A câmara blindada de Fort Knox

Fort Knox, um dos edifícios mais protegidos dos EUA, alberga a avultada riqueza do país. O seu nome é sinônimo de uma das matérias-primas mais procuradas da história - o ouro - mas atrás dos muros de pedra desta construção existem muitos segredos.


01_Gold_Bars_in_Fort_Knox_01.jpg Barras de ouro no Fort Knox (Wikicommons).

Por muito tempo foi essa a versão oficial dos fatos: o maior estoque de ouro do mundo era mantido pelo governo norte-americano em Fort Knox, no estado de Kentucky, sob um forte esquema de segurança. Lá, estaria depositada grande parte das reservas dos Estados Unidos, quase 9 mil toneladas, avaliadas em US$ 550 bilhões (dólares americanos).

Um dos lugares mais inacessíveis do mundo.

O edifício é uma fortaleza protegida por paredes de granito sólido e uma porta que pesa 22 toneladas. A senha é uma combinação que muda ao longo do tempo e é partilhada por integrantes da equipe de segurança: todos são necessários para se ter o acesso liberado. Ao lado do cofre, há a base militar Fort Knox. Além de todo o sistema de segurança altamente tecnológico, há também a proteção por parte de soldados bem treinados.

02_US_Ft_Knox_02.jpg Fort Knox (Wikicommons).

A área ao redor de Fort Knox começou a ser fortificada em 1861, durante a Guerra de Secessão dos Estados Unidos. Em abril de 1918, unidades de artilharia chegaram a West Point, perto dali, para manobras e treinamento, com vista ao embarque para a Europa, onde acontecia a Primeira Guerra Mundial. Em 1932, o exército estabeleceu uma guarnição permanente no local com número maior de efetivos no campo fortificado, agora base permanente, renomeada para Fort Knox. A partir de 1937, o Departamento do Tesouro construiu e sediou ali o seu US Bullion Depository, operado de maneira completamente independente das forças armadas ou de seu comando. Entretanto, sua proximidade com a base faz com que, em caso de necessidade, o local conte com a proteção do exército.

03_Fort_Knox_tank_03.jpg Tanque na entrada do Fort Knox (Wikicommons).

Quanto ouro está guardado nos cofres de Fort Knox?

São questões polêmicas para os meios políticos e financeiros.

Uma descoberta recente: em outubro de 2009, a China recebeu um carregamento de barras de ouro. O ouro que regula as trocas entre os países para pagar dívidas e para liquidar os chamados saldos de comércio efetuado em um determinado período entre países. A maior parte do ouro é trocada e armazenada nos cofres sob a supervisão de uma organização mundial especial com sede em Londres, que regula e fiscaliza o mercado, o London Bullion Market Association (ou LBMA).

Os testes realizados pelo governo chinês, para determinar garantia sobre a pureza e peso das barras de ouro, revelaram que as barras eram falsas. Elas continham núcleos de tungstênio, com apenas uma fina camada superficial exterior de ouro. Além do mais, essas barras de ouro, contendo números de série para identificação de origem e rastreamento, tinham como origem os Estados Unidos e teriam sido depositadas em Fort Knox.

E se o cofre de Fort Knox estivesse vazio, ou seu conteúdo não tivesse o valor estimado?

Esta pergunta ressurge porque o governo não se pronuncia e parece ocultar à opinião pública as razões sobre a falta de transparência. A última vez que um presidente dos Estados Unidos viu ouro no Fort Knox, por ocasião de uma visita oficial, foi no princípio da década de 1950. Além disso, data de 1974 a mais recente auditoria de que há registro. Existe também a teoria de que grande parte das reservas de ouro tenha sido vendida em segredo.

Em 2012, a pressão do congressista Ron Paul levou a uma decisão de auditoria por amostragem, ainda não divulgada. Paul pediu que representantes do Departamento do Tesouro e da Casa da Moeda dos Estados Unidos deponham perante a Subcomissão de Política Monetária sobre a autenticidade do ouro de Fort Knox.

Mistérios e contradições aguçam a curiosidade e o interesse pela verdade dos fatos. A rede de televisão CNBC solicitou uma visita com a finalidade de registrar imagens das instalações e do depósito do ouro, pois as únicas disponíveis datam de 1974. A Casa da Moeda negou o pedido. Por isso, as peguntas permanecem sem respostas objetivas.


luhana pires

arrisca-se na autoria de textos e excertos poéticos, movida por uma espécie de paixão pelas palavras.
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