Scott Blake e a arte em códigos de barras

Ele passa grande parte da vida colecionando códigos de barras para transformá-los em obras de arte únicas. Em seus trabalhos, ele retrata personalidades icônicas como Marilyn Monroe, Elvis e Andy Warhol, e ainda traz a possibilidade de interação entre obra e público. Surpreenda-se com a criatividade de Scott Blake.


01_Scott_Blake.jpg © Scott Blake.

Scott Blake teve contato com arte desde muito cedo. A mãe sempre o levava para visitar museus, onde ele costumava passar horas tentando entender aquele universo fantástico. Em sua memória ele guarda uma figura de RoyLichtenstein que o impressionou muito pela utilização do “padrão de pontos”, fortemente utilizando na Pop Art. Essa exposição acabou sendo uma forte influência para que, anos mais tarde, trabalhasse como artista. E hoje ele ganha a vida transformando códigos de barra em obras de arte.

Nascido na Flórida, o americano de 37 anos é Bacharel em Belas Artes pela Savannah College of Art and Design. Mas antes mesmo de sua formação acadêmica, Scott já se dedicava ao trabalho artístico e usava seus talentos para fazer capas de discos para as bandas dos amigos, assim como fazia edições de vídeos e projetos de design gráfico. Além disso, trabalhou para uma empresa que produziu animações como Flubber, estrelado por Robin Williams. A técnica desenvolvida para a criação de imagens a partir de código de barras surgiu da sua admiração por ilusões de ótica e pelo processo gráfico Pontos Ben-Day ou Retículas, similar ao Pontilhismo.

Em seus projetos, Blake usa código de barras encontrados em produtos de todo o mundo para fazer retratos de pessoas célebres. Além disso, ainda cria uma interação entre o público e suas obras. No rosto de Elvis, por exemplo, quando alguém escaneia um dos códigos que formam a imagem, ela toca uma música ou mostra um clipe no Youtube. “Há infinitas possibilidades. Eu poderia fazer isso o dia todo”, diz Scott.

02_Elvis.jpg © Scott Blake, "Barcode", Elvis Presley.

O primeiro trabalho feito por Blake, em 1998, foi um retrato de Jesus de 1,27 m², utilizando 10 mil códigos de barras. Desde então ele vem transformando códigos em obras e, geralmente, busca códigos de barras de itens que tenham algo relacionado com o artista que está sendo retratado. Para fazer o retrato de Elvis Presley, por exemplo, ele utilizou 2.400 mil códigos de barras presentes nas capas de discos do cantor. “Eu ia nos sites como Amazon e digitava a palavra ‘Elvis’. Ele me dava todos os dados UPC de graça”, conta Blake sobre como reuniu os códigos que precisava para fazer o trabalho que levou seis meses para ficar pronto. Tradicionalmente, UPCs são uma maneira de identificar automaticamente produtos e coletar dados.

03_Barcode_Jesus.jpg © Scott Blake, "Barcode", Jesus.

04_jesus_portrait_1.jpg

Scott já criou retratos de Madonna, Bill Gates, Bruce Lee, Martha Stewart, Oprah Winfrey, Warren Buffet, Arnold Schwarzenegger, Andy Warhol e Marilyn Monroe, além de outras personalidades icônicas. Andy e Marilyn foram os projetos mais complexos realizados, pois segundo Blake ele levou em torno de oito anos para completá-los. O retrato de Warhol foi feito a partir do código de barras de latas da sopa Campbell, como forma de homenagear a serigrafia do artista. E para fazer o rosto de Marilyn meticulosamente, Scott assistiu a 29 dos filmes feitos pela atriz, já que os códigos foram retirados de lá. “Eu colhi fotos dela entrando e saindo por portas para ligar com os códigos",explicou Blake.

05_Madonna.jpg © Scott Blake, "Barcode", Madonna.

06_martha_stewart.jpg © Scott Blake, "Barcode", Martha Stewart.

07_Barcode_Oprah_winfrey.jpg © Scott Blake, "Barcode", Oprah Winfrey.

08_arnold_Schwarzenegger.jpg © Scott Blake, "Barcode", Arnold Schwarzenegger.

09_Barcode_Andy_Warhol.jpg © Scott Blake, "Barcode", Andy Warhol.

10_Marilyn-Monroe.jpg © Scott Blake, "Barcode", Marilyn Monroe.

A decisão de utilizar códigos de barras em suas obras mostra o lado criativo, inovador e moderno do artista que, apesar da formação clássica, gosta de seguir as novas tendências em seu meio de atuação. “Eu tive aulas de desenho, minha formação é a mais clássica possível. Mas hoje em dia os artistas usam computadores para fazer seus trabalhos. E acho que posso fazer isso tão bem quanto segurando um lápis”, relata Blake. E ele pretende continuar a fazer trabalhos digitais e espera que esse tipo de arte chegue ao topo do mundo das artes. “ Este é o meu legado, com certeza”, finalizou o artista. Suas obras já foram expostas em diversas galerias e seu trabalho citado por sites, jornais e revistas como The New York Times, FHM (For Him Magazine) e Adbusters.

11_barcode_painting_2_original.jpg © Scott Blake, "Barcode" (original).

12_Scanning_Barcode_Andy_Warhol_photo.jpg © Scott Blake, "Barcode", scanning.

13_Scanning_Barcode_Marilyn_Monroe.jpg © Scott Blake, "Barcode", scanning.

14_Scanning_QR_Code_Amy_Goodman_photo.jpg © Scott Blake, "Barcode", scanning QR Code, Amy Goodman.

Conheça mais do trabalho de Scott Blake em barcodeart.com.

Agradecimentos especiais ao artista que gentilmente cedeu as imagens para ilustrar o artigo.

Fontes: Mail Online, Wikipédia


petit gabi

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