asas de cetim

Mais do que palavras.

Paula Sousa

Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido.

Não era para ser um vício

Há quem se sinta vazio e veja a morte em sua frente quando ele perde a última gota de bateria.


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Quantas vezes você foi prejudicado pelo uso ininterrupto do seu aparelho celular? Quantas vezes você o olha por dia? Quantas mensagens de texto envia todos os dias? Ou melhor, quantas palavras escreve? Você tem ideia do tempo que gastou com esse pequeno e complexo aparelho tecnológico?

Ele chegou em nossas mãos com o intuito de facilitar a comunicação à distância e acabou sendo um dos objetos mais desejados e usados no mundo todo. Sua história começou quando, em 1888, o físico alemão Heinrich Hertz - que nomeia a conhecida medida de frequência, Hertz – transmitiu, pela primeira vez na história, códigos sonoros pelo ar e fez a primeira ligação intercontinental.

Vinte e seis anos depois, em 1940 para ser mais exata, foi criado um sistema de comunicação à distância que possibilitava a mudança de canais de frequência sem interrupções. Mas o celular foi criado apenas em 1956, quando a Ericsson resolveu unir todas as tecnologias conhecidas até então em um só aparelho, dando origem ao Ericsson MTA, sigla para: Mobilie Telephony A. Porém, para conflitar a alegria de ter finalmente criado um aparelho inovador, vem o ponto negativo: ele podia ser carregado apenas em automóveis, pois pesava quarenta quilos.

Para competir com a Ericsson, a Motorola, sua fiel concorrente, lançou o Motorola Dynatac 8000X, que era verdadeiramente portátil com vinte e cinco centímetros de comprimento e sete centímetros de largura com uma bateria que durava vinte minutos e pesando um quilo.

Se olharmos para o mundo tecnológico pelo qual somos envolvidos hoje, chegamos ao consenso de que esse aparelho não duraria nem mesmo cinco minutos em nossas mãos considerando que apenas um aplicativo leve em funcionamento gasta quase toda a sua bateria – senão toda.

Não é segredo que o celular é de importância singular em todo o mundo, mas seu uso excessivo pode causar sérios danos à saúde – e não apenas à saúde. Um artigo publicado na revista Veja em 2011 mostra que a radiação do celular pode causar até mesmo o câncer se o mesmo for usado por mais de 30 minutos por dia. E se for mesmo verdade, o destino de toda a população mundial já está traçado, afinal, quem é que, nos dias de hoje, usa o celular por menos de ou apenas por trinta minutos por dia?

Seu uso é incontrolável em algumas situações e para determinadas pessoas é impossível não usá-lo constantemente.

O site britânico Mobile Insurance, especializado em telefonia celular, fez uma pesquisa no Reino Unido e chegou a uma conclusão surpreendente: as pessoas da Grã-Bretanha passam 23 dias do ano, em média, falando ao celular e usando seus aplicativos e diversas funções. A pesquisa mostra ainda que o tempo médio gasto por alguém no celular ao longo de toda a sua vida é de 1.414 dias, o que corresponde a quase quatro anos. (E essa pesquisa foi realizada há algum tempo. Tente imaginar como estão estes dados atualmente).

Se formos analisar a situação, notamos que são pelo menos três anos jogados fora considerando que algumas ligações são necessárias e importantes.

E para quem ainda não sabe, o vício e uso contínuo do aparelho móvel são considerados uma doença chamada Nomofobia, que em tradução literal significa medo de ficar sem celular. Segundo dados de pesquisas feitas, 76% dos jovens britânicos entre dezoito e vinte e quatro anos sofrem do mal e têm em média três aparelhos para garantirem que não ficarão desconectados do mundo virtual.

Com tantas redes sociais é mesmo quase impossível se controlar quando o mesmo apita. Uma mensagem está sempre sendo esperada ansiosamente e curtidas são essenciais para a boa impressão social.

De fato ele é considerado por alguns como um veneno contra a população e contra a sociedade, uma vez que prejudica até mesmo a ‘interação pessoa-pessoa’, mas o celular não foi criado para ser um vício. O problema é que os planos saíram dos trilhos e agora somos todos dominados por esse objeto inanimado – quase animado.


Paula Sousa

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