baú de idéias

A minha mente pensa e acumula experiências, ai tento traduzir isso em palavras.

Hamilton Toledo

A cada palavra, cada frase, cada texto, um novo conhecimento. Esse é o poder transformador da leitura. Entramos de cabeça nela e saímos diferentes! Ler é um exercício de enxergar com o coração e sentir com a alma.
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RITA: QUEM A CONHECE, SE ENCANTA!

Essa mineira, filha de escritores e conhecida escritora do Vale do Paraíba. Seu livro mais famoso, a biografia da poetisa Cora Coralina, virou filme. Teve ainda o privilégio de ter um livro seu lido pelo Papa Francisco.


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Hoje eu decidi falar de Rita, essa conhecida escritora, romancista, poetisa, contista e cronista do Vale do Paraíba, que é minha mestra de Literatura, que é uma fotógrafa fantástica, apaixonada por árvores e amante da natureza, incansável pesquisadora da vida de vários escritores, sabe tudo de Cora Coralina, Monteiro Lobato, entre outros. É ainda jornalista, arqueóloga, filósofa e nas horas vagas adora fazer artesanato.

Mas quem é Rita? Rita Elisa Seda, mineira de Santa Rita do Sapucaí, filha de pai e mãe escritores, tomou gosto pela literatura desde muito pequena, influenciada evidentemente pelos pais. Sempre teve acesso aos livros dos autores mais famosos e gostava muito de ler. Como moradora do interior, cresceu ouvindo histórias e causos, era muito observadora, sempre foi muito detalhista e o mais marcante na sua personalidade, é uma aflorada sensibilidade e uma aguçada percepção da vida e carregou estes traços para sua escrita, e como já tinha o dna de escritora nas veias, daí para se tornar uma grande escritora foi um pulo. Humildade e religiosidade também a definem. Desenvolveu em sua escrita um estilo literário característico, que atende a um público mais diferenciado, amantes da literatura.

Ela deixou sua terra natal e foi para São José dos Campos, no Vale do Paraíba, onde depois de vinte anos, mudou-se para a Cidade de Goiás, cidade natal de Cora Coralina, onde permaneceu por sete anos para pesquisar sobre a biografia da poetisa, quando retornou para São José. Ela costuma dizer que é Santarritense de nascença, Joseense de coração e Vilaboense de Alma.

Tem 12 livros publicados, dentre eles, [email protected], romance, Retalhos de Outono, poesias, Desertos, poesias e Trófeu, crônicas. Escreveu três livros infantis, sendo que o primeiro deles, Fábulas para Seishum, dedicou ao neto, nas 44 fábulas, sua escrita foi “delicada como borboleta e profunda como os oceanos”. Esse livro fez tanto sucesso e foi tão intenso, que a autora recebia cartas e e-mails das crianças. Em uma dessas cartas, uma criança sem conhecê-la, desenhou a casa de Rita, onde ela escrevia, inclusive o balaústre. Pipa Guerreira foi outro livro infantil da mesma época. A autora se encontrou com cerca de 400 crianças, nas cidades de Araraquara e Cachoeira Paulista, interior de São Paulo, onde visitou duas escolas, onde os alunos já falavam e comentavam sobre os seus livros.

Seu livro mais famoso, a biografia Cora Coralina – Raízes de Aninha, foi escrita em parceria com Clóvis Carvalho Britto. A biografia conta, ao contrário do que se falava que a poetisa começara a escrever na velhice, que foram encontrados poemas e textos escrito por Cora quando ela tinha 16 anos. Na verdade, Cora publicou o primeiro e mais famoso livro Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, quando tinha 76 anos e só veio a ser conhecida aos 91 anos, descoberta por Carlos Drumond de Andrade. Primeiras poesias, textos e documentos inéditos, depoimentos de familiares e um acervo fotográfico compõem a obra. Fruto de 20 anos de pesquisa e entrevistas, o livro vai além dos limites biográficos. Quando morou na Cidade de Goiás, a autora conta que chegou a sonhar com Cora, e a poetisa teria mostrado a ela os locais onde estavam os documentos que estava procurando. O livro é um retrato fiel da vida humana e artística de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, que entrou para o rol das principais poetisas brasileiras de projeção internacional. Rita confessa que Cora Coralina foi a sua grande inspiradora.

O livro fez tanto sucesso que virou filme: Cora Coralina – Sobre Todas as Vidas, que deve ser lançado nos cinemas ainda no primeiro semestre deste ano, foi dirigido por Renato Barbieri, renomado diretor de documentários. No filme, além das atrizes que interpretam Cora, ainda conta com as narrações de Teresa Seiblitz, Zezé Motta e Beth Goulart.

“Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir e chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar, porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir” Cora Coralina.

Imaginem o privilégio para um escritor, ter um livro seu lido pelo papa. Foi o que aconteceu com Rita, com a sua outra biografia Nhá Chica Mãe dos Pobres.

Em 2012 foi convidada pela Editora ComDeus para escrever a biografia de Francisca de Paula de Jesus – Nhá Chica. O livro deveria ser lançado para a semana de beatificação de Nhá Chica, em maio de 2013. Em setembro de 2012, Rita teve um sonho com São Francisco de Assis e ele estava todinho de branco e sorria muito. Chegou à conclusão que devia fazer um link entre a vida de São Francisco e a de Francisca (Nhá Chica) e assim o fez. Quando o livro ficou pronto (fevereiro de 2013), veio a notícia da renúncia do Papa Bento XVI. Dali algum tempo, com a eleição do novo papa, ela entendeu que Francisco vestido de branco era um sonho profético anunciando o novo papa. A autora só ficou sabendo que o Papa Francisco tinha lido seu livro, quando recebeu em sua casa, uma carta oficial do Vaticano, lhe parabenizando pelo livro.

Participou do Arriba Leitura, uma ação do Projeto Social Transforma, da Agência Arriba! Comunicação de São José dos Campos, que tem como objetivo disseminar o hábito de leitura entre as crianças e sensibilizar jovens e adultos para a importância de serem motivadores dessa prática entre os pequenos. Seu livro Sonhos de Dançarina, que fez parte do projeto, conta a história como a lesma Jaque conseguiu pernas para realizar seus sonhos de dançarina. Essa fábula foi extraída do outro livro da autora Fábulas para Seishun. Foi criada a mascote Jaque para divulgar a campanha e assim como o livro, fez o maior sucesso entre a criançada. Foram distribuídos gratuitamente dez mil livros nas escolas e instituições da cidade e outras cidades do Vale do Paraíba e Sul de Minas.

Lançou recentemente pela Editora Com Deus, três livros que compõem a Série SerTão Brasil. ‘Pelos Ditos e não Ditos do Sapucaí’, tem a contação de estórias da cidade natal da autora, que governa o mundo imaginário do mineiro. - ‘Corixo Saudade’, é a expressão de uma comunidade ribeirinha mato-grossense, captadas pela a autora em sua viagem pela região isolada da cidade grande. - ‘Margem Grande’, traduz o isolamento do Ser em território paulista, baseado em personagem real, observado pela autora em suas andanças pelos sítios da sua região. Esta série traz a busca pela identidade regional através do dialeto popular, a cultura sociorreligiosa e uma pequena mostra de aculturação, imposta pelo transpor ao limite geográfico entre os estados.

Atualmente Rita ministra duas oficinas de literatura, onde dentre outros assuntos, aborda a aplicação da sinestesia. Ela é membro da Academia Valeparaibana de Letras e Artes de Taubaté, Academia Joseense de Letras, União Brasileira de Escritores e Confederação Brasileira de Letras e Artes. Dentre os vários prêmios que recebeu destaque para o Carlos Drummond de Andrade, Itabira (2011). Foi homenageada pela Câmara Municipal de São José dos Campos e pela Câmara Municipal da Cidade de Goiás, onde recebeu o título de cidadã Vilaboense. Também em São José, foi homenageada por duas escolas estaduais, como madrinha de suas salas de leitura, que receberam seu nome.

Foi entrevistada do programa Vanguarda Comunidade, da filial TV Vanguarda da Globo, em 2011, onde falou sobre seus livros infantis Fábulas para Seishun e Pipa Guerreira e também sobre a biografia da Cora Coralina e do programa Bem-Vindo Romeiro, da TV Aparecida, em 2013, onde falou sobre o livro de Nhá Chica, além de outras entrevistas já concedida na mídia. Já escreveu para diversas revistas e jornais do vale do paraíba.

Rita é além de tudo uma pessoa excêntrica. É apaixonada por árvores, já plantou mais de cem árvores, já fotografou outras centenas e mantém uma comunidade no facebook Árvores de Seda, só sobre árvores, onde consta fotos das mais antigas, bonitas e excêntricas árvores do mundo. Já visitou uma tribo indígena Carajá, em Aruanã-GO. Um de seus hobbies, se assim podemos chamar, é a fascinação pelas lendas urbanas. Dedicou uma parte de seu tempo ao longo de sua carreira, pesquisando e escrevendo sobre essas lendas das regiões onde morou e do Brasil todo, onde seu acervo já possui centenas delas. Histórias de fantasmas, lugares assombrados, enfim, coisas da imaginação do povo de cidade do interior. Rita jura que algumas delas são verdadeiras!. Destacamos em especial, a história da Variant vermelha, um carro que está abandonado no estacionamento na rodoviária de São José dos Campos há mais de dez anos, seus donos o teriam deixado lá, o casal seguiu viagem e teriam morrido em um acidente com o ônibus. Até aqui, podemos comprovar que é fato. Ocorre, que moradores próximos ao local, afirmam que ouvem barulhos estranhos dentro do veículo.

Assim é Rita Elisa Seda, uma escritora que coloca o coração na ponta da caneta. Mais do que isso, para mim é a tradução humana dos anjos. Ela costuma dizer que os nossos anjos estão em sintonia. Só sei dizer que sou seu fã.

“Escrever é um ato solitário, é colocar-se em palavras. Palavras são como folhas de plátano soltas ao vento... em direção aos novos horizontes, voando irreverentes sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem...sempre a favor do vento. Assim é o ato da escrita, deixar fluir palavras que, voando devagar, ao caírem, adubarão terras distantes.” Rita Elisa Seda.


Hamilton Toledo

A cada palavra, cada frase, cada texto, um novo conhecimento. Esse é o poder transformador da leitura. Entramos de cabeça nela e saímos diferentes! Ler é um exercício de enxergar com o coração e sentir com a alma. [email protected]
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