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Música, arte, literatura, caos e coração

Vanessa Trincheira

Os ideais surgem das ideias!
Vanessa Trindade Teixeira - assistente social e escritora iniciante

O TRAJE DE “AMOR PRÓPRIO” DE ULTRAJE

A originalidade e criatividade das composições de Roger Moreira, vocalista e guitarrista da banda “Ultraje a Rigor”, não seriam nada sem a boa dose de otimismo e amor próprio, que tem ápice na música “eu me amo”. Uma vez que está escasso o sentimento do amor na sociedade contemporânea não só de uns com os outros, mas principalmente de cada um consigo mesmo, estamos todos numa eterna busca para preencher um vazio emocional que nunca será suprido, pois é o amor-próprio que nos deve dar sentido.


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http://kareemi.com/autoestima-e-amor-proprio/

Roger Moreira foi o responsável pela criação da banda “Ultraje a Rigor” na década de 80 e o único que acompanhou toda trajetória de sucesso de suas excelentes composições, harmonizadas por sua voz e guitarra. Roger aprendeu a ler sozinho aos três anos de idade e sempre se destacou nas escolas, mas já revelou em entrevistas que tal vocação intelectual causava dificuldades de relacionamento interpessoal e de pertencimento em relação aos grupos dos demais alunos, chegando até a sofrer “bullyng”. Assim, ao contrario de tantos consagrados músicos que preocupados com a opinião alheia e sem saber lidar com a ascensão da fama desenvolvem doenças como “depressão”- considerada “o mal do século” – e com isso fazem uso abusivo e até compulsivo de drogas e até chegando ao extremo do suicídio, como o saudoso Kurt Cobain, Roger nos deu uma grande lição de autoestima com a música “eu me amo”.

“Há tanto tempo eu vinha me procurando / Quanto tempo faz, já nem lembro mais / Sempre correndo atrás de mim feito um louco / Tentando sair desse meu sufoco / Eu era tudo que eu podia querer / Era tão simples e eu custei prá aprender / Daqui prá frente nova vida eu terei /Sempre a meu lado bem feliz eu serei / Eu me amo, eu me amo! Não posso mais viver sem mim!!!”

A ideia da autossuficiência prevista nesse trecho é muito similar ao famoso poema de Mário Quintana “Borboletas”, especialmente em seu início “Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande!.(...) Temos que nos bastar... nos bastar sempre!”

“Como foi bom eu ter aparecido /Nessa minha vida já um tanto sofrida / Já não sabia mais o que fazer / Prá eu gostar de mim, me aceitar assim / Eu que queria tanto ter alguém / Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém / Longe de mim nada mais faz sentido / Prá toda vida eu quero estar comigo Eu me amo, eu me amo! Não posso mais viver sem mim!!!”

A canção prosseguiu a mesma tese, da importância da independência emocional, com bastante humor e entusiasmo, dando ênfase a grande mudança que nos faz na vida nos perceber e reconhecer nosso valor, sobretudo em momentos que nos encontramos perdidos, uma vez que constituímos nossa identidade por meio das relações humanas, mas estaremos sempre conosco e com nossos pensamentos.

“Foi tão difícil prá eu me encontrar / É muito fácil um grande amor acabar, mas Eu vou lutar por esse amor até o fim / Não vou mais deixar eu fugir de mim / Agora eu tenho uma razão pra viver /Agora eu posso até gostar de você / Completamente eu vou poder me entregar / É bem melhor você sabendo se amar!!!”

A conclusão do som discorre sobre a dificuldade de se encontrar, a luta diária, o posicionamento crítico e de enfrentamento das alternativas de fuga existencial prejudiciais à saúde, a procura de um sentido pra vida, a permissividade de amar outras pessoas contra a autossabotagem, a entrega aos bons sentimentos e por fim a inteligência emocional, que se inicia com o autoconhecimento e se mantém em constante necessidade de transformação rumo a evolução pessoal. Remetendo novamente ao poema de Quintana “Borboletas”, em sua conclusão revela-se que “o segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.” Então, cuide de você e se ame muito, só assim surgirão melhores pessoas e oportunidades.


Vanessa Trincheira

Os ideais surgem das ideias! Vanessa Trindade Teixeira - assistente social e escritora iniciante.
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