blog do pensador

E assim caminha a humanidade...

Demétrio M. Rebello

Engenheiro, Psicólogo, Pesquisador, Professor, Palestrante, Escritor, Blogueiro, Publisher e... Pensador

Massada

Poucas são as passagens da história humana que dispensam comentários e provocam nosso mais profundo respeito, merecendo nossa reflexão e silêncio. A história que se desenrolou no século I em Massada, uma fortaleza existente em um monte localizado no Deserto da Judeia, Israel, próximo ao Mar Morto, é um exemplo disto.


No ano zero do mundo ocidental, ou seja, quando contamos o tempo a partir do calendário cristão, toda a Terra Santa que compreende os atuais Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza, entre outros, se encontrava sob o domínio dos romanos desde aproximadamente o ano 63 a.C.

No ano 69 d.C ocorreu na região a 1.ª Grande Revolta Judaica quando os judeus se rebelaram diante da opressão romana em razão dos altos tributos cobrados e das tensões religiosas, entre outras razões.

Essa revolta terminou quando Tito, comandando legiões romanas, sitiou e venceu os judeus em Jerusalém, incendiou toda a cidade e mandou destruir completamente o Templo de Salomão (ou Templo de Jerusalém) restando dele, modernamente, somente seu muro ocidental (ou muro das lamentações), local de orações mais sagrado do judaísmo.

Destruído seu Templo pela 2.ª vez (a primeira havia sido em 586 a.C pelo Rei Nabucodonosor da Babilônia), algumas importantes lideranças dos judeus fugiram de Jerusalém para Massada, uma primitiva fortaleza existente em um monte inexpugnável no deserto da Judéia, próxima ao Mar Morto; os romanos foram em seu encalço.

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Por ser uma montanha alta, íngreme e com praticamente um único acesso, a conquista de Massada se tornava algo muito difícil para uma tropa vinda de baixo (os romanos) e que já contava com seu inimigo instalado e armado na parte de cima (os judeus).

O fato é que no ano 73 d.C, na época da primavera, Massada acolhia em contexto de guerra cerca de 1000 judeus entre guerreiros, mulheres e crianças, todos sob o comando de Eleazar ben Yair, que resistiam havia dois anos a constantes ataques dos romanos no cenário final da 1.ª Grande Revolta Judaica (todos os demais focos de resistência dos judeus já haviam sido dominados pelos romanos).

Passados esses dois anos de batalhas, o comando militar romano idealizou e iniciou a execução de uma nova forma de ataque aos judeus de Massada. Foi começada a construção de uma muralha com três metros de altura ao redor da montanha, ou seja, uma muralha que cercava Massada e que continha torres espaçadas ao longo de seu comprimento.

No lado da montanha voltado para o Mar Mediterrâneo (lado oposto ao Mar Morto) havia um penhasco em cota elevada chamado Penhasco Branco. A partir dali os “engenheiros “ das tropas romanas idealizaram a construção de uma rampa (a direita, na foto abaixo) que terminaria próxima ao topo de Massada, obra essa que foi então iniciada.

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Para proteger os soldados encarregados dessa construção dos ataques dos judeus, uma torre com cerca de 30 metros de altura foi também construída e instalada no alinhamento da muralha; sobre essa torre soldados romanos disparavam sobre os judeus, enquanto a construção da rampa era avançada. Agindo dessa forma os soldados romanos chegaram a uma primeira muralha que protegia os judeus e que foi atacada por golpes de aríete.

Rompida essa primeira muralha os soldados avançaram e perceberam haver uma segunda muralha, essa interna, construída com peças em madeira e pedra, o que absorvia os golpes de aríete. Essa segunda muralha foi então queimada.

Desde o início da construção da grande rampa a partir do Penhasco Branco os judeus começaram a perceber que seu fim estava próximo já que as tropas romanas, além de terem um número muito superior de soldados que os judeus, se encontravam muito melhor armadas. Deliberando a respeito, todos decidiram que seria melhor morrerem por si próprios, do que serem mortos pelos romanos, ou pior, escravizados por esses.

Tomada a decisão, os combatentes judeus passaram então a sacrificar suas mulheres e crianças, e depois a si próprios, até restarem apenas 10 deles, entre eles seu comandante Eleazar ben Yair. Então atearam fogo ao palácio que ali havia para lhes servir de base, e que anos antes tinha sido construído pelo Rei Herodes, o Grande, para servir-lhe como Palácio de Verão.

A seguir, decidiram qual deles sacrificaria os nove restantes, e isso foi feito; depois disso o último deles se lançou sobre sua própria espada ao lado de sua família morta.

Quando os soldados romanos venceram a segunda muralha que protegia os judeus e penetraram no topo de Massada, encontraram a montanha coberta por um profundo silêncio.

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Das ruínas do palácio surgiram apenas uma senhora idosa (parente de Eleazar) e cinco crianças pequenas; todas haviam se escondido, tendo sido as únicas sobreviventes dessa impressionante passagem da história.


Demétrio M. Rebello

Engenheiro, Psicólogo, Pesquisador, Professor, Palestrante, Escritor, Blogueiro, Publisher e... Pensador.
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