arquitetura é vida

A vida é arquitetura e a arquitetura é vida

Maria Eneida

Arquiteta e Urbanista, mas que busca nas artes e nas reflexões da vida os conceitos para ser cada dia melhor, produzindo uma melhor arquitetura, com enfoque no viver, avistando a beleza, a bondade e a verdade

A carta que nunca escrevi

Existem cartas que nunca foram enviadas e ainda estão guardadas em um lugar que poucos vêem, na morada do coração.


Uma carta. Palavras. Sentimentos. Telas. Vidas.

A carta que eu nunca te escrevi começava com um belo trecho de um poema, e era ritmada como a poesia.

Eu nunca te escrevi porque era uma carta importante, mas que nem sempre podia ser tanto para ti, quanto era pra mim. Nela eu colocava tudo sobre você e suas manias belas, que me encantavam.

Escrevia sobre o quanto você era bonito, e que se assemelhava a um nascer do sol em um dia de primavera, mesmo eu te dizendo que eu não achava você tanto assim. A carta falava por mim e em tudo o que eu queria ter dito e não pude, mas que já dizia no jeito que nossos olhos se cruzavam.

As palavras começavam a fervilhar dentro de algumas telas de sonhos nunca concretizados e de sabores nunca provados e nessa carta que eu nunca escrevi eu te dizia o quanto te amava e o quanto o seu cativar moveu meu mundo que parecia normal.

14c61f_25f597e9d09a4ee2b876b6c9beeba23c.png

Eu te escrevi as lágrimas que caíam quando eu não te tinha por inteiro e quanto eu gostaria de fazer parte da sua vida, das suas rotinas, das suas histórias.

A carta que eu nunca te escrevi vinham com desenhos de melodias que eu só conseguia compor porque em mim, você existia, e me fazia lembrar das músicas que cantávamos juntos, dos sonhos que sonhávamos juntos e dos toques que somente nós dois conhecíamos.

Escrevia sobre as flores que nasceram em meu jardim, das lembranças dos abraços ternos e das noites longas que conversávamos sob as estrelas, com a lua a nós admirar.

Ainda te dizia, que como quem sozinha também caminhava, de repente fui encontrada pelo caminho e nessa estrada fui amparada, recebida e confortada, pois como um lar eu senti que fui construída com belos sorrisos e desejos generosos, que cheiravam docemente ao chocolate quente que saía direto do fogo e era servido a quem ali entrasse.

Uma carta que eu nunca te escrevi, que ficou intacta em mim e que hoje não tem mais remetente, mas como alguma estrela que encontra outra, essas letras e palavras encontrarão o seu destino, porque tudo que é feito com amor vale a pena, vale o esforço e a lágrima e não permanece em vão para quem decide que a esperança é amiga e embeleza o caminho e como um adorno que reveste o coração, essas singelas sílabas serão bem guardadas porque são únicas.

E no coração lugar de entrada de poucos, serão suavemente colocadas em caixas coloridas para serem revistas quantas vezes a vida permitir, porque nessa morada se vê melhor e se descobre lares de quem te cativou para uma vida inteira.


Maria Eneida

Arquiteta e Urbanista, mas que busca nas artes e nas reflexões da vida os conceitos para ser cada dia melhor, produzindo uma melhor arquitetura, com enfoque no viver, avistando a beleza, a bondade e a verdade .
Saiba como escrever na obvious.
version 4/s/recortes// //Maria Eneida