arthur silva

profissão: escritor - conserta-se vidas.

Arthur Silva

Mineiro, escritor, ex-pianista e apreciador da arte cotidiana que nos move

a falsa felicidade que vivemos

Vivemos imersos no turbilhão de incertezas que é o mundo. Passamos grande parte da vida sustentando nossos vícios, fazendo de telas e aparelhos a nossa alegria momentânea sem exigir a real presença de sentimentos verdadeiros ou de quem nos rodeia. Nos contentamos com a imagem mostrada na tela, com a voz chiada vinda dos computadores e smartphones, dos abraços gesticulados que, ao mesmo tempo ali presentes, parecem inalcançáveis.


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"Caro é transformar-se num arremedo de si próprio a ponto de nem se reconhecer mais". — Agridoce

A grande maioria atua no palco da vida pensando no significado e no impacto que isso causará na sociedade. Nos esquecemos por diversas vezes daquilo que nos faz feliz e buscamos no cotidiano algo que dê sentido às crenças, ao que vivemos, ao futuro imprevisível repleto de contradições, mistérios e expectativas.

A gente se preocupa demais com o que vão dizer e aonde vamos chegar. A insegurança toma conta dos atos que sequer tomaram o partido de existir por pura incapacidade nossa ou pelo medo do fracasso. Desacreditamos em nós mesmos porque somos ensinados que o mundo é perigoso, que as pessoas são más e que bondade e sinceridade são valores perdidos e nem todos estão dispostos a nos ajudar.

O ser humano, hoje em dia, é um bicho solitário. Muita gente se esquece que existe um livro repleto de páginas em branco aguardando memórias, lembranças, conquistas, amores, decepções a serem registradas. Muita gente se esquece que a real felicidade vem de dentro, de dar uma chance a si mesmo, de se conhecer e aceitar a própria natureza antes de abraçar verdadeiramente o caos que é o mundo.

Talvez o necessário seja a nossa própria reprogramação. Talvez os nossos pensamentos sejam guiados por aquilo que ouvimos de estranhos que se tornam íntimos ao passo que concordam com o que pensamos ser o certo. Talvez o ser humano seja a ovelha negra de um rebanho guiado por valores perdidos entre o 'aceitar o errado' e 'errar fazendo o certo'. Talvez o real significado de felicidade esteja nos muros que declamam poesias em silêncio enquanto caminhamos por estradas vazias em busca de perspectiva.

Talvez o que falte em nós seja a coragem para assumir quem somos, deixando de lado aquilo que nos assusta para, então, criar a vida que imaginamos viver.


Arthur Silva

Mineiro, escritor, ex-pianista e apreciador da arte cotidiana que nos move.
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