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Felipe Pedrosa

Felipe Pedrosa, ou simplesmente Pedrosa, é jornalista por formação, pós-graduado em jornalismo cinematográfico por opção, aficionado por música, cinema, televisão e literatura, e bastante curioso.

Ela não vai voltar

A política brasileira foi um dos assuntos mais comentados neste 2015 — tanto pelos defensores do atual governo quanto pelos representantes da oposição. Em meio ao som ensurdecedor das panelas, a diretora Anna Muylaert lançou o filme "Que Horas Ela Volta?", que é um retrato do Brasil atual.


ela1.jpgPandora Filmes/Divulgação

A classe média alta, deitada sobre o suor dos seus antepassados e brincando de ser fashionista, vai questionar incessantemente quando a classe C voltará a ser inferior — vivendo em um quartinho de empregada, alimentando-se de produtos de baixa qualidade, sentando-se do lado oposto dos empregadores e sucumbindo a todas as vontades do detentor do contracheque. A feliz notícia, neste 2015 de crise econômica, é que os “menos favorecidos” partiram. E, ao contrário do que vimos há 17 anos, com o premiado “Central do Brasil”, partiram de avião, segundo retratado no filme “Que Horas Ela Volta?”, da diretora e roteirista Anna Muylaert.

O quartinho de empregada, onde Val (Regina Casé) foi inconscientemente escravizada por 13 anos, não serve mais. Ela, agora, é capaz de pagar um aluguel e não necessita mais morar na casa dos patrões.

O sorvete de chocolate com amêndoas — ou qualquer outro produto alimentício destinado ao público A — não é mais uma regalia do playboy Fabinho (Michel Joelsas). A pernambucana Jéssica (Camila Márdila), afastada da matriarca que foi trabalhar em São Paulo para lhe dar melhores condições de vida, atualmente, pode degustar o mesmo sorvete, beber Chandon e frequentar a baladinha top da zona Sul. Basta ela querer viver essa ostentação desnecessária!

E, se os modos de outrora determinavam que empregado não sentava-se na mesma mesa que o empregador, a madame fashion Bárbara (Karine Teles) teve que engolir o fato da filha da empregada não ter sido domesticada no seu universo preconceituoso, em que os “menos favorecidos” são cruelmente comparados a ratos. A classe C, quando a pseudo-nata da sociedade menos esperava, ocupou uma cadeira universitária, tomando o lugar que seria do filho da burguesia, nadou de braçada na piscina da vaidade e, ao perceber a pirraça dos batedores de panelas, virou as costas e caminhou sem olhar para trás — quem está na chuva é para se molhar!

A classe C de fato pediu conta do lugar de submissão. E, enquanto os herdeiros da nobreza fecham os olhos para essa nova realidade, tentando inclusive deslegitimar as conquistas da classe C, Val (o povo brasileiro) toma café no jogo de xícaras que havia dado para os patrões, mas que foi tomado de volta após ter sido desprezado. Assim como seu lugar na sociedade!


Felipe Pedrosa

Felipe Pedrosa, ou simplesmente Pedrosa, é jornalista por formação, pós-graduado em jornalismo cinematográfico por opção, aficionado por música, cinema, televisão e literatura, e bastante curioso..
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