Nollywood – A maior indústria cinematográfica do mundo

Como um país africano conseguiu se consolidar como uma das maiores indústrias cinematográficas ao redor do mundo, com poucos gastos e muita produção.


01_Maami_Cena_do_filme_que_adapta_romance_homonimo_de_Femi_Osofisan.jpg © "Maami", cena do filme que adapta romance homónimo de Femi Osofian.

Nigéria: país africano com aproximadamente 170 milhões de habitantes, e a terceira maior indústria cinematográfica em faturamento. São produzidos aproximadamente 2600 títulos por ano, cerca de 50 por semana - o dobro da quantidade produzida pela indústria indiana, Bollywood. Quatro vezes mais que a famosa Hollywood.

Conhecida como Nollywood, essa indústria arrecada 250 milhões de dólares por ano. Num país onde a renda per capita diária é pouco mais de U$1 por dia, 90% da população declara que assiste um filme por semana. Mas como isso começou? A explosão criativa aconteceu nos anos 90 quando o comerciante Kenneth Nnebue achou mais fácil vender as fitas VHS encalhadas se houvesse algo gravado nelas. A história se parece com “Rebobine, por favor” (2008), só que ao invés de gravarem filmes que já existem, os nigerianos começaram a produzir vídeos caseiros. O primeiro foi “Living in Bondage”. O filme vendeu cerca de 200 mil cópias, conseguindo lugar de destaque entre as outras produções. Nollywood nasceu nas garagens, nasceu da produção independente.

As produções são feitas em várias línguas, como o inglês e alguns dialetos locais, e também sofrem grande influência do melodrama indiano, telenovelas latinas e filmes de terror de baixo orçamento (os chamados “trash”). A forma de percepção do mundo se distancia muito da forma americana e européia, criando novos signos. Os filmes de Nollywood, obviamente, trazem muitas tradições culturais e sociais das comunidades tribais do país, apresentando a Nigéria ao mundo.

Ficou curioso? Separamos alguns dos principais diretores e produções para você:

Tunde Kelani é um dos mais famosos nomes da indústria cinematográfica da Nigéria. Recentemente, seu filme “Maami”, participou de uma Mostra no Brasil. Já Lancelot Idowu é, talvez, o diretor que fez mais filmes no país: foram 158 produções em 12 anos. Os atores que participam de seus trabalhos têm que seguir o ritmo das gravações: em um dia, Idowu grava 59 cenas. O público também acompanha o ritmo acelerado de produção, assistindo aos filmes em casa e não em salas de cinema.

02_O_diretor_Tunde_Kelani.jpg O director Tunde Kelani.

03_Lancelot_Oduwa_Imaseun.jpg Lancelot Oduwa Imaseun.

Para assistir: 1 – Osuofia in London (2003), de Kingsley Ogoro: foi produzido para a comunidade africana em Londres e conta a história de Osuofia, um “caipira” que chega à cidade. Veja mais aqui.

2 – Immoral Act, de Alex Mouth (2005): o longa conta a história de dois casais, um rico e um pobre. Os casais são testados quando a infidelidade e a impotência entram em jogo. A temática faz muito sucesso entre os nigerianos e, convenhamos, ao redor do mundo inteiro. Mais aqui.

3 – The Figurine (2010), de Kunle Afolayan: considerado o “Cidade de Deus” dos nigerianos, é um dos filmes mais bem-feitos do país, com orçamento de U$400 mil. Conta a história de dois meninos e uma menina que têm suas vidas transformadas quando descobrem uma estatueta, Araromire, que promete sete anos de boa sorte. Veja mais aqui.

04_Cena_de_The_Figurine.jpg Cena de "The Figurine".

4 - Maami (2012), de Tunde Kelani: a enredo se passa em dois dias e conta como Maami, uma mulher muito pobre, luta bravamente para proteger seu filho, Kashimawo, de seu pai - um homem que ele não conheceu e que esconde um segredo sombrio. Mais aqui.

05_Poster_de_Maami.jpg Poster do filme "Maami".


Carolina Carettin

Estudante de Jornalismo. Gosta de todas as artes, porque seria injusto escolher só uma delas.
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