das suas ligações com a indústria da guerra e de perigosas politicas raciais e de género (palavras de Anne-Marie)”. Para saber mais e experimentar, consulte o website do projeto.

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branca dias

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