blog do albino incoerente

falando sobre música, cinema, TV e literatura

Roberto Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário, doutor em dramaturgia norte-americana pela Universidade de São Paulo. Desde 2009 luta pelos direitos das pessoas com albinismo no Brasil, além de escrever sobre filmes, livros, séries e discos.

indietrônica neopsicodélica

O terceiro álbum do Foster The People é uma delícia junta-tribos


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Foster significa fomentar, induzir, encorajar, estimular; portanto, a noção por trás do nome do quarteto Foster The People é muito bonita: desabrochar o melhor nas pessoas. A ideia inicial, todavia, foi chamar o combo de Foster & The People, porque quem o fundou foi Mark Foster, em 2009, depois de alguns anos servindo mesas, se drogando e fazendo jingles em Los Angeles. Erro de interpretação/digitação de algum produtor de show e os norte-americanos passaram de um nome egocêntrico, para um mais inclusivo.

O Foster The People é da geração que explode devido a um vídeo divulgado na internet. No caso deles, em 2010, atraindo atenção de enormes conglomerados musicais. Dia 21 de julho de 2017, saiu o terceiro álbum da rapaziada: Sacred Hearts Club. Bem legal a indietronica neopsicodélica de boa parte da dúzia de faixas. A grande sacada de Sacred Hearts Club é seu poder de juntar tribos que a princípio pertencem a umas seis décadas. Claro que isso resulta em certa perda de foco e não se pode agradar tantas gerações ao mesmo tempo o tempo todo, mas o trabalho tem apelo para fãs de Maroon 5 a Daryl Hall, como em Doing It For The Money; para as viagens retro-eletro-oitentistas do M83, como na encerradora III ou para a tchaptchurice ingênua setentista de I Love My Friends.

Static Space Lover dá vontade de sair dançando por entre plantações de tulipa e satisfará fãs do Tears for Fears, fase Seeds Of Love. Isto posto, deve-se intuir que os anos 1960 carregam importante peso nesse mix. Os Beach Boys imperam como inspiração para ricas e mimosas harmonias. Em Lotus Eater essa influência vem mais safada, porque misturada com a inspiração guitarreira assanhada dos libidinosos The Hives. E quer coisa mais pós-moderna-junta tribo do que usar o casal-referência punk numa EDM, como em Loyal Like Syd And Nancy? O problema é que duvido que se juntem; só curtirá mesmo quem estiver mais afeito à electronica.

A dúzia de faixas de Sacred Hearts Club não escapa de um par de fillers, mas além das delícias citadas ainda traz duas canções memoráveis. A abertura Pay The Man usa ameaçadora base hip hop pra parir pop viciante, onde coisas acontecem o tempo todo no arranjo. SHC abre com ruidinhos eletrônicos, mas logo se transforma num aspirador de neurônios com sua melodia circular de guitarra digna do auge de Johnny Marr, dos Smiths.

Os bons momentos pop são inspirados e com uma limpeza de um par de canções e vinhetas, o terceiro longa do Foster The People é uma delícia.


Roberto Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário, doutor em dramaturgia norte-americana pela Universidade de São Paulo. Desde 2009 luta pelos direitos das pessoas com albinismo no Brasil, além de escrever sobre filmes, livros, séries e discos..
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