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A Arte tem que ser livre, mesmo que o artista não seja.

Roberto

A arte tem que ser livre, mesmo que o artista não seja

Pelo fim da cinefilia

Cinefilia, um estilo de vida criado nos anos 1950, que para a realidade do Cinema do século XXI, se apresenta como uma topografia do elitismo de nossa sociedade atual. Ou seja, a cinefilia tem que acabar.


Pelo fim da cinefilia.

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A cinefilia, em seu significado etimológico, significa amor ao Cinema, de modo que, se atribuída a uma pessoa, o cinéfilo, tratará de ser sobre alguém que ama Cinema. Por décadas ela desempenhou um importante papel na cinematografia, entretanto, no cenário socioeconômico e tecnológico atual, será que ela ainda é tão importante assim? Ou, ao menos, ela é beneficia a alguém?

Esse estilo de vida de adoração à Sétima Arte surgiu na França, no pós-guerra, juntamente com a eclosão da cultura de cineclubes. Foi àquela geração de franceses, que começaram a pensar sobre a maneira de escrever sobre – tanto criticamente, como teoricamente - e fazer Cinema que acompanharam esse pontapé inicial, de maneira que, o reconhecimento e popularidade que eles acabaram atingindo em todo mundo com suas ideais e, inclusive, produções -Nouvelle Vague – levaram a cinefilia a ser cultivada por quem gosta de Cinema em todo o mundo. Inspiraram, portanto, gerações e gerações de pessoas que viam aquele algo a mais nessa Arte.

Contudo, é nesse ponto que encontramos uma questão. Os admiradores de Arte geralmente são pessoas que possuem tempo e disposição para esse fim. Pessoas que cresceram estudando em boas escolas, que acabaram ingressando em universidades, estando em ambientes que reconhecem a importância de um museu, de um concerto musical, de um livro. E que assim, para finalizar o ciclo, possuem dinheiro para consumir, quando possível, no Cinema, na livraria, num Teatro, numa exposição e, depois, vontade para discutir e debater sobre também. Ou seja, desde o começo, privilegiado por ter uma boa educação, que pudesse os levar até a universidade, que pudesse garantir boas remunerações, que criassem todo o ambiente para que eles se interessassem pela Arte.

E é, justamente, aqui, que se encontram os cinéfilos hoje. Pessoas participantes de diversas mazelas de elite e privilégios, que, ao momento que interagem com o que é artístico, também acabam levando suas posições a ele. Essas que ficam expostas em suas intenções, ainda mais com os avanços tecnológicos dos dias atuais. Os debates dos cinéfilos se restringem a eles mesmos, aos seus cineclubes, aos seus ciclos de amigos, a uma pequena elite, falando sobre suas referências e questões que somente eles fazem parte.

Fazia sentido algo desse tipo nas últimas décadas, quando o Cinema era uma arte que somente pudesse ser reproduzida por poucos (devido aos altíssimos custos de equipe e equipamento), sendo, assim, restringida a um nicho. Mas hoje, ela pode ser livremente realizada por qualquer um: temos câmeras nos celulares, temos câmeras dos mais variados preços, a era digital promoveu a montagem do filme não mais em laboratórios, mas sim numa tela de computador, com o Vimeo ou Youtube servindo como bases de divulgação, por sua vez, o Catarse servindo como base de arrecadação de custos de produção. Vivemos um momento totalmente diferente.

Agora o ponto é se eles continuarão a deixar as técnicas, debates, o pensar a Arte presa, juntamente, com aqueles cinéfilos numa classe superior aos demais outros que amam o Cinema (não são só eles que amam a Sétima Arte), ou se o comprometimento com a cinematografia deixará esse amor cego de lado, favorecendo a difusão artística?

Pois, sim, vivemos em uma sociedade em que o conhecimento se verifica como sendo um modo de produção, assim, instaurado na lógica das desigualdades sociais. E nossa Arte é sim concentrada por poucos, com muitos deles querendo ela dessa maneira, de maneira que, ser congruente com tudo que se passa é ser a favor de todo um sistema compactado a injustiças. Ou seja, a cinefilia tem que acabar.


Roberto

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