blog do albino incoerente

falando sobre música, cinema, TV e literatura

Roberto Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário, doutor em dramaturgia norte-americana pela Universidade de São Paulo. Desde 2009 luta pelos direitos das pessoas com albinismo no Brasil, além de escrever sobre filmes, livros, séries e discos.

A invasão belga continua

A Bélgica tem sido uma das queridinhas de telespectadores um pouco mais alternativos, nesses últimos anos. O pequenino reino contribuíra duas boas séries para o catálogo da Netflix brasileira: Tabula Rasa e La Trêve. Este ano, a empresa já adicionou mais dois títulos vindos do reino europeu.


Unité-42.jpg

Clique aqui para acessar a crítica às séries Tabula Rasa e La Trêve.

Undercover, aqui batizada de Operação Ecstasy, é a primeira produção belgo-holandesa da gigante do streaming. A província fronteiriça entre os dois nanicos e ricos países europeus é a maior produtora mundial de ecstasy e outras drogas sintéticas, uma espécie de Colômbia do primeiro mundo, com assassinatos ao ar livre e suborno a granel.

Baseada em fatos, Operação Ecstasy mostra um casal de policiais infiltrando-se numa espécie de condomínio rural, onde vive o chefão do tráfico local, com sua esposa e asseclas. A parte policial não poderia ser mais clichê: a tensão é gerada pelas desconfianças às vezes suscitadas pelos parças do narcotraficante e pelas saias-justas que o casal de tiras tem que passar.

Operação Ecstasy tenta adicionar ingredientes extras e interessantes, como possível ligação entre o casal de policiais e o desenvolvimento de um vínculo pra lá de afetuoso entre a policial e esposa do traficante. Infelizmente, nada é aprofundado, então é tudo mais do mesmo, totalmente esquecível.

Acresce que dez capítulos foram demais e o miolo da série tem problemas monumentais de ritmo.

Muito mais simpáticos, interessantes e divertidos são a dezena de episódios de Unidade 42 (2017), adicionados ao catálogo no começo de junho. Trata-se de um show de investigação policial, que não acrescenta nada ao cânone, mas agradará fãs de mistérios contemporâneos envolvendo informática, IA, chips, serial killers e afins.

O título refere-se à unidade de crimes cibernéticos da polícia belga, em Bruxelas. Um quarteto de tiras tem que lidar com diversos crimes, bem como alguns dilemas pessoais. O par central é o detetive durão, mas melancólico, Sam e a ex-hacker espoleta, mas atormentada por um segredo, Billie.

Sam está deprimido e sobrecarregado com três filhos para criar e ainda assombrado pela recente viuvez. Adepto às regras, tem que se acostumar com os jargões e práticas do novo mundo virtual e com alguns dos métodos nada ortodoxos de Billie, que, em muitos casos, não esconde sua admiração e respeito pelo criminoso.

Unidade 42 não se aprofunda demais no blábláblá tecnológico, de modo a agradar apenas aos nerds. Além disso, os policiais são gostáveis e apresentam características que os individualizam. Sem grandes firulas de produção, os roteiros, produção e atuações são eficientes, resultando em um procedural para fãs dos genéricos dos Criminal Minds e CSIs da vida, mas com sabor europeu.

A segunda temporada está em etapa avançada de produção, relata-se. É torcer para a Netflix adicioná-la ao catálogo assim que disponível.


Roberto Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário, doutor em dramaturgia norte-americana pela Universidade de São Paulo. Desde 2009 luta pelos direitos das pessoas com albinismo no Brasil, além de escrever sobre filmes, livros, séries e discos..
Saiba como escrever na obvious.
version 9/s/cinema// @obvious, @obvioushp //Roberto Bíscaro