Uma versão do futuro em Paté de Fuá

Na atualidade, a música não consegue datar nenhum estilo ou gênero, e cada vez mais os grupos compreendem que quem vai apontar a contemporaneidade da sua produção será a criatividade e a intenção de cada composição. Vem do México mais um exemplo de retomada de gêneros passados, esquecidos, ou meramente marginalizados em alguns toca-discos e mantidos por alguns raros ouvidos contemporâneos.


01_PateDeFua_BonAppetit_Cover_01.jpg © Paté de Fuá, capa do álbum "Bon Appetit".

A modernidade tem perdido força dentro da música por enlaçar o folk, reintroduzir sons, e misturar a sonoridade de séculos passados para representar o presente e assim fazer um diálogo com o futuro. Grupos como o Paté de Fuá criam sua contemporaneidade dentro de si, sem precisar “respeitar” uma linha evolutiva entre os gêneros musicais. A banda contempla sua originalidade marcando, mesmo assim, uma geração atualizada. A crítica vem utilizando a nostalgia, o cinema vintage, a saudade, a “época de ouro” e etc., para qualificar o trabalho do grupo mexicano. Mas a modernidade da música cada vez mais se esconde na intenção e na força da composição, independentemente do marco histórico do seu gênero e estilo.

02_Pate_De_Fua_Prensa_02.jpg © Paté de Fuá.

03_Pate_De_Fua_03.jpg © Paté de Fuá.

Paté de Fuá - Paloma Cruel from Paté de Fuá on Vimeo.

Paté de Fuá: "Mujer que te peinas" from Filmaciones de la Ciudad on Vimeo.

Paté de Fuá se formou em 2005 dentro da cena independente mexicana e atraiu músicos que mantinham uma admiração pelo dixieland, tango, paso doble, mussettetarantela e jazz. Os múltiplos ritmos e interesses musicais vieram de uma formação da América Latina que tem como integrantes Guillermo Perata, Victor Marariaga, Alexis Ruiz, Jorge Luri Molina, Yayo González e Rodrigo Barbosa.

Dessa orquestra popular ouve-se uma instrumentação que junta o acordeão, o banjo, o bandoneon e a corneta, ao vibrafone, ao serrote e a tábua de lavar roupa. As letras com narrativas pessimistas e ao mesmo tempo bem humoradas, juntamente com os desenhos estéticos das melodias, têm destacado internacionalmente o Paté a partir da música popular latina.

Paté de Fuá - El tren de la alegría from Paté de Fuá on Vimeo.

O Paté de Fuá já lançou Música Moderna (2007), El Tren de la Alegría (2009), Yo Estuve Ahí (2011), Boquita Pintada (2011) e Bon Appetit (2012), que reúne algumas faixas em destaque de todos os discos. Segundo a banda, o último disco encerra um ciclo de composição e abre espaço para um trabalho mais conceitual no futuro.

Uma das definições sobre o Paté de Fuá veio do cantor e guitarrista Yayo González; ele afirmou que o Paté seria um grupo de catadores da música - “Somos uma orquestra de seis integrantes que faz música com gêneros em desuso. Ou seja, fazemos música com o que os outros descartam”.

Paté de Fuá | Celoso y desubicado from Paté de Fuá on Vimeo.


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