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Tudo Quanto É Assunto!

Felipe Pedrosa

Felipe Pedrosa, ou simplesmente Pedrosa, é jornalista por formação, pós-graduado em jornalismo cinematográfico por opção, aficionado por música, cinema, televisão e literatura, e bastante curioso.

Feito uma pipa

Nós, seres amparados, criticados e aconselhados por tantos criadores, voaremos durante um bom tempo ligados pelo cordão umbilical. Mas chegará o momento em que esse fio será arrebentado. E, a partir daí, vamos voar sozinhos.


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A pipa é uma metáfora perfeita do ciclo de vida do ser humano. Antes de ganhar o céu, por exemplo, ela precisa ser cuidadosamente fabricada, desde a escolha do bambu até a lapidação das varetas, o esticamento do plástico ou da seda e, para finalizar, o tamanho correto da rabiola — não adianta nem tentar, pois ela sempre deverá ser proporcional à pipa.

Nós, seres desenvolvidos dentro das memórias e regras de uma sociedade, antes de ganharmos o mundo, também somos cuidadosamente construídos, desde as influências familiares, passando pelo conceito da moral e ética, e formando, enfim, o caráter. E, assim como a pipa vai refletir a destreza, o conhecimento e o cuidado do seu criador, nós seremos reflexo dos nossos educadores — por mais que não queiramos, o subconsciente carrega as boas e as más influências!

Pronta, a pipa poderá ganhar os céus, resplandecendo as (im)perfeições, cores de alegria e dançando no ritmo dos ventos. Sempre ligada à linha do seu tutor, ela vai para onde ele quer, direita ou esquerda – o criador está no comando! Nós, seres influenciados pelos preceitos da sociedade, quando ganhamos o mundo, somos guiados pelos nossos criadores, obedecendo, respeitando e traçando o caminho sonhado por eles. Dançamos, não conforme o vento, mas no ritmo de tudo o que nos foi ensinado.

Lá no alto, a pipa encontrará barreiras para se manter vistosa. O vento, por exemplo, vai mudar de direção, e o controlador da linha terá que saber contornar as adversidades para mantê-la deslizando nos céus. E, embora tudo pareça perfeito, outras pipas vão surgir e, na primeira oportunidade, vão tentar derrubá-la. No mundo, enfrentamos os mesmos percalços. O trabalho, a vida amorosa e os relacionamentos familiares, às vezes, nos levam para um lado não tão simples de ter o controle. E, em qualquer que seja o ambiente, sempre haverá pessoas tentando nos derrubar.

Contudo, apesar das diferentes direções do vento, da previsão de chuvas e tempestades, da luz do sol que derrete a visão ampla, a pipa ainda está ligada ao seu criador por meio da linha. Ela ainda poderá ser controlada e, aos poucos, ganhar de novo a estabilidade tão sonhada. Só que, quando menos esperamos, esse mesmo fio é arrebentado, e a pipa vai planar pelos céus, meio que descontrolada, até descobrir novos solos, encontrar outras pipas e, mais uma vez, poder voar com toda destreza.

Nós, seres amparados, criticados e aconselhados por tantos criadores, voaremos durante um bom tempo ligados pelo cordão umbilical. Mas, chegará o momento em que esse fio será arrebentado. E, a partir daí, vamos cambalear, perder a direção e, quiçá, cair. Quando isso acontecer, estaremos prontos para descobrir novos solos, encontrar outra pipa que queira voar e, enfim, ganhar os céus com que tanto sonhamos.


Felipe Pedrosa

Felipe Pedrosa, ou simplesmente Pedrosa, é jornalista por formação, pós-graduado em jornalismo cinematográfico por opção, aficionado por música, cinema, televisão e literatura, e bastante curioso..
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