Brain Salad Surgery: A Revolução De Emerson, Lake and Palmer

Na década de 70 as bandas de rock progressivo nos presentearam com seus melhores trabalhos: Yes, com "Close To The Edge"; Pink Floyd, com "Dark Side Of The Moon"; "Spartacus", do Triumvirat; e, como não podia ficar de fora, os papas do prog' nos deixaram "Brain Salad Surgery" e a suite "Karn Evil 9".



70s, emerson, lake, palmer, progressivo, rock © O trio "Emerson, Lake And Palmer".

"Brain Salad Surgery" foi um marco na carreira do trio inglês Emerson, Lake And Palmer. Este álbum uniu as composições megalomaníacas de um Emerson ultrainspirado com a velocidade e potência destrutiva de um Palmer supertécnico e a delicadeza e poesia de um Lake seguro de seu talento. O álbum foi realmente um estouro, já que, além do básico – as espuletagens tecnológicas e as incorporações de música clássica – o álbum traz a música com os versos mais conhecidos da banda: "Welcome Back My Friends, To The Show That Never Ends!"

70s, emerson, lake, palmer, progressivo, rock © Emerson, Lake And Palmer, capa do álbum "Brain Salad Surgery".

Se trata de uma Inglaterra de 1973, recheada de bandas progressivas em seu auge, com o estilo sendo aproveitado e digerido por uma juventude que se cansou de paz e amor e decidiu entrar no caos organizado (!) e na complexidade das composições alternativas da época. Em cinco anos, a música pop britânica passou de um iê-iê-iê de três minutos para composições intrincadas que estavam longe das exigências das rádios. Vale dizer que o álbum foi lançado pela Manticore Records, gravadora do próprio ELP, que, na época, já era poderosa na indústria fonográfica.

As músicas: uma por uma

O disco começa com a profética, poética e avassaladora Jerusalem, sendo a poesia de William Blake musicalizada pelo trio com um forte e agressivo órgão e com a também forte, entretanto suave, voz de Greg Lake. A música chegou a ser proibida em algumas rádios britânicas, como a BBC, por ser considerada uma afronta ao hino original.

Toccata é uma adaptação do 1º Concerto Para Piano de Alberto Ginastera, feita por Emerson e tocada com mais presença por Palmer, utilizando as novas técnicas desenvolvidas para aproveitar a tecnologia dos sintetizadores na bateria. Ginastera, compositor na época vivo, gostou da adaptação e não criou nenhum empecilho para a banda.

Como de costume, Lake presenteou o disco com Still... You Turn Me On, tocada em um violão de 12 cordas. Com a suavidade e arranjo de música erudita, esta canção trata de um desabafo do eu-lírico a respeito de uma lover que se colocava no alto de um pedestal. Como nada é tão simples, Lake expõe que, faça ela o que quiser, nada muda o fato de ser apenas uma ilusão narcísica: estando ela onde estiver, sempre será ligada a ele.

Imagine um segurança brigando com um bêbado fanfarrão. Esta é Benny The Bouncer. Grande Benny, bom segurança de balada que, ao se encontrar com Sidney, o beberrão, entra em uma briga e é morto por um golpe na cabeça. No céu, arranja um bico como segurança de Jesus, na Ponte de São Pedro. Os arranjos de teclado e piano são formidáveis e o vocal caricato de Lake é uma surpresa em meio a todas as suas músicas.

Agora chega a hora da incrível Karn Evil 9. Karn Evil é uma maneira de manter a forma sonora de Carnival, o local onde ocorrem os principais eventos da música. Essa suíte de 29 minutos e 37 segundos conta a história de uma sociedade moderna, que não é mais afligida pelos males da nossa sociedade e que é comandada por uma tecnologia perfeita. A máquina é a regra última e é a base desta sociedade. Durante a primeira impressão (sim, a música é dividida em três impressões, tendo a primeira delas duas partes) a história é contada do ponto de vista de um indivíduo desta nova sociedade, futurística e onde todas as mazelas do mundo conhecido foram exterminadas. Um grande carnaval é feito com o fundo das fantasias e alegorias com base na sociedade anterior, preconceituosa, machista, desigual... faminta. A segunda parte retrata o carnaval em si: é uma peça instrumental de piano, bateria contrabaixo, onde se vê a virtuosidade de cada membro. Já a terceira parte retrata a batalha final dos humanos com as máquinas, revelando uma suposta vitória da máquina, que termina a música indagando: “Eu sou perfeito - e você, é?”.

Nesta música se percebe a criatividade dos teclados de Emerson, que, com duas linhas harmônicas distintas em cada teclado, consegue unir uma base feroz e um riff contundente. A música permanece inovadora e criativa em cada ponto, em cada momento. Consegue ser aquilo que toda banda prog' quis, mesmo que por apenas um minuto.

vinicius siqueira

tem seu interesse fixado em sociologia francesa e psicanálise freudiana. Ainda é um estudante, mas quem não é?
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