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Felipe Pedrosa

Felipe Pedrosa, ou simplesmente Pedrosa, é jornalista por formação, pós-graduado em jornalismo cinematográfico por opção, aficionado por música, cinema, televisão e literatura, e bastante curioso.

Um disco sobre amor

Do começo ao fim, o primeiro disco do Barão Vermelho discorre sobre o amor. Cazuza, que está no auge de seus 24 anos, deixa a pulsação de vida evidente nos tons da voz, nas letras viscerais e na postura artística.


cazuza.jpgReprodução

Em setembro de 1982, o disco de estreia do “Barão Vermelho” chegou ao mercado fonográfico pela Som Livre. Gravado em apenas dois dias, todas as letras contam com o dedo poético de Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza. Na época, o compositor e cantor estava no auge de seus 24 anos e, talvez por isso, as letras das canções desse álbum trazem a pulsação de vida, a busca por um foco, a esperança de um romance, a necessidade de mudança — como se elas não estivessem acontecendo.

Os versos “vem viver comigo, vem me experimentar, me experimenta”, que são gritados na faixa “Posando de Star”, imprimem a necessidade de um amor independentemente do que as pessoas vão pensar e totalmente fora da razão. Porém, logo em seguida, a “Down Em Mim” traz um sujeito decepcionado, que vê nesse novo relacionamento “a versão nova de uma velha história”. E, como sempre há de ser, o apaixonado boêmio se vê bêbado, tentando esquecer a sua própria existência. Afinal, “pega mal sofrer”.

Engasgado, com raiva e debochado, Cazuza dispara com “Conto de Fadas” a sua insatisfação com a escolha do outro: “vai rasgar os meus retratos e chorar sozinha no quarto. Se lembrando, duvidando, planejando um futuro normal, que mal”. Mas, como sempre acontece, outros abraços e beijos podem sanar momentaneamente a dor. Assim, “Billy Negão” aparece com seu jeito durão e sua malandragem carioca. Festas, crimes, drogas…

“Eu vou viver, vou sentir tudo. Eu vou sofrer, eu vou amar demais”, discorre o compositor, em “Certo Dia na Cidade”, em um dos poucos momentos em que a melodia é mais introspectiva. Ele chega, logo depois, com “Rock’n Geral”, tentando reforçar a autossuficiência do jovem, mas acaba questionando: “hey, mama, can’t you hear my cry?”.

“Ponto Fraco”, ponto fraco, ponto fraco… Todo mundo tem o seu, e nessa faixa o jogo é duro com o coração. E não era por menos. Afinal, “benzinho, eu ando pirado. Rodando de bar em bar”. O descontrole sentimental, contudo, é ainda mais evidente em “Por Aí”. O poeta, em tom melancólico, diz: “é que eu tô sozinho há tanto tempo que eu me esqueci: o que é verdade e o que é mentira dentro de mim”.

Perto do fim do álbum, que coincidentemente ou não tem a capa vermelha, “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” é um mantra para todo e qualquer sujeito que deseja um “amor tranquilo, com sabor de fruta mordida” e queira “um remédio que dê alegria”. Só que amar verdadeiramente não é tarefa fácil! Por isso, “Bilhetinho Azul” é a despedida do disco e a despedida de alguém que, durante algum tempo, lhe fez bem.

“Como pode alguém ser tão demente, porra louca, inconsequente e ainda amar. Ver o amor, como um abraço curto para não sufocar.”


Felipe Pedrosa

Felipe Pedrosa, ou simplesmente Pedrosa, é jornalista por formação, pós-graduado em jornalismo cinematográfico por opção, aficionado por música, cinema, televisão e literatura, e bastante curioso..
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