arthur silva

profissão: escritor - conserta-se vidas.

Arthur Silva

Escritor mineiro diamantinense, colunista da obvious magazine, cristão, amante da arte, livros e pessoas

game of thrones: da queda a redenção

A mentira só pode ser quebrada com a realidade da ressurreição, pois é ela que vivifica a esperança morta.


A série Game Of Thrones se despediu de seus telespectadores já há algumas semanas. A história narra a disparatada guerra dos sete reinos de Westeros, onde reis e rainhas envolvem-se em batalhas sangrentas para conquistar o seu direito de governar a tudo e a todos. O que poucas pessoas perceberam é que Game Of Thrones narrou, durante quase uma década, em suas entrelinhas, a jornada de seus personagens rumo ao cumprimento do propósito para o qual existiam na série.

Sansa Stark precisou abandonar as coisas de menina para tornar-se a rainha de um povo corajoso, nobre, honrado e poderoso. Arya Stark, diferentemente da irmã, nunca quis o título da realeza; os padrões do mundo real nunca foram atraentes à sua sede pela aventura, cujo tesouro da descoberta estava para além dos muros de Winterfell. Jon Snow, o falso-bastardo, cuja linhagem sanguínea real concederia-lhe o privilégio do governo e da glória, acabou como início: servindo aos afortunados e vulneráveis. Porque os títulos humanos não carregam consigo o significado daquilo que nascemos para ser, sendo preciso romper com o velho para assumir o que sempre será sempre o "novo". E, para a surpresa de muitos, o rei coroado, um menino aleijado, agora consciente de quem havia se tornado, não deixou que a desgraça lhe abatesse e definisse seu destino, entendendo que a queda era o motivo da redenção, sendo este o retrato do mundo e seu estado atual.

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Bran, diferente de nós, não responsabilizou as pessoas ou a circunstância por sua condição miserável. Ele entendeu algo que é chave para abrir o nosso entendimento: todas as coisas cooperam para o bem. Cabe à nós decidirmos como encarar a vida e seus desdobramentos. Podemos transformar a dor em cicatriz, mostrando que vencemos a guerra ou podemos fazer dela o combustível para a luta, extraindo da trajetória o antídoto para a mudança. Quando decidimos permanecer vivendo como Adão, não colhemos nada, restando apenas as raízes inférteis que não devolvem a vida abundante, há muito perdida no início. Abraçamos a ilusão que torna a realidade suportável, levando-nos a viver no auto-engano. A mentira só pode ser quebrada com a realidade da ressurreição, pois é ela que vivifica a esperança morta.


Arthur Silva

Escritor mineiro diamantinense, colunista da obvious magazine, cristão, amante da arte, livros e pessoas.
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