Meddle: quando Pink Floyd traçou seu caminho para a eternidade

Meddle é o sexto álbum de estúdio do Pink Floyd, lançado em 1971. É uma obra que começa a definir aquilo que o grupo faria nos restante dos anos 70. É aqui que a figura de Barret é deixada para trás em detrimento de um som mais convergente e homogêneo.


01_Floyd.jpg © Pink Floyd.

Algo fácil de se notar ao fim da primeira audição é como a banda amadureceu. Ficar sem Syd Barret, o gênio louco de ácido, foi como perder o guia. Barret era o líder da banda, era a criatividade sendo produzida e reproduzida incessantemente, mas em um momento essa criatividade parou e ficou nociva.....

O que fazer sem o núcleo da banda? Inovar. Foi o que eles tentaram, inclusive no álbum anterior à Meddle, o Atom Heart Mother, em que a banda entra em uma experimentação sinfônica.

Meddle acabou como um bolo. Como quando você coloca o fermento, mistura tudo, bota aquela massa sem graça, completamente amarelada dentro do forno, larga ela dentro daquele calor infernal, vai ver um programa na televisão e depois de alguns minutos, quando menos percebe, sente um cheiro bom no ar. Surpresa! Um bolo perfeito está pronto!

Mas este bolo é especial. Ele é recheado. A gente sabe que o recheio do bolo é a parte que boa parcela das pessoas deixa pra ir comendo no fim do pedaço. Afinal, recheio é recheio e massa é massa. O que é o recheio em Meddle? Echoes.

Echoes é um recheio tão bom, mas tão bom, que o restante do disco nem mesmo entra em foco. O bolo é o todo e a massa de Meddle é uma delícia. O que temos como resultado? Um dos discos mais deliciosos da década de 70!

02_Edicao_especial_do_album_Meddle.jpg © Edição especial do álbum "Meddle".

03_Durante_shows_em_Osaka_na_mesma_epoca_do_disco.jpg © Durante shows em Osaka na mesma época do álbum.

Na cozinha com Meddle

A abertura deste álbum se dá com One Of These Days, uma faixa instrumental feita sobre uma linha de dois contrabaixos criada por Roger Waters. A música cresce com variações nos teclados e com a força de uma slide guitar, terminando com um gutural de Nick Mason, urrando "one of these day I'm going to cut you into little pieces".

Pillow of Winds é uma delicada peça de Gilmour. É a faixa em que ele assume os vocais e mostra que tem autoridade para compor. A música fala sobre o dia a dia na França, sobre ir dormir com as corujas e acordar com a fina garoa anunciando o começo de um novo dia.

04_Capa_do_album.jpg © Capa do álbum.

05_Banda_nas_gravacoes_em_Pompeia.jpg © Banda nas gravações em Pompeia.

Já a faixa de Waters, Fearless, fala sobre superar obstáculos e conseguir seguir em frente, mesmo sobre todas as dificuldades e se destacando daqueles que não conseguiram. San Tropez também relata a experiência de Gilmour nesta cidade francesa, terminando por ser um jazz de veraneio, sem intenção de ser a música do disco, mas surreal.

Seamus é a faixa deslocada. Muitos não gostam e não parece ser uma faixa para se levar à sério, quando se vê as gravações do DVD Live at Pompeii, Waters está com um microfone na boca de um cão, para registrar seus latidos enquanto Gilmour toca uma gaita lenta.

Já Echoes parece ser aquela que mais deu trabalho. A faixa de 23 minutos começa com o som de Wright no teclado, quase como água pingando em um lago, depois a entrada do contrabaixo, a guitarra e a bateria acontece gradualmente.

06_Roger_Waters_tocando_seu-lendario_gongo.jpg © Roger Waters tocando seu lendário gongo.

07_Gilmour_durante_um_de_seus_solos.jpg © Gilmour durante um dos seus solos.

A música cresce até chegar em um improviso baseado em reggae e blues (com uma batida funkeada), pesadíssimo, terminando no famoso trecho que lembra a trilha sonora de O Fantasma da Ópera. A música fala sobre a origem da vida no mar, sobre o desenvolvimento para a terra e o desenlace da vida de cada indivíduo. É uma faixa delicada, poderosa e com certeza se trata da música que toda banda de rock progressivo gostaria de ter composto.

Nas gravações de Pompeia, a agressividade de cada instrumento e o uso até o limite que cada integrante faz de sua ferramenta de trabalho salta aos olhos. Não é por menos que a banda foi multada por danificar em escala micro as ruínas da cidade histórica! Sim! Pink Floyd ajudou a destruir Pompeia! Veja abaixo o vídeo de Echoes!


Vinicius Siqueira

Fascista desde criancinha
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