Interpol: o pós New Age matemático e melancólico

Com quase 13 anos de carreira e quatro álbuns lançados, o Interpol é uma banda com diferenciais interessantes. Suas letras melancólicas e profundas e suas melodias inovadoras fazem com que o grupo soe clássico e atual ao mesmo tempo, demostrando todo o talento de seus músicos e a capacidade que eles têm de tocar profundas e intrincadas emoções humanas.

01_Interpol_Photo_1_01.jpg © Interpol, (Wikicommons, Jason Persse).

Caro leitor, você já parou para pensar no poder que a música exerce sobre as pessoas? Se não, pergunte-se: qual é a razão de haver certos estilos, bandas e sons que você adora e outros que não consegue nem ouvir? Ok, pode dizer que é questão de gosto, é sim. Mas o que fez com que você criasse esta estética auditiva tão específica, definindo o que é bom ou ruim? Tudo bem que é uma pergunta complexa, mas bem útil para o desenvolvimento deste artigo. Isso porque ele é sobre um grupo matemático, confuso, sombrio e cativante. Curioso ou entediado com esta introdução, sem mais delongas conheça o mundo sonoro de Interpol.

O quarteto surgiu em 1997 na cidade de Nova York, mas alcançou o sucesso no início do século XXI, época em que a crítica tinha verdadeira obsessão em proclamar os novos salvadores do Rock’n Roll. Assim, Paul Banks no vocal e guitarra base, Daniel Kessler na guitarra solo, Carlos Dengler no contrabaixo e Greg Drudy na bateria se lançaram no cenário underground da cidade, e logo atingiram grande notoriedade. Com seu primeiro álbum, Turn on the Bright Lights (2002), apresentaram ao mundo uma sonoridade pós new age, cheia de marcações, riffs marcantes, letras metafóricas e um vocal soturno. Músicas como PDA e Obstacle 1 tinham um tom tétrico e envolvente. Em pouco tempo viraram hits, caindo nas graças dos ouvintes.

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02_Interpol_Photo_2_02.jpg © Interpol, (Wikicommons, Jason Persse).

Em 2004 a banda dá vida a Antics, consolidando a sua bem sucedida estreia. O contrabaixo com marcações, a bateria infalível e as melodias técnicas também estavam presentes, o que fez com que seu estilo se tornasse inconfundível. Neste disco fica evidente um de seus maiores méritos: o trabalho em equipe. Mesmo que Banks seja formado em literatura, todos os membros colaboram com a composição das letras e com a sua musicalização. Assim, por mais pessoais que algumas canções sejam, sempre haverá identificação - das dores de amor de C’mere ou da desilusão amorosa de Slow Hands. Isso sem contar outras pérolas como Evil, com referências à psicopata americana Rosemary West.

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Com uma base sólida de fãs e respeitado no meio musical, o Interpol lança o terceiro álbum, Our Love to Admire (2007). Agora o grupo estava ainda mais sincronizado e certas pitadas de virtuosismo se tornavam perceptíveis. Pioneer to the Falls é uma bonita poesia reflexiva embalada por um instrumental poderoso falando sobre sentimentos imersos. Já The Heinrich Manouver traz uma história visceral e com um ritmo frenético, enquanto Rest My Chemistry trata de maneira triste e incisiva o uso de drogas. Sentimentos afloram com os acordes de cada som e levam o ouvinte a uma viagem às profundezas de seu inconsciente.

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03_Interpol_Photo_3_03.jpg © Interpol, (Wikicommons, Mariel Arguelo M.).

A mais recente realização do Interpol é uma obra homônima lançada em 2010. Com arranjos mais introspectivos, a substituição de Dengler por Brad Truax no contrabaixo e a adição do tecladista Brandon Curtis como membro oficial, o agora quinteto sai de sua zona de conforto musical. Suas apresentações incluem pela primeira vez efeitos sonoros e arranjos diferentes. Com exceção de Barricade, que traz seu som característico, faixas como Lights e Safe Without refletem um momento de transição. As performances ao vivo continuam impecáveis, e agora trazem consigo certa sobriedade soturna. A carreira dos músicos começa a tomar novos e interessantes rumos, mesmo sem saber se isso é ou não bom para seus fãs.

Atualmente, a banda coleciona críticas positivas e faz shows ao redor dos EUA e do mundo. Embora não se saiba o que farão no futuro, pode-se prever a mesma simbologia e retração dos trabalhos anteriores, sua marca registrada. Mas independentemente disto, a qualidade de seu som já consolidou a banda no cenário musical. O Interpol é considerado por muitos a evolução do New Age, do Rock e de vários outros estilos, feito que não poderia ser alcançado sem competência e dedicação, elementos que, por sinal, o grupo tem de sobra.


jeferson scholz

é fascinado pela cultura pop em todas as suas esferas de manifestação, por música, cinema e nerdices em geral.
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