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Amanda Callian

Apenas alguém que leu demais para apenas continuar lendo, e em uma tarde qualquer, decidiu escrever algo que não começasse com "Era uma vez...".

Era uma vez o cigarro: o álcool como protagonista em um paralelo entre gerações

No panorama atual, entenda como a sensação de esgotamento da geração Y aliada à ansiedade e pressão da geração Z influenciam no consumo indiscriminado e crescente de álcool e substitui, o que foi para as gerações anteriores, o gosto pelo cigarro.


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Já não é novidade o consumo de álcool entre adolescentes cada vez em mais tenra idade. Difícil é encontrar pessoa que afirme ter experimentado o álcool após os seus 18 anos. E mais ainda, quem não tenha feito abuso da substância depois de experimentar.

Seja por pressão social ou por pura curiosidade, o jovem está cada vez mais inclinado a enveredar pelo caminho do alcoolismo, sem ao menos tomar consciência do que está fazendo. Vejamos aqui em um primeiro momento com dados estatísticos, o que se tornou alarmante no Brasil: a taxa de pessoas com o costume de beber subiu de 12,7% para 19,4%, enquanto, no mundo, ela desceu de 20,5% para 18,2%. Estamos na contramão.

O mais interessante de observarmos é que o ato de beber está muito naturalizado na nossa sociedade. Não é nada atípico que dentro da geladeira da casa do brasileiro esteja disponível ao menos uma lata de cerveja. Então, desde que crianças estamos acostumados quando o assunto é bebida. Seja para comemoração, assistir futebol, ou apenas conversar no dia a dia. Porém, na Universidade o assunto se torna mais sério. Pois é geralmente ali que se tem um contato mais recorrente com a bebida. Por exemplo, o Beber Pesado Episódico (BPE) já constitui um importante problema de saúde pública. Tanto pelas conseqüências negativas para o indivíduo e a sociedade, conforme demonstra este recente estudo.

Além disso, o abuso do álcool não é percebido como um problema. Muito longe disso, é considerado "cool". Postagens em redes sociais são cada vez mais comuns demonstrando status e poder ao serem consumidas bebidas caras em camarotes mais caros ainda, sempre acompanhados de excessos. Até mesmo na música podemos observar como este comportamento é exaltado e sempre muito presente, se passarmos a observar com mais atenção. Conforme a máxima: "As pessoas não são viciadas em álcool ou drogas, elas são viciadas em fugir da realidade. Todo excesso, esconde uma falta."

Temos uma história parecida com a trajetória do cigarro, que teve sua ascenção rápida e era estimulado pelos astros da indústria do cinema e até pouco tempo teve uma massiva propaganda. Hoje ela é proibida. Era sexy fumar. Hoje não é visto como saudável e tem um lugar específico em alguns restaurantes e boates. Mas já foi um sinal de status. Bem como tem ocorrido de forma parecida com a bebida. Vemos também propagandas muito sensuais, como as de estações do ano. Além disso, as consequências de uma geração de fumantes só tem sido vista na nossa. E as sequelas da nossa geração que bebe em demasia só poderá ser vista no futuro. Teremos que esperar mais uma geração de consequências para nos atentarmos para o que está ocorrendo hoje? Ou podemos ser conscientes agora?

Neste outro estudo, o que foi constatado sobre a percepção de universitários brasileiros sobre os riscos deste comportamento excessivo (BPE) é que 24,8% dos respondentes consideram-se um bebedor pesado. Uma parcela significativa dos universitários pratica o BPE. Dos que já praticaram o BPE, 75,8% responderam que repetiram esse consumo, e sua maioria tem uma baixa percepção do risco relacionado a esse comportamento.

Ou seja, hoje sabemos que conforme Drauzio Varella esclarece, que o alcoolismo é a perda do controle ao beber. Ou seja, quando há consumo de bebidas alcoólicas exagerado e sem controle. Então, já temos um alerta para as populações mais jovens que devem ter um alerta ligado quando aparecer este tipo de atitude e exemplos de sinais de resistência ao álcool e beber mais rápido do que os demais.

Caso você tenha identificado algum dos indícios ou em você ou em alguém que você conheça e precise de ajuda, você pode encontrar gratuitamente entrando em contato com os Alcoólicos Anônimos da sua cidade.


Amanda Callian

Apenas alguém que leu demais para apenas continuar lendo, e em uma tarde qualquer, decidiu escrever algo que não começasse com "Era uma vez...". .
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