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Música, arte, literatura, caos e coração

Vanessa Trincheira

Os ideais surgem das ideias!
Vanessa Trindade Teixeira - assistente social e escritora iniciante

Trabalho e exaustão: análise da música "Capitão de indústria"

A vida não é só trabalho, mas dá trabalho! Será que sempre paramos pra pensar o quanto o trabalho nos consome? porque sem ele não se come, mas se não é pra ter lazer, não temos muito o que fazer. As vezes o trabalho "indignifica" o homem!


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http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/07/charge-capitao-america-brasileiro-combateria-o-crime-so-ate-20h.html

"Capitão de indústria" é uma canção do compositor Marcos Valle, interpretada no oitavo album dos Paralamas do Sucesso: Nove Luas. Embora a interpretação da letra seja bastante simples, nem sempre o trabalhador brasileiro se percebe nessas condições. Isso porque quanto maior o grau de alienação, menos o tempo de reflexão sobre a vida e o processo de autoconhecimento. Será que o trabalho repetitivo e em excesso realmente nos edifica?

"Eu às vezes fico a pensar /Em outra vida ou lugar /Estou cansado demais"

A necessidade de fuga apontada logo nos primeiros versos da musica, se contradiz na sequencia, onde se expõe o inverso:

"Eu não tenho tempo de ter /O tempo livre de ser /De nada ter que fazer"

Assim, não há tempo de ter e nem de ser, e não há liberdade nem possibilidade de saída ou de ociosidade, então, não há liberdade para exercer nem mesmo a própria identidade, que muitas vezes se dilui somente no papel do trabalhador.

"É quando eu me encontro perdido /Nas coisas que eu criei /E eu não sei"

O eu-lirico busca respostas para compreender porque mesmo dentro de tanta criação e produção com suas próprias mãos, não haja conhecimento de si e de seu lugar no mundo.

"Eu não vejo além da fumaça, O amor e as coisas livres, coloridas, Nada poluídas"

Nesse trecho se demonstra parte da alienação e da loucura vivenciada pelo sujeito que em meio da fumaça do chão de fábrica ainda consegue sentir que existe amor e liberdade, e alguma possibilidade de dias melhores, pela esperança impressa em coisas mais coloridas e límpidas que ele ainda enxerga.

"Ah, Eu acordo prá trabalhar /Eu durmo prá trabalhar /Eu corro pra trabalhar!" Fica bem claro a intenção de demonstrar uma vida que se guia e se normatiza em torno do trabalho, pois ele que define a hora de acordar, dormir etc.

"Eu não tenho tempo de ter /O tempo livre de ser /De nada ter que fazer"

Como o escritor coloca o correr pra trabalhar na frase anterior, que lembra concorrência, competição e cumprimento de metas de qualidade, creio que o significado da repetição neste momento é apontar a falta do tempo para o lazer (para poder descansar, brincar, relaxar e até ficar atoa)

"Eu não vejo além da fumaça /Que passa e polui o lar /Eu nada sei"

Neste ponto o lar pode significar a família que ele se priva de encontrar e dispensar tempo /dedicação. Então esse trabalho (representado pela palavra fumaça) contamina /afeta suas potencialidades em casa.

Eu nao vejo além disso tudo /O amor e as coisas livres, coloridas /Nada poluídas (...)

Por fim, não se há perspectiva, porque não se vê nada além do que a musica cita, mas podemos fazer um link com uma letra bem mais otimista dos compositores Rogério Flausino e Zé Ramalho, que na interpretação da banda Jota Quest, no álbum "oxigênio" nos orienta a perceber "oxigênio, mesmo com a fumaça!", mas aí esse assunto já renderia outro artigo na Obvious.


Vanessa Trincheira

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