Nouvelle Vague: sobre amor, anos 80 e bossa nova

Misture a nouvelle vague do cinema francês dos anos 60, a bossa nova da mesma época, o punk e a new wave dos anos 80 e tudo isso resultará no Nouvelle Vague, uma banda nostálgica tipicamente francesa, mas com molho brasileiro.


01_Nouvelle_Vague_Nadeah_Miranda_Flickr.jpg © Nouvelle Vague, Nadeah Miranda (Flickr).

Com 10 anos de existência, o coletivo musical francês Nouvelle Vague liderado pelos músicos Marc Collin e Olivier Libaux já diz no nome a que veio: tanto em inglês quanto em português, o termo francês tem o mesmo significado (nova onda), que também pode ser interpretado como um sinônimo para o gênero bossa nova.

02_Nouvelle_Vague_Concert_in_the_Grand_Rex_Paris_France.jpg © Nouvelle Vague, Concerto no Grand Rex, Paris (Wikicommons).

Conhecidos na cena musical francesa desde os anos 90, Collin e Libaux conceberam o Nouvelle Vague originalmente com 8 vocalistas (6 francesas, 1 brasileira e 1 norte-americana) que não fossem familiarizadas com as versões originais de músicas como "Love Will Tear Us Apart" (Joy Division) e "Making Plans for Nigel" (XTC), para que suas interpretações tivessem identidade próprias.

Alguns dos membros, ex-membros e parceiros do coletivo, como Camille, Phoebe Killdeer, Mélanie Pain, Marina Celeste, Nadeah Miranda e Gerald Toto são atualmente bastante famosos e lançaram-se em carreira solo, tornando-se reconhecidos como parte do grupo responsável pela renovação da música francesa (Nouvelle Chanson). Em 2010 a taitiana Mareva Galanter integrou-se ao restante dos cantores.

03_Nouvelle_Vague_live_at_Arvikafestivalen_2007_Gerald_Toto_and_Melanie_Pain.jpg © Nouvelle Vague, ao vivo no Arvikafestivalen, Gerald Toto e Melanie Pain, 2009 (Wikicommons).

04_Nouvelle_Vague_live_at_Rockefeller_Oslo_Norway_2009_Nadeah_Miranda.jpg © Nouvelle Vague, ao vivo no Rockefeller, Nadeah Miranda, Oslo, Noruega, 2009 (Wikicommons).

05_Nouvelle_Vague_live_at_Rockefeller_Oslo_Norway_2009_Melanie_Pain_and_Olivier_Libaux.jpg © Nouvelle Vague, ao vivo no Rockefeller, Melanie Pain e Olivier Libaux, Oslo, Noruega, 2009 (Wikicommons).

O primeiro álbum do grupo - intitulado Nouvelle Vague - foi lançado em 2004 na França e Reino Unido e em 2005 nos Estados Unidos. O principal feito foi sem dúvidas ressuscitar clássicos da era new wave e post-punk e reinterpretá-los em ritmo de bossa nova. Entre o repertório do disco estavam músicas conhecidas de bandas famosas dos anos 70 e 80, como o The Clash ("Guns of Brixton"), The Cure ("A Forest"), Modern English ("I Melt With You") e Joy Division ("Love Will Tear Us Apart"); entretanto, um dos melhores momentos do álbum era o cover de uma das bandas menos conhecidas da seleção - "In a Manner of Speaking", do Tuxedomoon, transformada numa canção muito mais deslumbrante que a original sob o vocal de Camille, se provendo, é claro, de uma letra de cortar o coração. E desde o começo esse foi um dos principais acertos da banda, provar o quão boas são as letras e melodias dessas canções, que elas podem renascer e mesmo ganhar em arranjos tão diferentes dos seus originais, e isso é brilhante. Nouvelle Vague foi incluído na lista das "10 mais belas capas de discos de 2004", do jornal britânico The Guardian.

O gosto por recriar canções de bandas underground foi predominante no segundo álbum do grupo, Bande à Part, lançado em 2006. Seguindo o mesmo estilo do primeiro trabalho, incluindo covers de "Heart of Glass" (Blondie), "Blue Monday" (New Order), "Dancing with Myself" (Billy Idol), "Pride (In the Name of Love)" (U2), "Don't Go" (Yazoo) e "Fade to Grey" (Visage). Menos inspirado que o álbum anterior, aqui os pontos altos foram "The Kiling Moon" (Echo & the Bunnymen), "Dance with Me" (The Lords of the New Church) e "O Pamela" (The Wake) - perfeitamente vestidas como baladas de bossa nova. Nas edições limitados do disco, lançadas na França, Reino Unido e Estados Unidos, foram incluídas faixas-bônus como "Sweet and Tender Hooligan" (The Smiths), "Israel" (Siouxsie and the Banshees)e "Eisbär" (Grauzone). O videoclipe de "Dance with Me" usou cenas do filme Bande à Part (1964) de Jean-Luc Godard.

No terceiro álbum de estúdio, 3 (2009), apesar do repertório continuar sendo inteiramente de covers, o coletivo preteriu os bem-sucedidos arranjos de bossa nova em favor de um estilo mais orientado pelo country e bluegrass; além de convidarem os cantores originais para cantar com os vocalistas do grupo. Embora bastante diferente dos trabalhos antecessores, 3 tem alguns belos duetos como "Master and Servant" (Nadeah Miranda com Martin Gore do Depeche Mode), "All My Collors" (Melanie Pain com Ian McCulloch do Echo & the Bunnymen), "Parade" (Nadeah Miranda com Barry Adamson do Magazine) e "Blister in the Sun" (Violent Femmes) na voz da brasileira Eloisia.

O álbum mais recente, Couleurs sur Paris (2010), voltou-se para o punk e post-punk francês dos anos 70 e 80,contando com a participação de nomes consagrados, como Vanessa Paradis, Julien Doré e Coeur de Pirate.

O Nouvelle Vague já veio em turnê quatro vezes ao Brasil, e excursionou outras tantas pela Europa, América do Norte e Ásia.

Outros trabalhos do coletivo francês incluem Coming Home (2007) - coletânea de trilhas-sonoras famosas com a roupagem própria do grupo; New Wave (2007), coletânea de músicas interpretadas por artistas do movimento new wave; Acoustic (2009), álbum ao vivo gravado durante show no Auditório Municipal Augusto Cabrita, em Barreiro, Portugal, reunindo covers do repertório dos álbuns anteriores; The Singers (2011) - homenagem aos vocalistas do grupo compilando canções de seus projetos pessoais; e The Best Of (2010), seleção das melhores faixas da banda e outras raras ou não lançadas anteriormente.


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