blog do albino incoerente

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Roberto Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário, doutor em dramaturgia norte-americana pela Universidade de São Paulo. Desde 2009 luta pelos direitos das pessoas com albinismo no Brasil, além de escrever sobre filmes, livros, séries e discos.

Reinventando os anos 80 – parte III

Tuxedo é uma dupla norte-americana, cujos dois deliciosos álbuns, voltam aos áureos tempos do eletrofunk.


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Clique aqui para ler a parte I

Clique aqui para ler a parte II

Desde 2009, lançando álbuns, Mayer Hawthorne é produtor, arranjador, DJ, cantor e compositor em cujas veias corre o pop da Motown, de Daryl Hall, da disco music. Jake One é mais envolvido com rap e hip hop, desde seu álbum de estreia, White Van Music (2008).

Esses dois branquelos norte-americanos se juntaram no duo Tuxedo e lançaram álbum homônimo na primeira semana de março, de 2015. Sem qualquer traço de rap/hip hop, o trabalho é puro eletrofunk de início dos anos 80.

Jamais poder-se-á acusar o Tuxedo de original, mas também não deixam a festa retrô desanimar. As doze faixas pulsam com milhares de beats acompanhados de palmas e todos os truques e barulhinhos de quando Klymaxx, Shalamar, Earth, Wind and Fire e Kool & The Gang abundavam nas rádios.

R U Ready, I Got U e Get U Home batem os pés em continência ao gênio de Minneapolis até mesmo na ortografia. Um oitentista dificilmente fica imune ao baixo gordo e a guitarra funkeada à Evelyn Champagne King, de Number One.

Tuxedo não contém baladas, o mais lento que se chega é o mid-tempo deslizante de Two Wrongs (e dá-lhe mais palmas, dessa vez mais devagar) ou o sincopado instrumental de Tuxedo Groove. Não há faixa ruim, mas o forte de Tuxedo é nas em(baladeiras) de festas. Como resistir ao nananana de The Right Time ou à jam de Watch The Dance?

Tuxedo anima qualquer hora, celebrando a diversão, independentemente de o ouvinte ser oitentista. Basta amar um agito e uma boa vibe negra.

A maioria dos críticos musicais torce o nariz quando artista/banda não “evolui” de álbum a outro. De acordo com essa perspectiva, deveria haver linha progressiva de maturação no labor artístico, que positivamente refletiria suposta maturidade psicológica. É a arte percebida biologicamente, ou, como se supõe que indivíduos se desenvolvam.

Quando um álbum segue igual ao outro, frequentemente é criticado, porque falhou em exibir essa tal maturidade. Claro que o mesmo escriba que critica a repetição num álbum, pode declarar os Ramones como gênios, mesmo fazendo a mesma coisa a carreira toda. Argumentos são usados de acordo com a conveniência.

Em março, de 2017, exatos dois anos após o lançamento do delicioso álbum de estreia, saiu o laconicamente intitulado II, quase igual e tão gostoso como o de estreia. Não há muito a acrescentar aos comentários sobre o trabalho de estreia.

2nd Time Around promete que desta vez será melhor, mas é exagero, embora seja tudo muito bom e totalmente dançável. A maioria esmagadora das onze faixas dá vontade de sobrepor camadas de acessórios, roupas multicores, polaina, bandana, ou seja, “uniforme” dos anos 1980. Eletrofunk de alta rotação, tributário de Delegation, Saint Tropez e afins.

Só que dessa vez, há reclamação: Scooter’s Groove tem a linha de baixo mais perversamente descadeirante do ano e os caras fizeram uma faixa com menos de dois minutos.

Tuxedo II não traz nadinha de novo ao fervente caldeirão do duo, mas nem dá tempo de pensar nisso, quando se está dançando como se não existisse dia seguinte.

Na segunda semana de maio, a dupla disponibilizou a faixa The Tuxedo Way, que vez mais resgata o funk e o boogie de fins dos anos 70, início dos 80’s. Ainda não anunciaram álbum, mas parece que Hawthorne e Jake continuarão celebrando o bom suingue daquela era.


Roberto Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário, doutor em dramaturgia norte-americana pela Universidade de São Paulo. Desde 2009 luta pelos direitos das pessoas com albinismo no Brasil, além de escrever sobre filmes, livros, séries e discos..
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