ayla cedraz

por entre fotos e nomes

Ayla Cedraz

"tudo o que somos é poeira no vento"

A PÉROLA: como ser bom no mundo

A preciosidade do escritor estadunidense John Steinbeck discorre com a delicadeza e a profundidade de palavras ( especialmente compostas para a clareza e a proximidade) que somente alcança quem tem propriedade do assunto que aborda; a novela feita para tocar o coração, que por sua vez é senhor de cada realidade.


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Imagino viver por um longo tempo acreditando, sem nunca olhar para o lado, em certa coisa; é só fechar os olhos e captar o sentimento, na verdade, real. Depois desse longo período, suficiente para compor um ser "sólido", ser bombardeado por um elemento além de toda a espécie de possibilidade, algo que escandalize toda a compreensão antes tão bem estruturada. Sou capaz de pensar por alguns minutos e encontrar uns tantos exemplos ao redor. Entretanto, apesar destes fazerem parte da vida cotidianamente, pouquíssimas vezes são esmiuçadas com a perícia que merecem, visualizadas com a devida postura; coisa que Steinbeck sabe bem fazer. De maneira consideravelmente simples e fácil de tatear, características que de modo algum reprimem o esplendor da verdade e da profundidade de se revelar com clareza.

É difícil acompanhar a mudança constante e inevitável ao mesmo tempo em que mantemos os valores que consideramos parte de nossa essência básica; conviver com a traição das próprias crenças pode ser pesado, principalmente quando não há alguém para dividir esse peso, principalmente quando não há sequer lembranças que se ocupem de nutrir sentimentos que se aproximem de esperança.

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Em A pérola, Steinbeck parece unir em tão poucas páginas todas essas pequenas necessidades humanas, essas que são tão óbvias e latentes em cada um, que raramente é preciso procurar palavras para preencher um vazio de significado. Parece querer, com um olhar quase didático, mostrar onde raridades como bondade e felicidade, em pureza, nascem e respiram pela primeira vez; como lutam por manter-se assim, e como é difícil tal luta, como a dificultamos em espaços tão pequenos e passageiros.


Ayla Cedraz

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