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Quando a arte ensina a viver.

Emerson Pinheiro

Melhor que ouvir a música, ler o livro e ver o filme: perceber que eles têm tudo a ver com o nosso cotidiano

LÁGRIMAS NO PARAÍSO

Tomado pelo vício em álcool e cocaína, a pior tragédia que poderia acontecer na vida de Eric Clapton aconteceu, mas ele encontrou nela uma inspiração para a vida e acabou compondo seu maior sucesso musical


Conor2.jpg Imagem de Conor

No meu primeiro texto publicado aqui na Obvious, prometi escrever um pouco sobre a influência que a conturbada vida pessoal de Eric Clapton teve em sua produção musical.

Quem se informa a respeito da vida de seu ídolo adquire o direito de pressupor algumas coisas sobre o assunto, certo?

Pois então... admirador confesso do Clapton, eu não hesitaria em afirmar que o fato mais marcante em sua vida privada foi a prematura perda de seu filho Conor.

Até o nascimento de Conor, a agenda de Clapton era repleta de compromissos profissionais. Ele não deixava de cumpri-los religiosamente, mas se apresentava embriagado e sob efeito de cocaína.

Ele trabalhava muito, mas seu maior trabalho era disfarçar a ressaca, um problema que ele tratava consumindo ainda mais álcool e drogas, o mais breve possível. Dormia duas ou três horas, e sua nada saudável rotina diária se repetia.

Conor nasceu na cidade de Paddington, Inglaterra, em 21 de agosto de 1986, fruto de um relacionamento entre Clapton e a italiana Lori del Santo.

Aquela rotina, literalmente intoxicada, começou a mudar neste momento.

Não era muito frequente o convívio entre pai e filho. Conor morava na Itália, com a mãe, e Clapton era um músico cheio de compromissos a cumprir, por todas as partes do mundo.

Porém, quando Clapton encontrava Conor, fazia questão de estar sóbrio.

Sua primeira preocupação foi com a imagem que seu filho teria do pai. Mais tarde, passou a tratar disso como um problema de saúde mesmo, porque ele queria ver seu filho crescer e que seu filho pudesse conviver com ele mais tempo. Reflexo da história pessoal de Clapton, que sequer conheceu seu pai biológico.

Clapton sempre encontrava Conor acompanhado da mãe e agia mais como um irmão mais velho do que, verdadeiramente, como um pai.

Em 19 de março de 1991, pela primeira vez, os dois saíram juntos. Pai e filho foram ao circo, em Nova Iorque.

Clapton conta que a experiência foi empolgante e perfeita. Ele, enfim, sentiu-se pai de Conor. Ele queria mais momentos como aquele e chegou a exigir isso de Lori naquele mesmo dia.

Na manhã seguinte, Conor saltou de uma janela do prédio onde estava com a mãe e morreu após despencar 49 andares.

Depois do funeral, Clapton encontrou uma carta que havia sido escrita por Conor, na qual ele se dizia ansioso por encontrar o pai em Nova Iorque e terminava dizendo “eu te amo”.

Diante de uma tragédia dessas, qualquer um de nós poderia esperar que Clapton retornasse ao uso abusivo de drogas.

A primeira surpresa, por assim dizer, é que essa recaída não aconteceu.

E, mais surpreendente ainda, é que ele passou a contar a história da morte de seu filho em clínicas de reabilitação para viciados em álcool, fato que encorajou muitas pessoas submetidas ao tratamento a deixar definitivamente o vício.

Seu exemplo serviu para mostrar que mesmo a perda de um filho não era motivo para “mais um drinque”, e Clapton percebeu que divulgá-lo seria a melhor maneira de honrar a memória de Conor.

Na maior tragédia da sua vida, Clapton encontrou inspiração para criar o maior sucesso da sua carreira, “Tears in Heaven”:


Emerson Pinheiro

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