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Última vista do Largo do Palácio do Rio de Janeiro

por priscilla santos

Para dar uma idéia exata e geral do Rio de Janeiro, precisei acrescentar à vista apanhada de frente, do lado do mar, uma segunda vista de perfil, que mostra a extensão da cidade do lado da terra. (J. B. Debret)

A que horas é o barco?

por condessa de Ségur

Sempre gostei de estar em sítios cuja língua não entendo de todo - letras enormes que falam sozinhas em nomes de lojas, títulos de jornais, avisos públicos, sinalizações, coisas que ouço uma e outra vez na rua, na boca das pessoas, até por vezes deduzir um sentido (muitas vezes errado); gosto sobretudo de quando me deparo com uma palavra qualquer a que me afeiçoo,... Ler artigo
Hammershøi – Cidade irreversível

por São Reino

O mundo é grande, demasiado grande, mesmo no planeta que contém a minha vida. Não consigo evitar a sensação, à partida, de que aquela pode ter sido a última vez. Não é uma sensação má ou angustiante, é uma constatação que se impõe como uma vertigem e que a seguir me acompanha – quase nada – com persistência.... Ler artigo
Considerações sobre o ponto de onde se observa: Empire State Building

por isabella kantek

Aqui os estados têm apelidos. E a maioria mais de um, dois ou três. Os nomes geralmente derivam de riquezas naturais (Mother of Rivers, Colorado; Diamond State, Delaware), monumentos e momentos históricos importantes (Constitution State, Connecticut; Liberty Bell State, Pennsylvania), ou ainda uma característica da cultura e do povo daquela região em particular (Land of Infinite Variety, South Dakota; Land of the Red Man,... Ler artigo
Lista de lugares esquecidos

por priscilla santos

Pode-se traçar uma forma geométrica no mapa de lugares onde, você não sabe, nem como, mas se faz presente na suspensão de toda necessidade de ir: é chegada.

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Manuel ceguinho em cima dum burrinho

por condessa de Ségur

Também o dia parecia novo. O Verão queria começar, e o calor era uma agitação involuntária no ar, nas pessoas, no movimento dos carros e no verde novo das árvores. Pedi um chá numa esplanada em frente ao rio, a tentar acomodar-me à minha nova pele, a cheirar-me discretamente para ter a certeza de que era mesmo eu. Não tinha nada melhor para fazer,... Ler artigo
Hammershøi – As pêras

por São Reino

Hanneke van Oosterhout - Natureza morta Em Hammershøi come-se mal. Mesmo as pessoas que comem peixe e legumes cobrem-nos com molhos em cuja preparação frequentemente entram a maionese ou o ketchup. É como se reconhecessem a importância desses alimentos, mas não consentissem nudez aos sabores. O melhor a que se pode aspirar é a um prato de salmão com – apenas – molho de... Ler artigo
Pizza Palace, Central Park e Coisas Gerais

por isabella kantek

"Fiquei sabendo que o Steven Seagal já almoçou aqui." Apesar do nome Palace concluir imponência, o local é uma lanchonete de esquina dessas conforme à regra comum, onde pizzas e calzones com substância são servidos todos os dias. "Ah é? E parece que a Cindy Lauper passou a infância aqui no bairro, sabia?", comentei enquanto partia o calzone com uma faca cega - não... Ler artigo
Resgates obsessivos não-fotografados: mito do nascimento do meu ver

por priscilla santos

O Rio de Janeiro me apareceu duas vezes; primeiro não fui sozinha, por isso o vi por olhos que não são meus (e nisso o ano de 1957 é emblemático). No segundo nem sabia mais onde estava; comprei um guia de ruas, me perdi. Foram pensares de olhos novos que não enxergavam bem, melhor esquecer enxergar, mãe: escolho me afundar d´onde vim e nunca mais fui embora.

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Lavado está novo

por condessa de Ségur

Alguém se tinha esquecido de me dizer que os banhos continuavam operacionais, que não eram apenas um monumento antigo que se podia visitar. A mulher no guichet de entrada pediu-me o dinheiro e apontou-me uma porta modesta com a tinta castanha estalada, a destoar do edifício de pedra antiga e paredes muito altas, uma obra de arquitectura discreta e elevada. Sempre obediente, fiz sinal... Ler artigo
Hammershøi – Do sol e outras minudências

por São Reino

Sei que estou em casa de outra pessoa quando a preparação do duche diário se atrasa na grande indecisão sobre o que vestir. Onde estão mesmo as roupas que não trouxe? Calço ténis ou botas? Uso a minha camisola preferida, que se amarrotou na viagem, ou uma indiferente sem vincos? E o cuidado com que me esgueiro do quarto que me foi reservado para... Ler artigo
Na imensidão da cidade, o mar

por isabella kantek

Eu não consigo sentir os meus pés. Nem a passarela que é vasta e anuncia a imensidão de água adiante. Você já viu neve na praia? Assim, neve cobrindo toda a areia? E não derrete quando toca o chão, digo, não derrete rápido quando toca a onda? Minhas mãos estão tremendo, mas eu não estou resfriada ou com frio. Meu poncho move com o... Ler artigo
Apreciando um doce e mil cheiros

por priscilla santos

A existência grave só quis habitar as esferas onde não fazemos paradas; ver os sons, ouvir azuis, tocar sinos. A existência grave em São Sebastião se desmancha na permissão dos sentidos, quereres das coisas muito poucas das que não temos certeza se causam alegrias prejudiciais porque criou-se a delícia.

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