arquitetura é vida

A vida é arquitetura e a arquitetura é vida

Maria Eneida

Arquiteta e Urbanista, mas que busca nas artes e nas reflexões da vida os conceitos para ser cada dia melhor, produzindo uma melhor arquitetura, com enfoque no viver, avistando a beleza, a bondade e a verdade

Os Tesouros Estilhaçados

Na vida temos tesouros e cabe a nós mesmos saber guardá-los.


Já faz algum tempo, tempo de mais ou de menos, mas tempo, sem forma nem lugar porém que reflete os pequenos borrões de um passado ou vislumbra um contentamento de futuro.

E nesse meio tempo cada um deve se lembrar das preciosidades que já guardou em meio aos caminhos esperançosos da vida, dos presentes que nunca deixou, de cada pétala de uma rosa que sorrateiramente se abriga em páginas de um livro predileto, de uma carta que está entre poeiras e caixas em um pequeno armário no canto do quarto ou ainda daquele pequeno papel do seu chocolate preferido que ganhou e nunca mais jogou fora.

Esses são pequenos tesouros que são levados nas caminhadas da vida, coisas que tem significados além e que de alguma forma traz uma completude do ser que fomos amadurecidos no tempo.

Mas nada se compara aos tesouros interiores, aqueles que cada ser humano carrega, junto com seus valores primordiais e que são odor de fato agradável perante algumas vicissitudes da vida e que como qualquer tesouro que pode ser alcançado por meio de um movimento, a alma alcança no momento da lembrança.

Certa vez eu ouvi que na vida ao descobrirmos o tesouro do outro, nós escolhemos carregar e guardar, e por serem frágeis necessitam de um cuidado especial, um cuidado prolongado, um olhar ponderado e uma visão audaz, porque se torna um risco de levá-los sem o devido apreço necessário.

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Quando a estima desse tesouro se encontra no coração, não deveria existir a preocupação de quedas ou perdas, porque estaria tão bem guardado e envolto a uma tênue camada cristalina de um sentimento enraizado, que a maior das preocupações estaria em mantê-lo radiante, por onde quer que se passasse.

Mas como uma lei da vida, as transformações acontecem, e o tempo passa de novo e trabalha as mudanças e aquele tesouro radiante vai perdendo o brilho e a suavidade, e o olhar para ele se torna de um fardo a se carregar em direções de uma vida que nem sempre segue seu rumo apaziguado, mas segue e lentamente, se perdem as forças e a coragem de se carregar algo que antes era somente beleza, verdade e se tornou passado e subitamente cai ao chão e se estilhaça, se desconstrói, se modifica e muitas vezes não possui mais conserto.

E na vida precisamos treinar o olhar, esse que nos move para onde devemos seguir e nos faz perceber que os tesouros são preciosos no momento em que são entregues aos que o amam. Uma vez derrubados não poderão ser consertados pelas mesmas mãos que o deixaram cair, porque as oportunidades se passaram.

No caminho sempre existirá alguém disposto a juntar cada pedaço e fazê-lo novo mas com uma diferença importante, que será carregada por toda a peregrinação, a verdade em sentir e a coragem de levar para onde for esse tesouro, que não é dor e sim prazer de um encontro de vidas que seguirão despretensiosas, mas alicerçadas naquilo que realmente valerá, o verdadeiro.


Maria Eneida

Arquiteta e Urbanista, mas que busca nas artes e nas reflexões da vida os conceitos para ser cada dia melhor, produzindo uma melhor arquitetura, com enfoque no viver, avistando a beleza, a bondade e a verdade .
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