bahmyself

Desço a mão pela garganta e reviro tripas e sonhos. Agito as borboletas no estômago.

Bah Bee Paiva

23 anos, Rio de Janeiro, rock n' roll, tatuagem, cores, álcool e poesia maldita.

Pin-ups: do clássico ao moderno

As ilustrações surgiram antes, mas há quem defenda que a primeira famosa foi Betty Boop, que atraiu todas as atenções nos desenhos animados com decotes e cinta-liga. Porém, a primeira de carne e osso foi Betty Grable ao estrelar o filme “Pin-up Girl”. A partir disso, elas se popularizaram e seus pôsteres dominaram armários e paredes dos alojamentos dos soldados na Segunda Guerra. Daí o termo “pin-up”, algo como “pendurar”.


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Quando se fala na origem do estilo pin-up, é comum se pensar em Betty Grable como sendo a pioneira. Porém, há quem defenda que a primeira pin-up tenha sido Betty Boop. A inesquecível personagem criada por Max Fleischer para ser coadjuvante do cãozinho Bimbo na série de desenhos animados Talkartoons, atraiu todas as atenções durante o início dos anos 30, com seu visual que mesclava decotes e cinta-liga a enormes olhos que beiravam a inocência.

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Em 1934, Betty sofreu sua primeira grande censura. Em nome de um Código de Produção Americano, que alegava que a personagem influenciava uma conduta moralmente duvidosa. O visual de Boop foi totalmente modificado, e ela passou a trajar roupas que a cobriam até o pescoço, mas tão justas que evidenciavam ainda mais suas curvas. A censura definitiva veio em 1939 e ela não pôde mais aparecer nas telas até 1988, quando fez sua última aparição no filme “Uma cilada para Roger Rabbit”. Ainda assim, manteve seu status de estrela até mesmo no mundo da moda, onde estampa roupas e acessórios dos mais variados com um espírito independente, divertido e sensual, que contagia mulheres de todas as idades até hoje.

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Partindo dessa ideia, Betty Grable seria então, a primeira pin-up de carne e osso. As pin-ups se popularizaram quando pôsteres com suas imagens passaram a estampar portas de armários e paredes de alojamentos dos soldados na época da Segunda Guerra Mundial. Daí o termo “pin-up”, que significa algo como “pendurar”. Em forma de ilustrações ou fotografias, elas se tornaram uma verdadeira febre por desafiarem padrões em uma época onde a sexualidade ainda era considerada um tabu. E Betty Grable conquistou posição de destaque, quando sua lendária imagem olhando maliciosamente para trás por cima do ombro usando um maiô branco rodou o mundo. O filme “Pin-up Girl”, estrelado por ela, também se tornou uma forte influência para o estilo.

Alguns dos motivos que fazem as pin-ups exercerem tanto fascínio, mesmo após décadas de seu surgimento, são o fato do biótipo "encorpado" ser mais próximo das mulheres "comuns", a sensualidade ser baseada na insinuação e não na exibição propriamente dita do corpo e o clima bem humorado, presente principalmente nas ilustrações em que elas aparecem desempenhando diversas funções, entre os quais serviços domésticos de forma sexy e divertida. O estilo pin-up pode ser definido principalmente como uma questão comportamental, de mulheres que valorizam o famoso “sexy sem ser vulgar”. Em relação ao vestuário, pode-se dizer que o estilo se baseia na utilização de peças que valorizam a feminilidade e as curvas. De forma geral, pode ser dividido em dois tipos: as pin-ups clássicas e as modernas. Dentro desse nicho existem subdivisões, onde as pin-ups clássicas podem ser categorizadas como:

Chessecake – caracterizado principalmente por peças românticas e delicadas. Hollywood – inspirado no glamour dos looks hollywoodianos dos anos 50.

Alguns subestilos de pin-ups modernas podem ser categorizados em:

Rockabilly – peças inspiradas naquelas usadas pelos artistas do estilo. Tiki – prevalecem as estampas coloridas com motivos tropicais. Burlesco – investem em lingeries, corsets, rendas e transparências. Dark – quase um estilo gótico sensual, onde predominam as peças de cor preta.

As chamadas pin-ups modernas incorporaram também características provenientes da mudança nos padrões de beleza e da expressão visual como tatuagens, piercings e cabelos coloridos. O resultado é um visual ainda mais atraente.

Agora, por que em pleno século XXI, onde tudo é tão explícito e fotos e vídeos de mulheres totalmente nuas em poses das mais variadas estão disponíveis na internet ao alcance de um clique, tem ocorrido esse resgate tão intenso do estilo? A resposta pode ser a busca da mulher por um contato mais profundo com a própria feminilidade. Esse contato pode se dar de maneira mais superficial apenas por motivos de imagem. Ou como um gatilho para questionamentos mais profundos sobre até que ponto a representação feminina do corpo influência na construção do papel social da mulher.

O fato é que, mesmo sendo associado por alguns até mesmo a prática da submissão, o estilo pin-up ainda é valorizado por ser atribuído a mulheres seguras e de personalidade forte.

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Entre as mais famosas pin-ups do mundo estão também a modelo Bettie Page, que alcançou o estrelato nos anos 50 por seus ensaios fotográficos até mesmo com temática fetichista; a musa do cinema Marilyn Monroe, considerada a rainha do estilo pin-up hollywoodiano até hoje, com seu loiro impecável e bocão vermelho; Dita Von Teese, considerada a rainha do burlesco por ter reinventado o estilo pin-up, associando-o também ao fetichismo; a cantora Katy Perry, que despontou no meio musical com seu álbum “One of The Boys”, cuja foto de capa a lançou para o título de pin-up. A influência do estilo pode ser percebida até mesmo em seus trabalhos mais atuais. A cantora Christina Aguilera incorporou o estilo a sua vida marcando a influência principalmente com o clipe da música “Candyman”, onde encarna entre outras coisas uma pin-up navy (marinheira) e com o filme Burlesque, onde brilha ao lado de Cher; e por fim, quando se fala em representantes famosas do estilo pin-up moderna, não podemos deixar de falar de Amy Winehouse. A polêmica cantora londrina não só resgatou o clima retrô para a música atual como reinventou o estilo pin-up, mesclando todo o charme do jazz, a peças clássicas e olhos marcados com delineador a sua própria personalidade tatuada com o chamado penteado “colmeia”, inspirado no grupo vocal feminino pop sessentista The Ronettes.

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Bah Bee Paiva

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