Outlandos d`Amour - o Police na era do punk

Lançado em 1978, "Outlandos d'Amour" introduziu a banda que conseguiu unir cirurgicamente o punk rock com o reaggae e foi ainda um dos pontapés iniciais no New Wave. Encabeçado por letras suntuosas, bateria técnica e guitarras que, na contramão da época, não se contentavam com distorções e peso, o Police se juntou de maneira curiosa à cena punk inglesa.



01_the_police_01.jpg © The Police.

Foi o début do Police - grupo de rock formado em 1977, ano da explosão punk na Inglaterra - composto por Sting no contrabaixo, Andy Summers na guitarra e Stewart Copeland na bateria. Abriu a comunicação mais efetiva entre o bom e velho rock simples e estilos de um pop ainda emergente.

"Outlandos d'Amour" (1978) é famoso por juntar um princípio punk com um pouco de ska e reaggae; fórmula essa já feita por Eric Clapton com "I Shot the Sheriff", de Bob Marley, mas nesta tentativa do grupo inglês ela foi estendida às experimentações com efeitos de guitarra e teclado.

02_police_outlandos_d_amour_album_02.jpg © The Police, capa do álbum "Outlandos D'Amour".

The Police é uma banda nascida numa Inglaterra sob mudanças nos paradigmas musicais; eram músicos com uma grande bagagem que precisavam representar em tipo “informal” para garantir um espaço dentro do cenário da época. Explicarei durante o texto.

Este é considerado como um dos melhores discos da banda e representa sua força inicial, um som mais cru, com letras cotidianas e menos simbólicas ou conceituais, mas ainda controversas em relação ao padrão da pop music.

03_the_police_antes_de_apresentacao_03.jpg © The Police, antes de uma apresentação.

Outlandos d'Amour

O disco já demonstra a capacidade de Sting de tratar temas diversos em suas letras. "Born in the 50's" é a Geração Coca-cola, mais tarde criada por Renato Russo, e pode ser comparada integralmente – é a tentativa de fazer um hino-denúncia de sua geração.

"Can't Stand Losing You", um dos hits do álbum, é a criação que mostrou como um tema tão soturno como o suicídio pode ser tratado com um ritmo também influenciado pelo ska. Foi aquilo que diferenciou a banda de todo o campo musical renovado por um punk que tirou do mapa o progressivo e parte do hard rock.

04_the_police_em_poses_bem_humoradas_04.jpg © The Police em poses bem humoradas.

Em diversas entrevistas, Sting revelou que todos os integrantes, músicos estudados, reprimiam um pouco de suas capacidades para conseguir entrar na cena punk. Se Copeland mostrasse todo seu potencial na bateria, por exemplo, o grupo seria facilmente descartado como mais uma banda fabricada em escola de música.

Um dos primeiros clássico da banda, a música "Roxanne", trata de uma prostituta do bairro "red light" de Paris, famoso por ser um local frequentado por moços de família que queriam alguma atenção de “especialistas” parisienses.

Aqui também se vê a presença de um reaggae rockeiro, que penetra as estruturas da música renovando seus suspiros de maciez e fortalecendo seus momentos de agressividade.

"Peanuts" e "Truth Hits Everybody" têm uma influência clara de Clash, banda que fez do punk algo mais do que tocar três acordes distorcidos, colocando um pouco do pop inglês dentro de suas músicas politizadas. O Clash tinha uma posição de sofisticação dentro do punk rock; quando o Police chegou, seu medo era ser o excesso da sofisticação, de modo que não representasse mais nada do estilo punk de rock.

05_the_police_Foto_do_livro_de_Fotografias_De_Andy_Summers_Inside_The_Police_2007_05.jpg © The Police, fotografia do livro de fotografias de Andy Summers "Inside The Police", (2007).

Pra não faltar uma referência ao vivo da banda, segue abaixo um concerto interinho, de 1979, na Hatfield Polytechnic, que pertence à University of Hertfordshire, da Inglaterra. Apesar de os discos serem gravados sem a pretensão de se usar somente uma guitarra, o baixo e a bateria para cada faixa, os três conseguem segurar muito bem ao vivo!

06_Andy_Summers_06.jpg © The Police, Andy Summers.

07_Stewart_Copeland_07.jpg © The Police, Stewart Copeland.

08_Sting_08.jpg © The Police, Sting.

vinicius siqueira

tem seu interesse fixado em sociologia francesa e psicanálise freudiana. Ainda é um estudante, mas quem não é?
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