O sincero manifesto nerd dos RPGs

Seres fantásticos, magia, distorções espaço temporais de passado, presente e futuro. Bem-vindos ao mundo dos RPGs. Se você já os jogou, role os dados e venha para mais uma grandiosa viagem, limitada apenas pela imaginação. Mas se esta for sua primeira incursão na realidade paralela de interpretação de personagens, mantenha os olhos abertos, os sentidos aguçados, e religue a chave da diversão criativa que você costumava usar na infância.



01_RPG_Photo_1_01.jpg © Will Merydith (Wikicommons).

Sabia, caro leitor, que existe ao menos meia dúzia de bons motivos para inserir os role playing games, popularmente conhecidos como RPGs, entre os fenômenos sociais mais importantes dos últimos tempos? Se você prestar atenção no mundo que o cerca e analisar de que modo você vive e como sobrevive nele, encontrará muitas semelhanças com este fascinante universo. Mas para dar sentido a tudo isso é preciso ir por partes. Afinal, os jogos de interpretação são parte da cultura pop e por isso seguem a lógica de sua indústria, a qual pode ser surpreendentemente sábia ou assustadoramente ignorante. E para entender todo este processo é preciso uma pequena aula de história nerd.

Tudo começou quando um adorável cidadão de imaginação privilegiada chamado Gary Gigax pensou como seriam seus jogos favoritos de tabuleiro se contassem com a presença de criaturas imaginárias e mitológicas. Como resultado, em 1974 criou com seu amigo Dave Arneson o jogo Dungeons e Dragons (D&D), conhecido como o primeiro RPG de mesa do mundo. A partir de então se instituía a febre das noites em claro, dos arsenais de livros, dados, folhas e miniaturas, dos mundos, idiomas e seres imaginários e de um novo tipo muito peculiar de socialização. Agora, finalmente, os desajustados sociais tinham voz, vez e amigos.

02_RPG_photo_2_02.jpg © Will Merydith (Wikicommons).

Claro que de lá para cá tudo mudou muito, tecnologicamente, comportamentalmente e culturalmente. Mas em se tratando de algo que enaltece habilidades e instiga o interesse natural das pessoas por contar e ouvir histórias, não é exagero dizer que as aventuras criadas nestes jogos serão sempre atuais. Assim como na vida real, existe um objetivo, um sistema de regras, um fio condutor que interliga todas as circunstâncias e as ações dos jogadores. Mais do que qualquer seita satânica secreta ou método para corrigir a postura, o RPG é um exercício de inteligência, uma prática de convivência de vários grupos muitas vezes mal compreendida.

Ao iniciar uma campanha, o que há pela frente é algo limitado apenas pelas pessoas envolvidas. Enquanto o mestre de jogo determina os rumos da história e todos os seus acontecimentos, cada jogador pode ser quem ou o que quiser, além de ficar responsável pelo seu papel, suas características, experiências e destino. Todos podem aprender desde incríveis técnicas de luta e magias alquimistas até valiosas lições de vida aplicáveis no mundo real. Dados, tabuleiros e afins tornam justa a maneira como as coisas ocorrem, e validam todas as informações anotadas e construídas. Em meio a missões especiais ou simples, em terras medievais ou futuristas, pelo bem ou pelo mal, a lição de um RPG será sempre a de fazer você refletir, da maneira mais correta, como fazer as coisas sempre pelo melhor possível.

03_RPG_photo_3_03.jpg © Will Merydith (Wikicommons).

A partir daí é possível ver o poder que estas aventuras têm de criação e influência. Se você quiser, pode ser o melhor atleta do mundo em seu esporte favorito, ou fazer deste o objetivo de seu jogo de interpretação. Você pode ser um famoso herói ou vilão do mundo dos quadrinhos, ou um notório personagem de algum filme, livro ou desenho. Você pode viver ou ser de outro planeta, e viajar no tempo. Não há limites nem barreiras, e esta é uma das razões pelas quais os RPGs podem ser entendidos de maneira errada às vezes.

E se você acha que ficar limitado a uma mesa e sua imaginação não é exatamente um conceito de diversão, os jogos de interpretação transcendem sua estrutura física original e acompanham a evolução natural das coisas. Além da possibilidade de “encarnar” literalmente uma aventura com fantasias e dramatizações, os MMORPG (Multi Massive Online Role Playing Games) trazem todo este universo para os jogos eletrônicos, embora percam um pouco da graça original, já que trazem modelos prontos de enredo. De qualquer forma, seus jogadores podem ser guerreiros, lutadores e conquistadores de milhares de mundos virtuais conectados pela internet se inter-relacionando a partir de qualquer lugar onde estejam. Mesmo que de um modo mais frio e indireto, a função aglutinadora dos RPGs aqui permanece cumprida com êxito. Dito tudo isto, este artigo é uma tentativa de mudar a visão dos jogos de interpretação perante os iniciantes. Todos sabem o quanto a indústria cultural é uma coisa engraçada, cria heróis para depois os depor, institui modismos e dita regras. Hoje sua lógica consolida duas realidades bem diferentes sobre os RPGs: a de quem joga e a de quem nada conhece a respeito. Por isso fica cada vez mais importante saber informações relevantes sobre tudo o que gira em torno dela. Afinal, nerds, gamers, fanboys e outras “tribos” (termos criados pela própria indústria cultural) sabem bem o quanto esta história pode ser mal contada.

04_RPG_Photo_4_00.jpg © Ryan Somma (Wikicommons).

jeferson scholz

é fascinado pela cultura pop em todas as suas esferas de manifestação, por música, cinema e nerdices em geral.
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