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O constante movimento da vida...

Sabrina

" aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos, por aqueles que não podiam ouvir a música."

GERAÇÃO HELLO KITTY


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Quais lições podemos tirar do episódio envolvendo os jovens em relação ao jogo da Baleia Azul e a série, “ 13 reasons why? ”

Nos últimos dias fomos bombardeados de informações, críticas de especialistas, opiniões de responsáveis e do público em questão, os jovens, sobre o jogo que tem como objetivo o suicídio e a série que aborda o suicídio na perspectiva dos que ficam: “ Os 13 motivos que levaram a jovem a se suicidar gravados numa fita e endereçados aos “culpados”.

Vimos nas redes sociais pessoas em defesa da legitimidade da série, enquanto forma de alerta e prevenção do suicídio. Por outro lado, uma preocupação muito grande dos psicólogos a respeito dos possíveis efeitos que uma série como essa pode ter para os jovens, sobretudo, os que já tem uma tendência a depressão.

Vimos também pais desesperados por saber se o filhxs estariam participando desse jogo a Baleia Azul... E claro, muitas piadas a respeito nas redes sociais. “ Seria cômico, se não fosse trágico. ”

O fato é que a repercussão desses dois casos tem colocado o jovem em pauta e a família em foco. Em todos os lugares, rede social, bares, ao entorno da mesa, na fila da padaria, no transporte, nas escolas, no banco e na grande mídia se ouviu alguém conversado sobre um desses dois temas, quando não os dois. E isso sim foi muito positivo, uma vez que para tratar desse assunto era inevitável mencionar o jovem de hoje, assim como o papel da família na vida desses jovens.

Na era em que a tecnologia ganha cada vez mais espaço no cotidiano das pessoas, principalmente, dos jovens, existe uma mudança quase que “ natural” na forma de se relacionar, que passa pela família. Essa interação fica cada vez mais comprometida na perspectiva do real, uma vez que acontece cada vez mais através do digital. – aquela famosa imagem da família reunida ao entorno da mesa, mas todos interagindo com seus smartphones.

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Mas não se pode responsabilizar unicamente as tecnologias pelo afastamento das pessoas. Numa outra perspectiva, é preciso considerar as mudanças sociais que ocorreram com a modernização, que influenciaram diretamente nas estruturas das instituições. E no que diz respeito aquela que tratamos nesse texto, a família, o que temos hoje são diferentes formas de família, que representam essas mudanças que ocorreram na sociedade. No entanto apesar de importantes avanços, o relacionamento entre os membros dessa família é comprometido por um sistema hierárquico que se impõem, na medida que trouxemos em nossa bagagem cultural um modelo de família tradicional em que os pais trabalham e as mães são responsáveis pela educação dos filhos, que devem obedecer acima de qualquer coisa, sem questionar, afinal os mais velhos tem sempre a razão. Quem nunca passou pela experiência de questionar o pai ou a mãe sobre poder fazer qualquer coisa e teve como resposta um “ NÃO!!” Em alto e bom som. E não satisfeito perguntou o porquê do “ NÃO” e ouviu aquela típica resposta universal dos pais: “ NÃO PORQUE EU NÃO QUERO!!”

Pois é... Tanto a tecnologia quanto a falta de diálogo aberto criam muros e distanciam os jovens daqueles que mais os amam ou deveriam amar e zelar por sua segurança. – Se não podem em casa buscarão respostas nas ruas – E acredite, pode ser bem perigoso.

Eles querem falar, têm essa necessidade, mas precisam sentir em seus responsáveis a disposição de ouvi – los.

A Julia Vianna uma jovem de 17 anos escreveu uma carta endereçada aos adultos em que ela fala do cansaço que sente por ser julgada ao expressar suas opiniões:

“ Estou cansada de ser integrante da geração Hello Kitty, geração que não pode ter boca, não pode ter voz. Por que quando uma criança/adolescente se expressa é tão difícil o ouvir? Por que os mandam calar a boca, pois eles não têm idade para discutir com mais velhos. E quando é a idade? – Qual a idade que poderemos expressar nossas opiniões? Quando vai acontecer? Quando saírmos da casa dos nossos responsáveis? Arrumarmos um emprego? Nos sustentarmos? – Nos deixem falar! Quando forem brigar com teu filho por um erro cometido por ele, deixei o explicar. – Adultos se explicam, por que não podemos? – Uma pessoa de 13 anos não passou pela o que uma de 40 passou, mas isso não o torna menor, inferior a ninguém. Um dia ela terá experiência de vida como os adultos, e será que terá opinião? Será que vai saber se expressar? Ou se esconderão nas sombras da geração Hello Kitty? Aqui fica meu apelo: não nos cale, não mate nosso senso opinativo por se sentirem superiores por serem mais velhos. – Vocês já tiveram nossa idade, lembram? – Não foi fácil, não é fácil e a proibição da expressão torna tudo mais difícil. Converse conosco, tente entender nosso ponto de vista, não é porque temos 13,14,17,18 anos que não devemos justificar nossos pensamentos, NÓS TEMOS BOCA, CÉREBRO E VOZ. NOS DEIXEM FALAR!

Os tempos mudaram, e como vocês podem ver através da carta desta jovem, eles hoje não só têm opinião como querem poder se expressar e não ficam calados diante de respostas simplificadas como, “ Não porque não quero.”

Vivemos num momento de urgências, e nessa realidade em que é preciso crescer, entender e dar conta de um turbilhão de coisas, e ainda assim ser o melhor para todos e uma pessoa de sucesso, nós vamos nos deixando pelo caminho. Os jovens têm a facilidade de priorizar suas urgências e se não buscamos ouvi-los, para dar um direcionamento a eles, iremos ter que arcar com as consequências. Os quadros de ansiedade e depressão não param de crescer. Há quem acredite que essa é a doença do século. – Eu não duvido! Criamos tantas necessidades e ensinamos nossos filhos que é preciso dar conta de tanta coisa, ser o melhor em tudo, que falta tempo para as coisas que alimentam a alma e traz a verdadeira felicidade.

Encontre um tempo para estar com o seu filho e conhece-lo verdadeiramente. Mostre para ele que ele pode e deve confiar em você. Não deixe que ele encare essa fase tão difícil que é a adolescência, onde estamos mudando em todos os sentidos, os hormônios estão a todo vapor, o medo e as incertezas sobre o que se “E” e as cobranças falam cada vez mais alto, “sozinho”.

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A adolescência é um momento de muito conflito, e, portanto, uma fase decisiva, em relação aos caminhos que seus filhos irão percorrer. É como aquela ponte de tábuas soltas em que se atravessa com todo cuidado, pois um passo em falso pode ser fatal. Mas uma vez tendo aceito o desafio e atravessado com segurança, é só aproveitar a tranquilidade de estar em terra firme.

Digamos, que a família é o que sustenta a ponte até que o filho atravesse. E esse apoio deveria ser incondicional, e não só no caso de a escolha do seu filho ser compatível com suas próprias escolhas. Você só vai conseguir mostrar os melhores caminhos e ajudá-lo a compreender o porquê das coisas se estiver disposto a ouvi-lo e a dialogar com ele, mostrando que você o enxerga como indivíduo e ser pensante, mas que como responsável e alguém que já passou por muitas experiências, acredita ser aquela decisão o melhor. E mesmo que você descubra que estava errada em relação a x coisa, pois os pais também erram, você não poderia admitir o risco ao ser permissivo, porque simplesmente você o ama demais para isso. A GENTE PODE TER DÚVIDA SOBRE QUALQUER COISA, MENOS SOBRE O AMOR, pois ele justifica, entende, compreende e perdoa.

Eu não tenho dúvidas do amor presente nessas relações, mas falta meio de se relacionar. E graças a esses episódios que colocaram em risco a integridade dos jovens, essas dificuldades de relacionamento entre as famílias, assim como o papel dos pais e os cuidados que se deve ter para viver nesse Cibermundo vem sendo discutido. Espero que todos compreendam de uma vez por todas que o respeito não deve ser imposto, mas conquistado, a começar pelo exemplo. Assim como consigam viver suas relações de forma mais equilibrada. Não me refiro aqui só a relação com o outro mas consigo mesmo e com o mundo e suas inúmeras possibilidades. Não importa o quanto a ciência avance algumas coisas são insubstituíveis. Nada, absolutamente nada pode ocupar o espaço entre um abraço. Nada absolutamente nada transfere a compreensão de um olhar. E nada absolutamente nada é capaz de afastar corações que estão conectados por esse tal amor. A gente só precisa entender isso de uma vez por todas e aprender a aprender uns com os outros. Querer ter menos razão e ser mais feliz!!


Sabrina

" aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos, por aqueles que não podiam ouvir a música." .
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