blog do pensador

E assim caminha a humanidade...

Demétrio M. Rebello

Engenheiro, Psicólogo, Pesquisador, Professor, Palestrante, Escritor, Blogueiro, Publisher e... Pensador

A BUSCA PELA UNIDADE

Seriam a paixão e o amor elementos de ligação entre nós, seres humanos, e algo maior que nos constitui, ou que, em essência, constituímos ? O beijo e o abraço forte, apaixonado, não lembram elementos de busca de um entrar no outro, de um penetrar, buscando uma situação de fusão, de um se tornar um só ? Muito além dos elementos racionais e sensitivos do prazer como resposta simples a essa pergunta complexa, parece haver algo maior.


O beijo é uma das formas mais íntimas de duas pessoas se relacionarem. Através do beijo olhos se falam, mesmo na escuridão, no silêncio, almas se aproximam e se tocam, o calor e o perfume dos dois se torna um só, corpos se penetram e se fundem.

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Essa ”busca pela unidade “, ou essa busca inconsciente pela unidade, existe não só no beijo, mas também na relação (sexual) entre duas pessoas; se busca o entrar no outro, o se fundir, o se tornar um só ( o Uno ).

Através do beijo dois corpos literalmente entram um no outro; na relação sexual também. O abraço forte e profundo dos amantes apaixonados lembra a busca por uma fusão, pelo se encaixar, pelo se tornar um só; é quando cada corpo de cada pessoa, de maneira individual, busca se tornar um só corpo, com o(a) outro(a).

O abraço forte entre dois amantes apaixonados se mistura ao beijo e ao desejo. A força dos corpos em abraço, um buscando o calor do outro em intensidade, é a própria essência do contato físico, intimo, sexual que busca o entrar no outro, o se fundir, o ser um só.

O contato físico é, por consequência, parte essencial de toda essa magia, mas... por que ?

A resposta baseada no simples prazer sensitivo que nasce desse contato físico parece não considerar em profundidade a própria natureza complexa do ser humano. Muito além do prazer físico, sensitivo, parece existir um forte desejo inconsciente de ambos se tornarem um só; de se fundirem.

Essa visão da Parte (uma pessoa) que busca o Todo (a união/fusão entre duas pessoas), também pode ser observada em várias tradições filosóficas orientais que entendem o ser humano como parte de um grande elemento, Parte de um Todo.

Essas tradições veem a vida como uma eterna busca pelo “retorno para casa “, retorno esse que se constitui exatamente no fato de a Parte voltar a se fundir, voltar a “pertencer “ ao Todo, ao elemento universal.

Sendo a paixão, e depois o verdadeiro amor, elementos que nos conectam ao intangível, ao mundo dos sentimentos e das ideias, parece natural perceber essas relações de paixão e de amor como sendo elementos de ligação entre nós, seres humanos, e essa “realidade “ subjetiva e inconsciente que permeia nossas vidas.

Essas mesmas tradições filosóficas orientais entendem que antes de nascermos fizemos parte de uma grande individualidade, de um Todo, e que o ato de vivermos tornou necessária a existência da figura do indivíduo, da Parte, porém mantemos dentro de nós, não obstante seja de maneira inconsciente, essa noção sobre nossa fonte original, nossa forma original, primordial; então tudo o que vemos e vivemos na vida, que nos remeta à nossa forma original, nos atrai profundamente !

Talvez exatamente aqui entre em cena as figuras da paixão e do amor verdadeiro; elementos importantes deste retorno, desta buscada fusão.

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Enfim, essa talvez seja apenas mais uma das várias magias da vida idealizadas pelo Grande Brincalhão.


Demétrio M. Rebello

Engenheiro, Psicólogo, Pesquisador, Professor, Palestrante, Escritor, Blogueiro, Publisher e... Pensador.
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