blog do pensador

E assim caminha a humanidade...

Demétrio M. Rebello

Engenheiro, Psicólogo, Pesquisador, Professor, Palestrante, Escritor, Blogueiro, Publisher e... Pensador

O Apego e o Sofrimento

O sofrimento é uma condição possível e às vezes inevitável na experiência humana. Pensar sobre suas diversas formas de manifestação nos ajuda a entendê-lo e talvez a superá-lo. Para a filosofia Budista a base da causa do sofrimento é o apego e este pode entrar na cena da vida através de diversas roupagens, como o apego a pessoas, a momentos, a coisas...


O Budismo não é uma religião, como tradicionalmente conhecemos uma, mesmo porque não prega a existência de um Deus. Para os budistas, “que tipo de Ser nos criou para morrermos, passarmos por tanto sofrimento e dor ? “ O Budismo pode ser melhor entendido como um sistema religioso-filosófico de ética e moralidade que valoriza um abster-se do ego.

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Para o criador do Budismo, Siddharta Gautama (o Buda) que viveu aproximadamente no ano 500 a.C., “o sofrimento é uma condição fundamental de toda existência, sendo a base de sua causa o apego ”; já o apego em nosso mundo pode se manifestar de diversas formas: o apego a pessoas, a momentos, ou a coisas.

Quando pensamos no apego a pessoas é interessante observarmos como podemos aproximar (e porque não, confundir) os conceitos de apego e de amor. Há quem acredite que quem não tem apego por alguém não pode nunca amar esse alguém; outros há que acreditam existir sim a possibilidade de uma pessoa não ter apego por outra, amando-a, o que, em sendo verdadeiro, deve ser algo difícil de alcançar já que exige da pessoa um alto grau evolutivo.

Quando pensamos no apego a momentos é interessante percebermos que como a maior fonte de motivação das atividades humanas são as emoções, sempre que as atingimos queremos “prender esse momento“ para tê-lo eternamente conosco. Fazemos isso, por exemplo, através do uso de fotografias, filmagens, gravações, etc... e é justamente aí que a figura do apego aparece.

As fotografias, filmagens, gravações, etc... são formas que encontramos de congelar o tempo, de guardar para sempre os momentos de alegria e de emoção para que esses sobrevivam, não vão mais embora de nossas vidas. É apenas uma das diversas formas de apego.

Por fim quando pensamos no apego a coisas é fácil perceber que falamos de objetos que preenchem aquilo que se constitui em fontes de nossos desejos: carros, roupas, joias, etc...

Quando finalmente juntamos essas diversas formas de apego à constatação da natureza da vida que nos mostra que tudo é efêmero e passageiro percebemos que...

• as pessoas se modificam, crescem e geralmente vão embora de nosso convívio diário;

• os momentos nunca se repetem, podem até voltar a acontecer de forma parecida a como foram no passado, mas nunca serão os mesmos, nunca serão iguais àqueles momentos vividos;

• as coisas envelhecem, são finitas, se deterioram, acabam;

...e daí o sofrimento surge.

Na essência somos uma individualidade e só podemos contar prá valer com a gente mesmo. Colocado de outra forma, nossa completude pode e deve ser buscada em nós mesmos e não nas outras pessoas, ou nos momentos de alegria vividos, ou nas coisas que temos ou que tivemos, sob pena de incorrermos em sofrimento.

Somos os únicos responsáveis pelo contar de nossa história.

Nesse ponto fica difícil não lembrar de uma inesquecível e talvez “eterna“ poesia de Jorge Luiz Borges, “Instantes “ que em dado momento escreve: Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver trataria de ter só bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora.

Disso é feita a vida, só de momentos. Nada se repete e nada será como antes, como “diz “ a velha e bonita música do compositor e cantor brasileiro Milton Nascimento.

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Como a saudade é inevitável, talvez um dos “segredos da vida “ seja realmente aproveitar com intensidade cada momento da vida como sendo ( e é ) único, sem querer aprisioná-lo ou contê-lo de alguma maneira. Simplesmente deixá-lo fluir, senti-lo, vivê-lo, pois cada momento nessa vida é único e irreproduzível.


Demétrio M. Rebello

Engenheiro, Psicólogo, Pesquisador, Professor, Palestrante, Escritor, Blogueiro, Publisher e... Pensador.
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