O rock progressivo de Emerson, Lake and Palmer

Emerson, Lake And Palmer é uma das bandas mais famosas do rock progressivo. Sempre encabeçou a vanguarda do estilo e deu a ele ares de experimentalismo e eruditismo. Reconhecidos pela técnica apurada, seu primeiro disco deu início àquilo que viria a ser uma das carreiras mais representativos do gênero, com músicas intensas e minunciosas.


emerson, lake, palmer, progressivo, rock Emerson, Lake and Palmer, em estúdio.

Um pouco de contexto: Greg Lake, o baixista, estava tocando com o King Crimson; Keith Emerson, o tecladista, estava comandando o The Nice; enquanto Carl Palmer, o baterista, tocava com os Atomic Roosters. Todos já tinham uma certa fama dentro do cenário musical, sendo Emerson o mais reconhecido. Nada poderia ser melhor para a tentativa de formar um supergrupo com base no jazz e na música clássica e foi exatamente assim que começou a carreira da banda.

O Primeiro Álbum

Percebe-se de longe a influência da música clássica nos teclados de Emerson e o jazz comendo solto no contrabaixo de Lake, além do grande acompanhamento que Palmer realiza com suas baquetas mágicas. The Barbarian introduz o ouvinte ao mundo de ELP, um arranjo de rock bom base na peça de piano de Béla Bartók, de 1911, “Allegro Barbaro”. Com um contrabaixo saturado de Fuzz que não deixa ninguém sentir saudades de uma guitarra, além de uma pequena peça delicada no piano - que, ao mesmo tempo que é ligeira, não deixa escapar nota nenhuma - a música se mostra como uma legítima Prog Song. Tudo é feito para os detalhes.

emerson, lake, palmer, progressivo, rock Emerson, Lake and Palmer, em ensaio.

Take a Peable poderia ser uma continuação estética de The Barbarian – nada poderia soar tão bem quanto os acordes no piano de Emerson e a voz de Lake cantando versos que poderiam muito bem ser escritos por Renato Russo, anos depois. A tristeza não ecoa somente pelas palavras ditas mas, também, e isso é algo incrivelmente comum no rock progressivo, na música. A música canta tanto quanto a letra é cantada.

Na mesma lógica que The Barbarian e Take a Peable, Knife Edge entra com uma pegada mais sensual. É uma música baseada na Sinfonietta, de 1926, composta por Leoš Janáček, além de contar com uma parte central com um excerto de Bach e sua suite em D menor. Já The Three Fates é uma música dividida em três peças pautadas na criatividade de Emerson, explodindo em influência de música clássica. Poderíamos dizer, sem medo de errar, que Three Fates tem estrutura de música clássica (assim como boa parte das músicas do ELP), ou seja, tem suas relações mais fundamentais entre a harmonia da mesma maneira que a tradição erudita estabelece, mas em forma de Rock. Estrutura é conteúdo, estrutura é significante, a forma é significado, é o contingente – é a superfície que cobre a estrutura e faz com que uma mesma música possa ser adaptada para diferentes estilos sem perder as características básicas e fundamentais daquilo que a criou.

emerson, lake, palmer, progressivo, rock A banda no Olympic Stadium.

Em Tank, Palmer mostra como se faz um solo de bateria e introduz a agressividade na delicadeza de Emersone e Lake – uma agressividade pensada, calculada, mas ainda assim agressiva. Entretanto, é no fim do disco que aparece a pérola: Lucky Man.

Esta canção, uma balada radiofônica, alcançou o 4º lugar do top no Reino Unido e o 48º no Billboard Hot 100 – é o maior sucesso comercial da banda e a música mais conhecida do público não-prog. Foi composta quando Lake tinha somente 12 anos de idade e guiou suas baladas acústicas dos discos seguintes (como Still... You Turn Me On, ou Ces’t La vie).

emerson, lake, palmer, progressivo, rock Emerson, Lake and Palmer.

O álbum é, sem dúvida, obrigatório para se conhecer o estilo e a estrutura do rock progressivo - mas é também uma das maiores realizações de primeiro álbum de todos os tempos. É quase um objeto de estudo.

emerson, lake, palmer, progressivo, rock Capa do álbum "Debut".


Vinicius Siqueira

Fascista desde criancinha
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