ayla cedraz

por entre fotos e nomes

Ayla Cedraz

"tudo o que somos é poeira no vento"

A MÚSICA DO SILÊNCIO: para leitores como nós

Lírico. Um livro puramente poético e cheio de sentimento, como tudo o que escreve Rothfuss, caracterizando sem falhas uma de suas personagens mais misteriosas e encantadoras, digna de um momento só seu.


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Patrick Rothfuss logo avisa: é possível que este livro não seja o que você espera. Eu, fã da série O Matador do Rei, e ansiosa pelo Terceiro Dia, sabia que não me decepcionaria com o conteúdo do inesperado lançamento. Afinal, Auri sempre foi, claramente, uma personagem particularmente densa e, pensando bem, a ideia de um momento só seu, à parte da história de Kvothe, era de fato necessária. Esse artigo, entretanto, não tratará exatamente da história de Auri, o que talvez acabasse por perpetuar sua leitura aos já chegados às produções de Rothfuss. Ao pensar em escrever, concluí que há algo, neste livro, além do que foi escrito: a forma com que o foi.

Não se trata, contudo, de uma conclusão isolada. Por esse mesmo pensamento, Patrick Rothfuss comenta no prólogo sua preocupação quanto a publicação da história de Auri; ele sabia que talvez não aplacasse as expectativas de seus leitores, acostumados com os inúmeros acontecimentos de seus anteriores livros, os vários personagens que permeavam as histórias, repletos de personalidade e detalhes que fazem seu estilo único. Primeiro: A Música do Silêncio possui apenas um personagem ser humano, a própria Auri. Segundo: há somente um cenário, os Subterrâneos da Universidade. Terceiro, como o próprio autor enfatiza: há uma cena composta de dez páginas sobre a produção de um sabonete! O resto se desenrola dentro de uma realidade muito pessoal da protagonista, onde o leitor tem a possibilidade de ser capaz de mergulhar num universo diferente; e, há de se descobrir mais tarde, não tão diferente assim!

Creio que, entretanto, os leitores da série O Matador do Rei foram bastante receptivos a originalidade desta publicação. Pois, uma vez introduzido a escrita de Rothfuss, desenvolve-se um faro para belas histórias. É que acontece que A Música do Silêncio é um livro para leitores como nós; eu, Patrick Rothfuss e você, quem quer que seja. Uma tela inesperadamente sutil nos separa de Auri; continuar na leitura, ainda que pareça esquisita no começo, garante a descoberta do sentimento de solitude que habita em todo ser humano, que é o que nos caracteriza, especifica-nos ainda que nos aproxime. Ao fim, releva-se: há alguém como eu! E há. Há alguém como qualquer um, ainda que tal verdade nunca ascenda. Resta-nos impedir.


Ayla Cedraz

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