Atlas das Nuvens: a aventura da viagem

eis um livro para quem gosta de aventura - todo tipo de aventura. eis um livro para os filósofos, os sociólogos, os historiadores, os analistas políticos, os amantes da música, para quem gosta de quebra-cabeças, os jornalistas e investigadores, os matemáticos, os especialistas e - claro - os apaixonados pela literatura


0atlas, cloud, david, livro, mitchell, viagem © arxvis

Cloud Atlas (Atlas das Nuvens) - esse título foi que me chamou a atenção. Um autor que escolhe esse título deve ser poeta, concluí imediatamente. Escritores amam as palavras, obviamente, mas alguns as amam mais - alguns escritores se perdem e nos encontram nas palavras - no sentido, no som, na composição musical, visual e significante.

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Numa de suas aulas, Nabokov explicou que o bom escritor domina três artes: a do contador de histórias, a do professor, e a do mágico. Sempre achei essa analogia do mestre perfeita: a contínua fascinação que as histórias exercem sobre o ser humano, o poder da leitura para a mente curiosa por conhecimento, e o papel da imaginação na criação de cenários e situações impossíveis. A palavra escrita elevou a humanidade às alturas em que se encontra hoje em dia.

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Qualquer que seja a língua, essa brincadeira séria chamada literatura acaba nos levando - nos brincando - junto. É uma espécie de rapto, uma viagem no tempo e no espaço, uma meta-experiência do aqui e lá e depois e antes - o agora totalmente esquecido, o agora um trambolho nos atrapalhando nessa viagem absolutamente necessária que se dá e se faz agora. Quando comprei esse livro numa estação de trem da Europa, minha viagem pelo Atlas das Nuvens me levou muito para além do meu destino.

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O enredo do livro é um quebra-cabeças que se monta no tempo - passado/ presente/ futuro/ presente/ passado - uma parábola parabólica, onde várias histórias interligadas se encontram e re-encontram constantemente. Para tanto, o autor faz uso de vários estilos literários - diário, detetive, ficção científica, entre outros. David Mitchell soube criar com sua arte um movimento atemporal e relativo (acidental, contingente, variável), onde uma busca vital gerada no passado encontra suas respostas não no futuro distante - um futuro primordial! - mas na própria história, seja ela fictiva ou não. Essa é uma história sócio-política com sabor de aventura, uma crítica ao des-envolvimento da sociedade capitalista e sua bancarrota final.

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"Total e maravilhosamente épico", dizem na linda chamada do filme produzido pela Warner Bros, e lançado no dia 25 de outubro de 2012, numa exibição especial em Los Angeles. Apesar do filme no Brasil ter ganhado um título bem mais simples e pragmático, seu trailer promete muito:

A Viagem - Teaser trailer ofical legendado from Imagem Filmes on Vimeo.

Adaptação e Direção: irmãos Wachowskis (Matrix) e Tom Tykwer (Corre, Lola, Corre!); estrelando: Tom Hanks, Halle Berry, Hugo Weaving, entre outros; © Warner Bros.

Mas é difícil criar algo que supere a imaginação quando se lê um livro como esse, e há que levar em consideração as diferentes linguagens que são literatura e filme. Hollywood pode tentar e continuar tentando eternamente - afinal de contas, há sempre quem veja um filme sem ler o livro no qual foi baseado. Há também quem veja um filme dito histórico sem saber da história, e passe falsas informações adiante como verdadeiras. Dizem por aí que há até quem não saiba ler além de 142 caracteres, incluindo os espaços. Atlas das Nuvens é a história que conta o que poderia acontecer com essas pessoas.

Não há ainda uma tradução em português para a página Wiki de David Mitchell, mas os que dominam a língua inglesa podem conseguir muita informação sobre esse escritor na Wikipedia.


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artista plástica e transpirante poeta
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