arquitetura é vida

A vida é arquitetura e a arquitetura é vida

Maria Eneida

Arquiteta e Urbanista, mas que busca nas artes e nas reflexões da vida os conceitos para ser cada dia melhor, produzindo uma melhor arquitetura, com enfoque no viver, avistando a beleza, a bondade e a verdade

A arte de se encontrar no outro

O desejo de que todos se encontrem. O desejo de se encontrar em outras almas.


Um dia olhando pela janela, naqueles dias frios que nos movem a pensar na vida e nas histórias, e nos trazem lembranças e pitadas de saudades, me peguei recordando um diálogo que tive na vida e que me fez entender da solidão.

Uma vez ouvi uma história de solidão, que eu sabia, não esqueceria jamais. Era daqueles vivências simples mas que comovem o mais íntimo do ser e te traz à tona aquele sentido que a sua vida pode fazer em outra.

Ouvi uma história onde alguém procurava consolo, rostos amigos e presença, mas que na volta da casa, nesse dia, somente pôde derramar lágrimas, de uma solidão tão difícil de ser controlada, que se fez choro e ao deitar a cabeça no travesseiro se encontrou na profundidade de um sentimento que nunca queria ter sentido.

Ouvindo essa história, era como se algo mexesse dentro de mim, algo sem explicação e entendi o sentido da minha vida ter encontrado outra vida. Era o momento de ser alguém, que também partilhava de uma solidão pontual, mas que deixava sua dor, para cuidar de outra.

Quantas vezes não sentimos isso? E se não sentimos, qual o sentido de não sentir a dor do outro? Será que fomos criados em mundo de tamanha racionalidade que não podemos entrar nos espaços do outro e fazer diferença?

As indagações vieram junto com as lembranças, porque no amor foram subitamente construídas e motivadas a querer tanto o bem de uma pessoa, que se deixou levar e se entregou para aquela solidão que desejava tanto ser notada.

As efemeridades da vida faz com que cada pessoa muitas vezes passe por nós sem ao menos ser notada, sem ao menos ser apreciada como uma criação única e também, nessas reviravoltas, deixamos passar as mais especiais, por pura necessidade de nos sentir livres o suficiente para que alcancemos o melhor, sem observar de quem nós teremos parte na história.

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Na observação da vida, vejo a beleza que se instala quando as pessoas começam a contar suas histórias, a lembrar de quem mexeu no mais íntimo do seu ser e te acolheu como alguém de especial prestígio, e nisso os olhos marejam e as vivências vêm à tona, como se tudo estivesse passando no tempo presente e isso se torna cada vez mais bonito, porque desses pequenos exemplos é que se pode observar o quanto alguém se faz necessário na vida do outro.

Hoje eu não consigo saber se aquela pessoa que passou pela minha vida e me contou essa história está bem, mas com olhos postos em lágrimas eu ainda me lembro dessa história e de como a vida às vezes é ingrata com tantas almas boas que por aqui passam.

Nisso eu somente desejo que da mesma forma que ela tocou minha vida, ela toque a de outros. E que da mesma forma que eu pude olhar sua humanidade, ela também possa olhar a dos outros e desejando eu espero que na mesma lembrança que eu tenho, também more a saudade daqueles que passaram e serão para sempre colocados em um lugar especial, porque na vida a solidão tem hora para acabar, e nos pensamentos cotidianos eu quero que o mundo se encontre em um lugar.

A vida é algo que se manifesta nesses pequenos momentos, nas pequenas vivências, que nos transformam de uma maneira, que nunca seremos mais aqueles de outrora, então no fim eu desejo que a solidão não encontre mais morada no coração e que a cada dia que se passe, cada um possa partilhar sua vida como nós partilhamos o ar que respiramos, de uma naturalidade que envolva o mundo a se encontrar no outro.


Maria Eneida

Arquiteta e Urbanista, mas que busca nas artes e nas reflexões da vida os conceitos para ser cada dia melhor, produzindo uma melhor arquitetura, com enfoque no viver, avistando a beleza, a bondade e a verdade .
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