Père-Lachaise: o cemitério das celebridades

Em um primeiro momento se pode pensar que Père-Lachaise, por ser um reduto com tantas célebres criaturas, é todo montado com temas vistosos e destaques ornamentais. Ao atravessar seus portões se percebe que nada disso existe. Nada de anúncios neon, tampouco os melhores lugares reservados de acordo com a fama daqueles que ali repousam. Père-Lachaise é, antes de tudo, um cemitério democrático.



01_Pere_Lachaise_01.jpg © Père-Lachaise, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

O cemitério parisiense encabeça a lista dos mais de 150 catalogados pela ASCE. (Association of Significant Cemeteries in Europe). Cada um com suas características únicas, arte expressiva, motivos do gótico ao barroco, cenários pitorescos e residentes célebres.

Ao contrário do paralelismo urbano do centro de Paris, projetado por Haussemann no século XVIII, o cemitério se organiza por ruas e divisões de estrutura própria. Em seu princípio foi criticado pela população por ser distante e difícil de chegar. Os parisienses mudaram sua visão quando o cemitério passou a receber as ossadas de finados importantes. Cresceu ao longo dos anos, de 17 hectares na sua inauguração em 21 de maio de 1804 para os atuais 44. O tempo e o clima se encarregara-m de envelhecer os materiais e cobri-los de vegetação, dando-lhe uma personalidade bucólica e pitoresca.

02_Pere_Lachaise_02.jpg © Père-Lachaise, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

03_Pere_Lachaise_03.jpg © Père-Lachaise, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

04_Pere_Lachaise_04.jpg © Père-Lachaise, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

Em todos os acessos ao Père-Lachaise há um mapa identificando as coordenadas de cada uma das sepulturas quem atraem por ano muitos turistas. Encontrá-las não é tão fácil. Como dito no início, nada chama a atenção em demasia, é necessário passear pelas suas ruas. As coordenadas dos mapas tampouco são precisas - talvez de forma intencional, para que os visitantes sintam a emoção de encontrar por conta própria o túmulo de seu ídolo, ou para observar o que há ao redor, e perceber que os mais conhecidos não têm necessariamente a decoração mais vistosa.

Alguns de seus residentes trazem dor de cabeça para os responsáveis pela manutenção do cemitério. O túmulo de Jim Morrison, por exemplo, é um dos mais visitados do mundo e potencial alvo de vandalismo por parte de seus fãs mais religiosos. Sua remoção do Père-Lachaise foi solicitada algumas vezes. Hoje, uma grade impede os visitantes de acercarem-se muito. Solução temporária. Outro episódio curioso ocorreu com o monumento sobre o túmulo de Oscar Wilde. Os fãs do autor irlandês visitavam a sepultura e deixavam marcas de batom na estátua. Uma tradição que começava a preocupar por causa da conservação da figura de pedra. O "vandalismo" era tanto que em 2011 foi posta uma proteção de vidro em seu entorno.

05_Pere_Lachaise_jim_morrison_05.jpg © Père-Lachaise, Sepultura de Jim Morrison (1943-1971), vocalista do The Doors, compositor e poeta, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

06_Pere_Lachaise_jim_morrison_06.jpg © Père-Lachaise, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

07_Pere_Lachaise_oscar_wilde_07.jpg © Père-Lachaise, Sepultura de Oscar Wilde (1854-1900), dramaturgo irlandês, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

Lugares como este se enriquecem ao longo do tempo com suas histórias. Tanto as trazidas por seus habitantes quanto as que, surgidas ali, se tornam tradições ou ficam como episódios curiosos.

08_Pere_Lachaise_chopin_08.jpg © Père-Lachaise, Sepultura de Frédéric Chopin (1810-1849), um dos mais importantes compositores e pianistas da música clássica, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

10_Pere_Lachaise_10.jpg © Père-Lachaise, Sepultura de Georges Méliès (1861-1938), precursor da arte cinematográfica, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

11_Pere_Lachaise_11.jpg © Père-Lachaise, Sepultura de Amedeo Modrigliani (1884-1920), escultor e artista plástico do período Modernista, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

12_Pere_Lachaise_12.jpg © Père-Lachaise, Sepultura de Édith Piaf (1915-1963), célebre cantora francesa, (fotografia de: Daniela Bortolotto).

mauricio de boni

volta e meia é encontrado em livrarias admirando títulos e capas, e, esporadicamente, na cozinha criando coragem ao assumir experiências cada vez mais complexas (o mesmo ocorre com a escrita).
Saiba como escrever na obvious.

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