se você tocar seu queixo enquanto lê isso, parecerá inteligente e culto

mobstr: mais um artista inquieto saindo paras ruas e entrando calmamente nos museus e nas galerias de arte, munido com nada além de pincel, tinta e palavras - filosofias, significados, significantes, sentidos, críticas, observações, histórias, cinismo, humor, planícies, imaginação, cultura, erudição, relações sociais, desejos, interiores, retratos, o uni-verso..


00A_LOOK_MUM_00A.jpg ©mobstr, "olha, mãe, estou pintando muros legalmente agora".

A palavra - pa la vra, rolando na boca e nos lábios e nos muros e nas mentes dos passantes distraídos mas famintos de significados e significantes. Grande criadora da vida, escrita e decodificada, a palavra fica. Artistas de rua sempre usaram palavras: nomes, identidades, escrita - manuscritos! - mas mobstr nos leva até vários níveis acima da calçada comum, e o povo nem sabe que subiu - outros prédios, arranha-céus, estratosfera, satélites! O povo só percebe essa ascendência metafísica na hora de descer: essa poeira lá - sou eu?

Veja as imagens e leia a entrevista com o artista.

01_hmmm_yes_01.jpg ©mobstr, "humm, sim, eu amo a maneira como letras justapostas à parede revelam frases que iluminam o conceito da peça para o espectador".

02_public_space_02.jpg ©mobstr, "isso não deveria estar aqui".

ENTREVISTA:

arxvis : Eu acho que você faz arte arranha-céu: alta na metafísica e - do pouco que eu entendo - semiótica. Escrever sobre a escrita e significado com um toque poético, usando a paisagem urbana e suas imagens, e uma linguagem sócio-cultural que é ao mesmo tempo anarquista e analítica - quem é você? qual é o seu drive, seu motor?

mobstr: Eu sou apenas um cara que gosta muito de pintar em paredes. Meu motor é pintar tanto quanto possível, e com o mínimo possível.

a: Como foi para você, esse movimento das ruas para os museus? Quero dizer, literal e emocionalmente, considerando o forte discurso sócio-político na sua arte. É claro que isso não é novidade, há muitos exemplos de artistas que saem das ruas para as galerias, mas como foi isso para você ?

mobstr: Na verdade, esse movimento mal aconteceu. Eu posso contar nos dedos de uma só mão o número de vezes que meu trabalho foi mostrado em galerias. Há uma grande pretensão associada ao mundo das galerias e museus, e eu não tenho certeza se já estou pronto para começar a falar esse tipo de besteira.

a: O que você acha do crescente número de artistas de rua que está sendo subsidiado pelos governos [há um termo para isso, mas me esqueci!], fazendo pinturas murais enormes em muitas cidades do mundo? Você acha boa essa arte de rua? Quais artistas de rua que você gosta?

mobstr: Em primeiro lugar, não acredito que deva haver regras para a arte - regras impostas através de qualquer canal em que você decidir mostrar a sua arte, qualquer que ela seja. Há uma grande diferença entre estes grandes murais organizados pela/na cidade, e os grafitti livres. Eu gosto mesmo da arte que você descobre enquanto desce a mesma velha rua, e um belo dia alguém transformou um poste de luz em um cigarro gigante. Para mim, a arte de rua está nessas pequenas subversões que a incorporam, que brincam com seus arredores. A maioria desses grandes murais globais poderia ter sido pintada na parede de uma galeria, e não faria muita diferença. Mas isso não quer dizer que eu não goste deles. Acho que são adições refrescantes para a paisagem urbana.

03_99_03.jpg ©mobstr, "99% das pessoas não vão reparar nisso"

04_A_BIT_OF_L_04.jpg ©mobstr, !um pouco de tinta a cada dia faz muros tediosos desaparecerem".

a: O que você acha da história da arte - é algo que lhe interessa? Em caso afirmativo, quais os artistas visuais que você mais gosta?

mobstr: Sim, arte me interessa. Mas não posso de facto responder à segunda questão, uma vez que meu interesse muda dia a dia, hora a hora, minuto a minuto. Nesse preciso momento, ocorreu-me o nome de Jackson Pollock . Não só ele produziu um trabalho visualmente impressionante, mas também foi a primeira pessoa a trazer esse estilo para o mundo da arte. Sua técnica era incrivelmente simples, mas uma vez que ele a definiu como sua - e mesmo que seja a coisa mais fácil de copiar - ninguém mais pôde copiá-la. Isso, na minha opinião, é trabalho de gênio. Falando em Pollock, me lembro também dos desenhos com mescalina de Henri Michaux, de que eu gosto muito, por várias razões.

a: Você também é um leitor? Além de "escritor", num sentido mais amplo ;)

mobstr: Acho que foi Aldous Huxley que escreveu de a linguagem ser uma ponte entre as ilhas dos indivíduos. A palavra escrita é o cruzamento entre uma existência isolada e a realidade de uma outra pessoa... Tem que ser importante.

05_I_STOLE_05.jpg ©mobstr, "eu roubei esse sinal e depois pintei isso nele".

06_paint_everything_2_06.jpg ©mobstr, "pinte tudo"

a: Você tem uma mensagem política muito clara permeando seu trabalho. Como você administra o desejo de mudar a sociedade com a necessidade de permanecer anônimo?

mobstr: É engraçado você dizer isso, porque eu não tenho conhecimento de uma mensagem política clara acontecendo no meu trabalho. Qual ela é? Pintar paredes - é muito divertido!

Eu não pretendo mudar a sociedade, eu só quero subvertê-la.

a: Bem, a "mensagem política" no seu trabalho pode ser sutil e poética, mas você tem textos que tornam o espectador mais consciente dos esquemas subliminares da sociedade. Não é algo gritante, no entanto. Pense na pintura do muro sobre os impostos, por exemplo, ou no "arrume isso... e isto" no alto de um prédio, ou na parede que você criou para o povo da rua colocar suas próprias mensagens. O que me atrai no seu trabalho é exatamente essa qualidade de "diálogo": a maioria dos 'escritores' de rua têm muito a dizer (mesmo que seja apenas um nome!), mas eles não convidam o espectador para uma "discussão" ou uma"conversa", como eu acho que você faz. A sequência "progressões", acho um trabalho perfeito: não é apenas a história sendo contada (como se diz agora: em tempo real), mas também um diálogo com o 'outro', alem de ser o resumo visual criado e acumulado - uma verdadeira pintura de rua, abstrata (e concreta!), e com um segredo, porque apagado!  O que você acha das minhas divagações sobre o seu trabalho?

mobstr: Tento não olhar meu trabalho muito profundamente, deixo isso para outras pessoas. O que me propus fazer é sutil. Talvez fazer alguém sorrir, ou simplesmente olhar uma parede ou poste de sinalização de uma forma ligeiramente diferente. Talvez daí perguntas maiores possam surgir, talvez não. Gostaria de acreditar que meu trabalho sugere uma verdade fundamental, mas eu não vou impor essa verdade.

mobstr também faz filmes curtos, documentos poéticos de um pensamento em constante movimento. Esse, por exemplo ("você não odeia quando as pessoas vão e vão e vão?")

AND ON from mobstr on Vimeo.

07_WRITERS_BLOCK_07.jpg ©mobstr, "bloqueio de escritor".

08_HUH_SIGN_2_L_08.jpg ©mobstr, "dã?"

09_INTELLIGENT_AND_CULTURED_2_09.jpg ©mobstr, "se você tocar seu queixo enquanto lê isso, parecerá inteligente e culto"

10_here_goes_your_10.jpg ©mobstr, "aqui vai seu dinheiro do imposto £ 67.345.000 de dinheiro dos impostos é gasto a cada ano limpando graffiti. pintura em paredes é ruim e leva a crimes mais graves."

Aqui, a página de mobstr no vimeo: mobstr

E o meu favorito, de sua série chamada progressões .

11_PART_1_11.jpg ©mobstr, "era uma vez"

Pode ler também a entrevista em inglês.

arxvis

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