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Música, arte, literatura, caos e coração

Vanessa Trincheira

Os ideais surgem das ideias!
Vanessa Trindade Teixeira - assistente social e escritora iniciante

Até quando você vai levando?

Se o título desse artigo te fez recordar de uma poética música de “Gabriel, o pensador” é porque já atingi grande parte do meu objetivo. Uma das reflexões que aqui sugiro vem da proposta do rapper sobre o não conformismo diante dos fatos e a esperança na “mudança de atitude”. Algumas letras de Gabriel revelam grande insatisfação com a pobreza, injustiça, violência, corrupção, e outras apelam à motivação da esperança na transformação social do povo brasileiro. Vale a pena conferir neste artigo as principais canções de Gabriel, que devem ser lembradas, mas em comum a todas elas existe o valor inestimável do tempo, que não volta para nos refazermos, então “Até quando você vai levando?”. Pare de adiar!


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ATÉ QUANDO?

A pergunta é do título de uma canção de “Gabriel, o Pensador”, Itaal Shur e Tiago Mocotó, mas faz alusão ao refrão de uma outra famosa música da Banda Plebe Rude: “Até quando esperar e até me ajoelhar esperando a ajuda de Deus”, que investe numa crítica social similar. Gabriel ensina que “Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta”, e isso ecoa no refrão dessa canção “Até quando você vai levando porrada, porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada?”; no trecho “Até quando você vai levar cascudo mudo? Muda, muda essa postura! Até quando você vai ficando mudo? Muda que o medo é um modo de fazer censura!” e no último parágrafo: “Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente, A gente muda o mundo na mudança da mente, E quando a mente muda a gente anda pra frente, E quando a gente manda ninguém manda na gente! Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura! Na mudança de postura a gente fica mais seguro, Na mudança do presente a gente molda o futuro!”.

Muitas letras escritas por “Gabriel, o pensador” demonstram sua revolta com a organização social brasileira, como as do último álbum (Sem crise, 2012): CHEGA! e NUNCA SERÃO. Outras músicas que mostram a contradição entre as condições de vida e a(s) exigência(s) de trabalho, honestidade e honra são: PATRIA QUE ME PARIU, NÃO DÁ PRA SER FELIZ (MENINO GUERREIRO), O RESTO DO MUNDO (de grande sucesso em Portugal e Angola), TEM ALGUEM AÍ?, É PRA RIR OU CHORAR?, MÁRIO e CARA FEIA. A canção “ESPERANDUQUÊ” repete a pergunta de “até quando’ já que denota o conformismo humano.

Apesar do lado cômico de Gabriel em “Retrato de um Playboy” e “Dança do desempregado” e de seu viés criticado como machista e imaturo em “Lôrabúrra”, “Nadegas a declarar”, e em outras músicas sobre mulheres e surfismo.

Algumas músicas de Gabriel nos dão ESPERANÇA com abordagem mais positivas e que incitam a busca de uma vida melhor, a realização dos desejos e a luta contra o tempo. Só para citar alguns exemplos temos:

1) “Sem parar” Se a vida é uma luta, não podemos mais perder tempo, segundo essa música: “Vai na marra, vai na garra, vai em frente. E se agarra no seu sonho com unhas e dentes.”;

2) “Tempestade” Partindo-se da ideia de que passamos por grandes dificuldades na vida, se faz um alerta: “sem perder a perseverança, sem perder o equlíbrio na balança, sem perder a humildade na bonança, que depois da bonança vem tempestade, cumpádi”

3) “Dentro de você” A lição de autoestima e ao mesmo tempo de coragem se faz a partir das frases: “Aprenda a viver. Descanse quando morrer. Tudo que você precisa está dentro de você”, “Amores te complememtam e te dão afeto mas cê sozinho já é completo. E poderoso. Acredite!”

4) “Linhas tortas”: Esta música foi escrita em resposta a um conflito, em que apesar da tentativa da desvalorização do cantor (pela negação de um cachê anteriormente acordado) só o fez ainda mais confiante. Conta um pouco da trajetória de Gabriel na cultura do hip hop e na literatura e sobre a realização de seus sonhos. Certamente uma das músicas de maior inspiração aos artistas que desejam carreira similar.

5) “Palavras repetidas” Esta composição contém uma significativa homenagem à Banda Legião Urbana, que reconheceu que usa “palavras repetidas” na letra da música “Quase sem querer” e que em outro som (Pais e filhos) criou o famoso bordão aproveitado por Gabriel: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”. O cantor ainda faz uma referência inspirado na música “Monte Castelo” no trecho “ainda que eu falasse todas as línguas”. Essa canção resume as críticas sociais de Gabriel.

6) “Fé na luta” O som do álbum de 2012 (Sem crise) passa a mensagem final de que “O bem é mais forte que o mal”, portanto, decida até quando poderá ir levando sua vida, mas não perca muito tempo com isso, pois saiba que fora dos problemas há milhões de oportunidades lindas no mundo para nos refazermos!


Vanessa Trincheira

Os ideais surgem das ideias! Vanessa Trindade Teixeira - assistente social e escritora iniciante.
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