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Música, arte, literatura, caos e coração

Vanessa Trincheira

Os ideais surgem das ideias!
Vanessa Trindade Teixeira - assistente social e escritora iniciante

AMY WINEHOUSE: ATÉ QUE PONTO PODEMOS DAR VOZ À NOSSA LOUCURA?

Amy foi um fenômeno não só para o Jazz e Soul. Ela nos ensinou que é mais fácil ter reconhecimento do nosso talento sendo autêntica, mesmo quando excêntrica. Apesar de ser acometida por brandos problemas psicológicos, o rumo que tomou na vida fazia ela acreditar que ao mesmo tempo que estava sendo constantemente pressionada, era feliz, realizada e afortunada, e ela realmente expressava essa emoção na sua voz e em cada composição que criou com muito empenho e dedicação. Então esse texto busca um esforço de compreender a Amy para além de sua loucura e amargura, buscando analisar muitas possibilidades de existência e exuberância dessa artista de verdade.


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Amy começou a cantar na adolescência, simplesmente porque gostava, mas contou com apoio dos amigos e da família, além de muito estudo, estúdios e investimentos financeiros. Ela não fazia ideia do seu potencial, e jamais imaginava que um dia isso seria sua carreira profissional. O sucesso de Amy, no entanto, veio com um imenso assédio. A imprensa invadia seu espaço privado para muito além do bom senso de seu acesso permitido, e toda essa situação inclusive gerou um processo judicial, pois fazia Amy se sentir mal. Somado a isso, ela teve os seus desafetos e distúrbio emocional abrasivo. Quanto mais ela sentia que perdia sua liberdade, tão almejada, mais isso a desestabilizava. Amy era muito amada e querida, mas cobrada demais pelos empresários, pelos fãs e pela mídia. Ela precisava de tempo para compor e era perfeccionista, não se importando com as críticas da demora de seu processo criativo, especialmente porque era autobiográfico. Amy não tinha nenhum tipo de disciplina quanto a isso, e ela até já havia sido expulsa de uma escola de canto por mau comportamento, ao negar as aulas teóricas. Às vezes Amy parecia imatura, perdida, insegura e instável, outras completamente eufórica, decidida e indomável. Só que ao invés de condená-la à culpa eterna por suas escolhas erradas e confiná-la no peso de sua irresponsabilidade, proponho termos um pouco de empatia e pensar o que a gente faria em condições como as dela. Amy era tímida e ao mesmo tempo espontânea, extrovertida e divertida. Ela se sentia constantemente constrangida pelo seu público que a perseguia, e até assustada. Então se ela sempre foi tão preocupada com seu estilo, corpo, cabelo e aparência estética, por que não seria assim em relação à sua postura ética? A explicação mais plausível de seus desequilíbrios atravessa o sensível entendimento da bulimia e da dependência química como doenças, e por isso transtornos que necessitam de tratamento e acompanhamento efetivo. Tantos shows cancelados, não era por acaso. Exemplos dos momentos mais tensos de crise e tristeza de Amy são: a separação dos pais; a relação como amante de Blake, e seu inesperado rompimento; a morte da avó que teria cuidado dela e a incentivado na música; a retomada de relacionamento ainda mais conturbado com Blake; o uso/abuso de drogas mais severas; a prisão de Blake; a acusação de infidelidade; e o divórcio de Blake. Por outro lado, se ela tivesse optado pela primeira possibilidade de internação, não teríamos a famosa música sobre a clínica de reabilitação, e provavelmente tampouco teríamos as outras canções do mesmo disco. Geralmente para arte, os problemas fazem parte! Sobre a indisposição no palco em algumas aparições e a própria morte de Amy, possivelmente ocorreram mais relacionadas à questão alimentar do que ao álcool em si, mas assim como os pais dela, poucos percebem em seus filhos que a indução ao vômito é preocupante.

Por fim, propondo reflexões a partir da pergunta título deste texto: ATÉ QUE PONTO PODEMOS DAR VOZ À NOSSA LOUCURA? Quando é importante engolir determinados erros goela abaixo? Devemos nos deixar entrar em desespero por não conseguir digerir nem libertar determinadas coisas presas na garganta? Em que medida a loucura fica mais destrutiva do que criativa? Qual a participação da família e dos amigos no que estamos nos tornando? Quanto temos investido (tempo e dinheiro) na carreira que pretendemos? Sabemos desenvolver nossos talentos e habilidades? Frequentemente ouvimos os estímulos (externos) e as motivações (internas)? Podemos dar voz aos nossos medos e receios? Quem tem cuidado dos nossos sonhos e anseios? Qual é o valor do amor na nossa vida e no mundo? Amy foi muitas vezes rotulada como louca, mas curtiu muito a sua curta vida transformando sofrimentos em notas musicais e letras belíssimas, interpretando com humildade e excelência. E você? O que tem feito com a sua loucura? E o que pretende fazer a partir de agora?


Vanessa Trincheira

Os ideais surgem das ideias! Vanessa Trindade Teixeira - assistente social e escritora iniciante.
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