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Música, arte, literatura, caos e coração

Vanessa Trincheira

Os ideais surgem das ideias!
Vanessa Trindade Teixeira - assistente social e escritora iniciante

Sete ensinamentos de Lulu Santos

Descobridor dos sete mares, Lulu Santos navega por campos das ciências humanas bem pouco explorados, e embarca nas aguas das lagrimas de dores e de sofrimento psíquico com uma sensibilidade admirável, percorrendo com maestria diversas reflexões sobre a frieza do conturbado comportamento humano, a inquietude do amor e das paixões, e até algumas vezes contornando verdadeiros icebergs congelantes de conformismo e estabilidade, provocando fluidez e transformações.


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1) “Tudo muda o tempo todo no mundo” (Como uma onda)

A música mais famosa do pop rock brasileiro chama atenção para os altos e baixos da dinâmica da vida, enfatizando que “tudo passa”, e que “não adianta fugir, nem mentir para si mesmo”, pois temos que lidar com nossos oscilantes sentimentos internos, e ao mesmo tempo nos abrir para perceber as novas possibilidades, e toda abundancia do mundo exterior.

2) “O que eu ganho e o que eu perco, ninguém precisa saber” (Apenas mais uma de amor)

O compositor sugere que se deixe o sentimento de amor por alguém “subentendido”, sempre que essa ideia não tiver nenhuma “condição” “pretensão” ou “obrigação” de se concretizar. A canção também reconhece que se pode aceitar “que seja fraqueza” toda alegria que se recebe em silêncio, e que possa causar encantamento, e finaliza incentivando que, caso se torne uma desilusão, que se possa sofrer essa dor e exercer a função do esquecer também em segredo.

3) “É bobagem a mania de fingir negando a intenção” (Um certo alguém)

Mais uma vez se canta sobre autenticidade e autonomia frente aos desejos, pois não devemos nos sabotar quando encontrarmos “um certo alguém” tão especial que “nos desperte sentimentos”. Assim a mensagem que nos fica é de que “é melhor não resistir, e se entregar”.

4) “Tudo que cala fala mais alto ao coração” (Certas coisas)

Numa das letras mais poéticas do cantor se dá importância à coexistência de situações contraditórias e de mutua dependência (som x silencio; luz x escuridão; não x sim; medo x desejo) explicitando que em relação ao amor, nem tudo se fala, e muito do que se cala, se sente.

5) “Vamos nos permitir” (Tempos modernos)

Uma análise esperançosa e até utópica da sociedade pressupõe a visão de uma vida “melhor no futuro”, “mais clara e farta”, e novamente se fala da necessidade do amor, da ” força que tem uma paixão”, e de votos otimistas para todos, pois o ininterrupto tempo “voa” e “escorre pelas mãos” sem que a gente sequer perceba, e por isso, “vamos viver tudo que há pra viver”, nos libertando de pensamentos negativos e focando somente em coisas boas, sem restrições, proibições ou incertezas.

6) “Tolice é viver a vida assim sem aventura” (Último romântico)

O imediatismo e a busca exacerbada pelo prazer se chocam com a necessária maturidade do romantismo, em que muitas vezes é preciso uma boa dose de realidade (“acordar”) e “ser gente grande para poder chorar” (para suportar suas dores). Assim, em se tratando de amor, é melhor não ter muitas expectativas e se focar na simplicidade do beijo, e na cumplicidade do aperto de mãos. A sabedoria pressupõe coragem para se arriscar, e a loucura assim, seria mais admissível que qualquer desejável racionalidade imposta.

7) “S.O.S. Solidão” (Aviso aos navegantes)

Por fim, devemos observar o teor altamente apelativo dessa curiosa previsão que Lulu Santos realizou quando escreveu sobre o suposto isolamento que a tecnologia contemporânea nos impõe. O “aviso” para estas pessoas muito concentradas e dedicadas em estabelecer relações afetivas no mundo virtual também é um pedido desesperado de socorro, pois quanto mais se amplia o dialogo via internet, mais individualizados e egoístas nos tornamos.


Vanessa Trincheira

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