Lolo: os meninos das árvores

São crianças, correm livres e soltas, sobem árvores, fazem tropelias e observam atentas o mundo dos adultos ao seu redor sem que demos conta. São de cartão e estão penduradas pela cidade de Barcelona. Vigilantes, apanham os mais desprevenidos de surpresa com o seu ar inocente e brincalhão. São os meninos das árvores de Lolo, um artista street art argentino.



01_Lolo_z47_01.jpg © Lolo.

Lolo cresceu no meio do graffiti, evoluindo para a street art. Começou a desenhar em guardanapos aos 6 anos e nunca mais parou, embora nunca tenha tido formação artística formal. Pintou o seu primeiro graffiti em 1984, em Villa Gesell, onde vivia. Tratou-se de um acto romântico: o artista desenhou um coração com o seu nome e o da sua namorada no interior. Desde aí, percorreu um longo caminho, deixando de lado os comuns tags e inscrições verbais e iniciando um percurso mais ilustrado e icónico. Dado ao simbolismo, a sua arte é mais do que um conjunto de momentos isolados pelas paredes da cidade. Constrói narrativas distribuídas no espaço, argumentos que transcendem a continuidade espaço-tempo, mas mantêm o sentido.

As suas ilustrações começaram com monstros vestidos com códigos de barras que devoravam crianças perante o olhar indiferente de elegantes senhoras que os observavam do cimo dos semáforos. Os monstros encontravam-se ao serviço das senhoras, que os usavam para se alimentar das almas perdidas em desejo, acabando transformadas em enormes montes de pelo, à medida que o alimento acabava. A pouco e pouco, dos montes de pelo foram surgindo os novos habitantes do planeta, cada um com caraterísticas próprias. Crianças que representam todas as crianças da terra de qualquer época, que gostam de subir às árvores e que se alimentam de plantas e flores.

02_lolo_02.jpg © Lolo.

O curioso acerca do trabalho de Lolo é o facto de este se inserir na street art e, contudo, transcender a estaticidade das paredes, descolar-se destas e encontrar locais próprios para se expressar na cidade. Sendo o movimento street art já uma provocação, tirando a arte das galerias e museus e trazendo-a para a rua, para o povo, Lolo vem desafiar ainda mais este conceito. Retira parte da sua arte das paredes e faz dela esculturas em duas dimensões, pinturas que não precisam de estar penduradas nas paredes, tal como a arte não precisa de estar exclusivamente exposta em museus.

Lolo encontra no cartão um bom suporte para os seus meninos, desenhados com marcados contornos pretos sobre fundos brancos, que lhes conferem o pretendido aspeto icónico. Diverte-se, então, como as próprias crianças da história, subindo a árvores para os colocar nos seus locais de eleição, de onde observam os comuns mortais, ainda presos nas teias do desejo e do consumismo.

03_lolo0_03.jpg © Lolo.

Versátil, Lolo não limita as suas ilustrações ao âmbito da street art, complementando-a com curtas-metragens de animação, merchandising e tendo já um livro publicado com o seu incrível trabalho. Apenas com imagem, como é próprio do seu trabalho, o livro mostra em detalhe o seu percurso, permitindo uma leitura mais convencional da sua narrativa simbólica.

Para 2013, avança que está a trabalhar num conjunto de animações em que a personagem principal é um pato que procura um hotel numa nova cidade. Por enquanto, fique a conhecer mais sobre o trabalho de Lolo no seu portfolio.

04_lolo2_04.jpg © Lolo.

05_lolo_05.jpg © Lolo.

06_lolo_06.jpg © Lolo.

07_lolo_07.jpg © Lolo.

08_lolo_08.jpg © Lolo.



inês petiz

é artista. E não poderia ser nenhuma outra coisa.
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