Crítica e resenha do filme Azul é a Cor mais Quente

A transformação pessoal de uma jovem em busca do auto-conhecimento. A coragem de se encontrar quem se é, verdadeiramente.


Azul é a Cor mais Quente, 2013

“Azul é a cor mais quente” (La vie d'Adèle, 2013), longa do cineasta franco-tunisiano Abdellatif Kechiche - e que ganhou a Palma de Ouro nno Festival de Cannes, 2013 - narra o relacionamento romântico entre duas jovens: Adèle, 15, e Emma, que já tem uma idade mais avançada e estuda Artes. A adolescente Adèle, interpretada pela atriz Adèle Exarchopoulos, passa pelo período de descobertas e crescimento pessoal, está no auge da fase em que a vida nos diz que é hora de deixar as noções infantis da realidade de lado e amadurecer. Já Emma, interpretada por Léa Seydoux, é mais segura de si e sabe o que quer. Tem fortes convicções acerca de sua profissão, sexualidade, conceitos e personalidade. O seu relacionamento com Adèle é a transformação na qual ela mesmo se encontra.

Azul é a Cor mais Quente, 2013

Azul é a Cor mais Quente, 2013

O filme é inspirado na História em Quadrinhos de mesmo nome, de Julie Maroh, e remete-nos ao existencialismo sartreano. É um filme longo, detalhista e erótico, tem quase três horas de duração, e mostra como formamos a nós mesmos pela ótica de Sartre. A história é contada sob uma perspectiva libertária acerca do desejo de duas jovens para atingir a realização e maturidade emocional. A protagonista Adèle descobre sua sexualidade, suas ambições profissionais e os valores nos quais acredita e quer basear sua vida, passando por desafios e pelos altos e baixos na busca eterna de quem se é. Mas ela consegue trabalhar numa identidade autêntica. Sua busca por conhecer a si mesmo é inspiradora.

Azul é a Cor mais Quente, 2013

Azul é a Cor mais Quente, 2013

Com esta história, Kechiche revela-nos um trailer intimista e muito expressivo, e mesmo com uma temática homossexual, o filme nos proporciona uma profunda reflexão acerca de descobrir-se quem se é, acerca da nossa jornada individual, seja qual for o contexto em que estamos inseridos.

Confira o trailer


rejane borges

Gosta das cores de folhas secas ao chão. E das cores das folhas velhas dos livros.
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